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Ponto a ponto: os impactos da pandemia na economia e no seu bolso

Resultado do PIB e do desemprego já mostram os severos impactos do coronavírus na atividade econômica. Veja porque a doença afeta as empresas e o seu bolso

Publicado em 01 de Junho de 2020 às 10:01

Redação de A Gazeta

Publicado em 

01 jun 2020 às 10:01
Coronavírus: reflexos na saúde e na economia
Coronavírus: reflexos na saúde e na economia Crédito: Freepik
A pandemia da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, já tem causado impactos devastadores na economia. O vírus já contaminou o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que caiu 1,5% no primeiro trimestre e deve seguir ladeira abaixo, e já destruiu 860 mil postos de trabalho formais no país, 17,8 mil só no Espírito Santo.
O economista Eduardo Araújo lembra que a economia brasileira já vinha mal das pernas nos últimos anos, com dificuldades para se reerguer, o que elevou o tamanho das perdas aqui. "Isso se junta ao fator dessa ser uma crise diferente das outras, mais intensa e mais veloz ao atingir pessoas e empresas. Então o resultado [do PIB] dos próximos trimestres e do ano deve ser ainda pior".
Mas, afinal de contas, por que uma doença traz efeitos tão severos para a atividade econômica? Por que as famílias e as empresas estão sofrendo tanto? A Gazeta consultou especialistas para entender esse cenário em 8 pontos.

ARRECADAÇÃO PÚBLICA CAI E GASTO DO GOVERNO AUMENTA

O primeiro e maior impacto do vírus é a necessidade de distanciamento social e isolamento diante do seu elevado nível de contágio. Com isso, pessoas deixaram de sair às ruas para consumir como antes ou mesmo trabalhar, sobretudo quem está classificado como grupo de risco (idosos e pessoas com comorbidades).
Várias atividades foram paralisadas por ordem do governo para tentar conter a transmissão do vírus. O comércio foi um dos mais afetados. Bares, restaurantes, academias e serviços de entretenimento também sofrem um duro baque. Setores como o de turismo também vivem dias de caos, já que as pessoas também deixaram de viajar ou gastar com lazer.
Com a atividade extremamente baixa, muitas empresas chegaram a um cenário financeiro caótico de falta de liquidez, que acontece quando não há uma reserva financeira suficiente para honrar os compromissos. "A crise acaba gerando uma falta de liquidez que lá na frente provoca uma ruptura na economia", explicou o economista Samuel Pessôa, pesquisador da FGV.
Sem dinheiro para se manter, as empresas iniciam o corte de funcionários para enxugar os gastos. Outras optaram por mecanismos legais criados pelo governo nesta crise, como suspender por dois meses os contratos de trabalho ou reduzir a carga horária e o salário proporcionalmente em 25%, 50% ou 70%.
Essas medidas acabam levando a uma queda brusca da renda familiar, conforme explica o economista Eduardo Araújo: "Há um empobrecimento coletivo das pessoas diante da perda salarial com essas medidas, ou porque ficaram desempregadas ou ainda porque são autônomos e não estão tendo como trabalhar".
A queda na renda se reflete na retração do consumo das famílias. "Essas pessoas passam a consumir menos, cortam gastos e isso afeta as empresas, que vendem e produzem menos, de forma a alimentar essa sistemática de um ciclo vicioso ruim para a economia", explica Eduardo Araújo.
A queda no consumo se reflete na produção das indústrias, que também é reduzida. Com o aumento da ociosidade e lucratividade, as empresas adiam investimentos de ampliação e expansão de atividades, o que geraria mais empregos agora.
Com as empresas faturando menos, são recolhidos menos impostos pelo Poder Público. No meio dessa crise de arrecadação, porém, a pandemia vem exigindo uma elevação do gasto público, desde mais investimentos em saúde até a ajuda a empresas e famílias que perderam os rendimentos. O auxílio emergencial de R$ 600 é um desses exemplos.

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