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Tarifaço de Trump: 1.200 contêineres de rochas deixam de ser exportados no ES

Tarifaço de Trump: 1.200 contêineres de rochas deixam de ser exportados no ES

Tarifaço ja impactou o mercado de rochas ornamentais e estimativa da Centrorochas é que prejuízo chegue a US$ 40 milhões

Publicado em 18 de julho de 2025 às 18:04

Rochas ornamentais impulsionam o desenvolvimento de Cachoeiro de Itapemirim
O Espírito Santo é o maior exportador de rochas ornamentais do país Crédito: Divulgação

Os impactos da tarifa de 50% sobre produtos exportados pelo Brasil, imposta pelo governo de Donald Trump,  já atingiram o setor de rochas naturais no Espírito Santo e no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), a estimativa é que o tarifaço cause um prejuízo de US$ 40 milhões, cerca de R$ 335 milhões, suspendendo a exportação de 1.200 contêineres de rochas para os Estados Unidos, o que representa 60% dos pedidos até o final deste mês. 

A princípio, a tarifa passa a valer oficialmente a partir de 1° de agosto, mas o efeito da medida já está sendo sentido pelos vendedores de rochas naturais. De quebra, afeta diretamente a economia do Espírito Santo, que é o maior exportador do ramo em todo o Brasil e tem os Estados Unidos como principal parceiro comerical, responsáveis por importar  62,4% das rochas do Estado.

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Tarifaço de Trump - 1.200 contêineres de rochas deixam de ser exportados no ES

"Como 95% dos contêineres com rochas naturais exportadas para os Estados Unidos partem do Espírito Santo, o impacto sobre o Estado é especialmente significativo. Estima-se que cerca de 1.140 contêineres deixem de ser embarcados em julho, o que pode representar uma perda de aproximadamente US$ 38 milhões nas exportações capixabas", diz a Centrorochas, em nota. 

Além das rochas, o país norte-americano também é um dos principais compradores de outros mercados, como o de café, celulose, ferro-gusa, minério de ferro, e outros produtos.

Em entrevista à TV Gazeta, o presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), Tales Machado, explicou a atual situação dos exportadores capixabas. 

Os clientes estão pedindo para não embarcar. Eles não estão cancelando os pedidos ainda, mas pediram para não embarcar. Querem uma posição, primeiro, para entender se as tarifas serão realmente aplicadas a partir do dia 1º de agosto

Tales Machado

Presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais

Impacto bilateral

Empresários e entidades americanas que têm ligação com o setor demostraram ser contra a medida e se reuniram para pressionar o governo a ajudar na retirada das tarifas impostas. O representante do Instituto de Rochas Naturais dos Estados Unidos (NSI) enviou um vídeo para o vice-presidente do Centrorochas, Fábio Cruz, destacando a movimentação do setor, que, segundo ele, reconhece o impacto do tarifaço nos importadores dos EUA.

A cadeia de construção americana também revelou preocupações com a tarifa imposta pelo governo Trump. O CEO da NSI, Jim Hieb, informou estar em articulação com a National Association of Home Builders (NAHB), uma das maiores entidades que representa construtores, incorporadores, empreiteiros e empresas da cadeia da construção civil nos EUA, para tratar da situação. 

Em recente comunicação, Hieb destacou as articulações em andamento com a NAHB. Segundo o NSI, a medida tarifária é igualmente preocupante para o mercado norte-americano, especialmente pelos impactos projetados sobre a indústria da construção. Entre os pontos destacados:

  • 85% da pedra natural consumida nos EUA é importada;
  • O Brasil é o principal fornecedor, respondendo por 22,6% das importações, seguido pela Itália (19,1%); 
  • Os materiais mais usados para bancadas são de origem brasileira;
  • Os EUA não têm produção doméstica suficiente para suprir a demanda;
  • A tarifa impactará mais de 12 mil fabricantes, 500 distribuidores e 200 mil empregos nos Estados Unidos. 
O instituto e outras associações do setor norte-americano vão solicitar formalmente um adiamento de 90 dias na implementação da tarifa, prevista para 1º de agosto, disse o Centrorochas, em nota.

Setor não tem soluções a curto prazo

Segundo a Centrorochas, vender as rochas para outros países não é uma solução viável a curto prazo, uma vez que as peças têm caractrísticas específicas, seguindo o padrão dos pedidos americanos, além da falta de demanda de outros compradores para absorver o tamanho da oferta. 

"O foco, neste momento, deve ser a negociação imediata entre os governos e a busca por prorrogação do prazo de vigência da tarifa", disse a entidade, em nota. 

Os Estados Unidos compram mais da metade das rochas ornamentais produzidas no Espírito Santo. Em julho de 2025, o país comprou 62,4% de toda a produção do setor, enquanto países como China, México, Itália e Espanha ficaram atrás, com 17,5%, 3,7%, 2% e 1,6%, respectivamente.

Exportação de rochas do ES

Apesar de ser um número expressivo, o mês de junho foi o de menor exportação do primeiro semestre de 2025, enquanto a maior quantidade foi exportada em maio, quando os Estados Unidos compraram quase 70% das rochas ornamentais produzidas no Estado. 

  • Janeiro - 69%
  • Fevereiro - 68,4%
  • Março - 63,3%
  • Abril - 63,5%
  • Maio - 69,8%
  • Junho - 62,4%

Em nível nacional, o  Espírito Santo é o principal exportador do setor de rochas naturais do país representando 82,85% de toda a mercadoria negociada para fora do Brasil no primeiro semestre de 2025. As chapas polidas feitas de mármore e granito são os principais tipos de peças produzidas pelos exportadores capixabas.

As rochas ornamentais são produtos com alto valor agregado e são submetidas a processos de beneficiamento e acabamento feito por indústrias do Estado. As cidades de Serra Cachoeiro de ItapemirimBarra de São FranciscoCastelo e Atílio Vivácqua são as maiores exportadoras do Estado.

Os desafios não param por aí. O presidente da CentroRochas explica que, para que o setor possa diversificar o mercado e atrair o interesse de outros países, os exportadores capixabas teriam que acrescentar mais etapas no processo de beneficiamento das peças e modificar a cadeia de produção para produzir blocos em vez das chapas, o que seria um retrocesso para a indústria. 

As indústrias do Espírito Santo estão entre as melhores do mundo de rocha natural. Os melhores equipamentos do mundo estão aqui. Então, não tem como a gente voltar a vender bloco. É andar para trás

Tales Machado

Presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais

Com o cenário atual, o setor busca alternativas para minimizar os impactos, mas reconhece que a curto prazo será muito difícil substituir os compradores estadunidenses. "A economia dos Estados Unidos é um negócio muito grande. Se a gente substituísse os Estados Unidos, não seria um processo fácil. A economia deles é muito forte”, completa o presidente da Centrorochas.

"Desde o anúncio, a Centrorochas tem atuado diretamente junto às autoridades brasileiras. No último dia 15 de julho, participou da primeira reunião do Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, liderado pelo vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, em Brasília. A participação do setor de rochas foi viabilizada por articulação com o governo do Espírito Santo", explica, em nota. 

Cenário nacional 

De acordo com informações da CentroRochas, a indústria brasileira de rochas naturais é responsável por aproximadamente 480 mil empregos diretos e indiretos em todo o país. Em 2024, as exportações do setor somaram US$ 1,26 bilhão, registrando um crescimento de 12,7% em relação ao ano anterior. Desse total, os Estados Unidos responderam por 56,3%, mantendo-se como principal destino das rochas brasileiras. Já no primeiro semestre de 2025, o segmento alcançou um recorde histórico, com US$ 426 milhões em vendas para o mercado norte-americano, alta de 24,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Com informações do g1 ES

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