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Perda de força do coronavírus na China pode aliviar recessão no ES

Algumas cidades chinesas já deixam o isolamento e pessoas voltam a trabalhar. Retomada da produção deve reabastecer mercado brasileiro e demandar commodities capixabas enquanto o Ocidente vive pior momento da crise

Publicado em 16/03/2020 às 07h46
Atualizado em 16/03/2020 às 11h56
Pedestres usam máscaras de proteção nas ruas de cidade chinesa: retomada de atividades . Crédito: Agência Estado
Pedestres usam máscaras de proteção nas ruas de cidade chinesa: retomada de atividades . Crédito: Agência Estado

Origem do novo surto de coronavírus, a China já registra uma forte queda nos casos da doença desde a última semana. Na cidade de Wuhan, marco zero da pandemia, as ocorrências que chegavam a mais de 200 por dia caíram para menos de 10. Com esse fim do pico do surto, moradores de cidades chinesas já começam a deixar o isolamento.

Com isso, já há sinais de uma retomada da atividade econômica na China, com pessoas voltando a consumir e a trabalhar, e comércios e fábricas estão voltando à normalidade.

O otimismo pode ser percebido pelo fechamento dos mercados financeiros chineses na sexta-feira (13), que mesmo após o caos nas bolsas do mundo todo no dia anterior, tiveram perdas modestas diante do cenário local melhor.

Para a economia global, sobretudo a brasileira e também a do Espírito Santo, esses últimos acontecimentos na China tem um significado importante: uma luz no fim do túnel diante da iminente recessão agravada pelo coronavírus.

Se países da Europa se tornaram o novo epicentro do vírus e até mesmo os Estados Unidos já adotam duras medidas de controle, a reativação da economia chinesa pode ser um alívio e tanto na crise brasileira e capixaba.

Em 2019, a China foi um importante parceiro comercial do Brasil e do Espírito Santo. O país asiático foi responsável por 27,3% das exportações nacionais e por 5,3% das exportações capixabas. Em relação ao total importado, 19,9% dos produtos estrangeiros comprados pelo Brasil vieram dos chineses, enquanto o Estado teve 18.5% das suas importações vindas da China.

Com a economia quase parada por conta do vírus, a China reduziu drasticamente suas vendas para o mercado brasileiro, chegando a desabastecer fábricas de insumos industriais como componentes eletroeletrônicos, maquinários, peças de automóveis e produtos químicos.

O "toque de recolher" por risco de contágio também fez a demanda chinesa cair, sobretudo por commodities metálicas e energia. Por ser o principal destino do minério de ferro e pelotas produzidas pela Vale no Brasil, a desaceleração do país chegou ao ponto da mineradora cogitar a suspensão de suas atividades globais, o que só no Espírito Santo afetaria 20 mil empregos e cerca de 100 empresas.

BOA NOTÍCIA

Para o sócio da Alphamar Investimentos Renan Lima, essa perda de força do vírus e reação da economia chinesa certamente será boa para atividade econômica global. "A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Qualquer impacto na economia deles a gente sente aqui. Então se melhorarem também é positivo para o país."

Lima lembra ainda que os chineses têm metas elevadas e um nível de produtividade extremamente alto capaz de recuperar as perdas econômicas do país.

Renan Lima

Sócio da Alphamar Investimentos

"Eles (chineses) são muito disciplinados. Por mais que tenham parado para atacar esse problema, devem voltar com o dobro da força para conseguir alcançar o crescimento econômico almejado. Assim como reagiram rápido e com força ao coronavírus, até mesmo com construção de hospital em 10 dias, devem ter essa mesma determinação para a recuperação econômica"

Se de fato a economia chinesa apresentar uma reação significativa, aumentando a demanda global por commodities como petróleo e minério, por exemplo, isso ajudaria o Espírito Santo a se segurar minimamente no momento em que o consumo interno tende a cair, assim como o de países do Ocidente. Isso também ajudaria a Vale a dar continuidade em suas operações globais.

Outro fator positivo para o Brasil é a própria possibilidade de controle do vírus, que com a redução dos casos na China mostra ser possível. Segundo Lima, com isso as autoridades já sabem qual dever de casa fazer para evitar maior proliferação do Covid-19.

"A forma das autoridades tratarem o tema lá e a reação da sociedade fez o vírus ter sido controlado no país mais populoso do mundo. Foi um trabalho bem feito por parte dos chineses. Aqui no Ocidente o furacão chegou agora, mas já termos uma boa referência em termos de como dar respostas já dá algum alento, para o mercado e para as pessoas", diz.

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