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Publicado em 19 de fevereiro de 2021 às 02:00
- Atualizado há 5 anos
Atire a primeira pedra quem nunca passou raiva com operadora de telefonia. A insatisfação dos consumidores com o serviço prestado e a oferta de planos mais atraentes leva quase 400 pessoas por dia a fazerem a portabilidade do número do telefone fixo ou móvel no Espírito Santo para outra operadora telefônica. >
De acordo com a entidade que administra as trocas - a Associação Brasileira de Recursos em Telecomunicações - foram registradas 145.307 transferências numéricas em 2020 no Estado. Do total, 120 mil foram trocas de operadora de celular, o que corresponde a 82,6%. O restante se refere a trocas de operadoras de telefones fixos, com 25.294 portabilidades.>
A norma que possibilita usuários de telefonia fixa e móvel trocarem de operadora sem trocar de número está em vigor desde 2008. Trata-se de um direito do consumidor, que não precisa pagar nada por isso. Desde então foram feitas 1,14 milhão de transferências no Espírito Santo, considerando até dezembro.. >
Só nos últimos três anos, 388 mil pessoas mudaram de prestadora de serviço no Estado, sendo 105 mil em 2018; 163 mil em 2019 e 145 mil em 2020. >
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Os motivos para a mudança são diversos. Segundo o advogado Rodrigo Bassette Tardin, fatores como a qualidade da cobertura, falta de clareza nos valores das faturas e pacotes com preços mais atraentes em operadoras concorrentes são os mais frequentes. >
“A portabilidade também acontece em situações como ausência de sinal, de falta de internet pelo pacote de dados, conta que não chega na data e a qualidade do serviço de maneira geral”, explicou Tardin. >
Foi justamente o problema com a cobertura que fez o empresário Rodrigo Nunes Bertolani, de 29 anos, mudar a empresa de telefonia. O morador de Cariacica, na Grande Vitória, estava há cinco anos com a mesma operadora e satisfeito com o valor e com o atendimento. O sinal, porém, não funcionava na casa dele. >
Com a pandemia do novo coronavírus, Rodrigo passou a fazer home office. Sem sair de casa, o plano, antes avaliado como excelente, passou a não atendê-lo. >
“Fiquei três meses com o celular sem funcionar e acabou que eu não vi mais necessidade de manter o vínculo com a operadora, já que não conseguia usar dentro da minha casa. Pensei em cancelar o número, mas decidi fazer a portabilidade para uma que tem a rede de cobertura maior”, contou Bertolani. >
Já no caso da psicóloga Milena Nascimento do Rosário, de 31 anos, a decisão pela portabilidade foi por causa da oferta mais atraente feita por uma concorrente. A pandemia também forçou que ela trabalhasse de casa e, para atender a nova demanda, ela decidiu mudar primeiro a fornecedora de internet fixa. Ao fazer a troca, a operadora ofereceu também linhas móveis com mais benefícios para a família. >
“O serviço da outra operadora não era ruim, a cobertura era boa. O ruim era o aumento sem aviso prévio e a falta de benefícios. A internet era pouca para o preço que estava pagando. Quando finalmente conseguimos fazer a troca para essa outra operadora, a gente percebeu que a internet funciona, é boa, mas infelizmente a cobertura não é bacana”, disse Milena. >
No entanto, nem tudo foram flores. Desde que a família dela decidiu que faria a portabilidade dos números de celular, demorou três meses até que a operação fosse efetivada. Apesar de ter decidido mudar para outra empresa, ela revelou que o atendimento com o cliente deixa a desejar.>
“O atendimento do cliente, tanto de uma quanto de outra, é muito ruim. A gente passou por situações bem chatas para conseguir a portabilidade porque eles te oferecem um pacote e depois não localizam. Foi uma confusão tão grande que quase terminou no Procon”, relatou a psicóloga. >
As queixas sobre o serviço prestado são tão recorrentes que, anualmente, as operadoras estão entre as empresas que recebem mais queixas dos consumidores no Procon do Espírito Santo. No ano passado, o órgão registrou 3.169 atendimentos com reclamações por problemas nas linhas de celulares e telefones fixos.>
“A portabilidade é muito buscada por causa da insatisfação dos consumidores com as operadoras. É um serviço gratuito e, com a maior divulgação dessa possibilidade, o consumidor vai em busca da oferta por um serviço melhor. Isso é perfeitamente normal dentro do direito do consumidor e aumenta a concorrência entre as empresas, o que pode ser visto como positivo para melhorar o serviço prestado”, avaliou Tardin. >
O advogado ainda salienta que caso haja resistência da operadora em permitir a portabilidade, o consumidor deve buscar que os direitos dele sejam cumpridos, seja por orientação no Procon ou por meio do judiciário, com o auxílio de um advogado e juizados especiais que tratam do tema.>
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