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Quem foi Maria Quitéria, que dará nome à nova plataforma da Petrobras no ES

Segundo a estatal, trata-se de uma iniciativa voltada a homenagear heróis brasileiros no nome de plataformas. Novo padrão de batismo, criado no governo Bolsonaro, vale somente para as unidades afretadas

Tempo de leitura: 4min
Vitória
Publicado em 03/04/2022 às 13h49

Como parte uma nova política de batismo de plataformas afretadas, a Petrobras deu o nome de Maria Quitéria à FPSO (sigla em inglês para unidade flutuante de produção, armazenamento e transferência de óleo), do projeto Integrado Parque das Baleias, no Litoral Sul do Espírito Santo, que deve entrar em operação até 2024.

Maria Quitéria foi a primeira mulher a fazer parte do Exército Brasileiro, tendo fingido ser homem para poder entrar nas Forças Armadas. A história dá conta de que, por volta de 1822, a baiana, então com 19 anos, utilizou o nome do cunhado para se alistar, assim como fizeram outras mulheres naquela época. Embora eventualmente tenha sido desmascarada, seu valor à tropa era tanto que lhe deixaram ficar.

“Ela atuou na Bahia combatendo os portugueses que se recusavam a aceitar a independência. Durante a luta, foi reconhecida pela bravura, e mesmo depois de descoberto que era uma mulher, foi homenageada, inclusive pelo próprio Dom Pedro I, chegando a ser nomeada cavaleira da Ordem Imperial do Brasil”, pontuou a pesquisadora e professora do departamento de História da Universidade Federal do Ceará (UFC), Ana Rita Fonteles Duarte.

Retrato de Maria Quitéria de Jesus Medeiros
Retrato de Maria Quitéria de Jesus Medeiros, por Domenico Failutti . Crédito: Reprodução

Ainda hoje, seu nome é celebrado nos quarteis e repartições vinculados às Forças Armadas brasileiras. Desde meados da década de 1990 é considerada uma das patronas do Quadro Complementar de Oficiais do Exército Brasileiro e, em 2018, teve seu nome incluído, por lei, no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria.

O nome da patriota inspirou diversos movimentos, conforme observa Ana Rita. “Durante os anos da ditadura, o nome dela foi utilizado para intitular um jornal do movimento feminino pela anistia. Era um boletim informativo e foi justamente escolhido o nome da Maria Quitéria como uma forma de proteção diante da repressão. Como eles poderiam cassar o jornal, interditar, empastelar, quanto tinha o nome da patrona do Exército? Era também uma apropriação do que seria o patriotismo e a bravura de Maria Quitéria”, destacou a pesquisadora.

Em nota, a Petrobras informou que “tem homenageado heróis brasileiros no nome de plataformas, a exemplo dos FPSOs Ana Neri, Anita Garibaldi, Almirante Barroso e Almirante Tamandaré. Maria Quitéria é outro nome importante na história do Brasil e uma das heroínas da Independência da Bahia”.

ESCOLHA POLÍTICA

As homenagens da petroleira a ex-combatentes são recentes. Antes do governo Jair Bolsonaro, as plataformas alugadas recebiam, principalmente, nomes de cidades do litoral brasileiro, especialmente as que ficam em frente aos campos produtores, como é o caso da Cidade de São Mateus, no Espírito Santo, que explodiu em 2015. Já as plataformas próprias da companhia tendem, ainda hoje, a seguir um padrão numérico, precedido pela letra P, de Petrobras.

Essa mudança no padrão de batismo das plataformas afretadas teve início no mandato de Roberto Castello Branco, que deixou o comando da Petrobras no início do ano passado, em meio às discussões sobre altas nos preços dos combustíveis. Além das novas plataformas, ativos batizados durante os governos petistas passaram a ser renomeados.

A estratégia de alterar nomes de ativos em razão de preferências políticas dos governantes, entretanto, não é novidade. Ao assumir o governo, em 2003, o PT aprovou o rebatismo de um conjunto de usinas térmicas em homenagem a personalidades mais alinhadas à esquerda.

A NOVA PLATAFORMA

O FPSO Maria Quitéria é o mais importante projeto da Petrobras previsto para o Espírito Santo. Ele está nos planos da companhia estatal desde 2014, quando foi iniciada a atividade da plataforma P-58, atualmente a principal produtora do Estado.

O investimento na nova plataforma, que faz parte do cronograma prioritário da estatal, é estimado em cerca de R$ 5,6 bilhões. Ela vai extrair óleo e gás da camada pré-sal no campo de Jubarte, na região petrolífera denominada Parque das Baleias, Litoral Sul do Estado.

Com o amadurecimento dos poços de petróleo no Estado, que vem resultando em queda na produção ao longo dos anos, o novo FPSO chega em boa hora. O empreendimento, quando estiver operando, deve produzir 100 mil barris de óleo e 5 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

O projeto, que deve movimentar toda a cadeia de petróleo e gás, gerando oportunidades de negócios e empregos, prevê a interligação de 17 poços ao FPSO, sendo nove produtores de óleo, oito injetores de água, por meio de infraestrutura submarina composta por dutos flexíveis, umbilicais eletro-hidráulicos e as chamadas árvores de natal molhadas.

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