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O que a prisão dos chefões da Telexfree tem a ver com Paul McCartney

Carlos Costa e Carlos Wanzeler foram alvo de operação da Polícia Federal. Empresários são suspeitos de usar laranjas para ocultar patrimônio conquistado pela pirâmide financeira

Publicado em 17/12/2019 às 15h02
Atualizado em 17/12/2019 às 15h11

Carlos Costa e Carlos Wanzeler, os chefões da Telexfree presos nesta terça-feira (17) pela Polícia Federal, são suspeitos de ocultar bens conquistados em um esquema de pirâmide financeira internacional, que lesou mais de dois milhões de investidores em todo o mundo.

Há indícios de os empresários terem usados recursos obtidos de maneira fraudulenta e que estavam escondidos em contas de laranjas para bancar o show de Paul McCartney, realizado em Cariacica, em novembro de 2014. O caso foi revelado com exclusividade por A Gazeta.

polícia não confirma a relação da prisão com a presença do ex-Beatle na Grande Vitória, mas as informações divulgadas até agora pelas autoridades revelam uma atuação semelhante para manter bens em nome de terceiros escondidos dos investigadores.

Processos em andamento na Justiça Federal já apontavam para o envolvimento dos líderes da empresa em crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outras fraudes contra o sistema financeiro nacional.

A nova investigação que levou à detenção dos líderes, que está em segredo de Justiça, tem como alvo principal transações financeiras para lavagem de dinheiro. Segundo informações iniciais da PF, recursos que não tinham sido alcançados na Operação Orion, que decretou sequestro e bloqueio de bens em 2014, eram movimentados por terceiros.

Agente da Polícia Federal conduz Carlos Costa e Carlos Wanzeler, chefões da Telexfree, após exame no Departamento Médico Legal. Crédito: Ricardo Medeiros
Agente da Polícia Federal conduz Carlos Costa e Carlos Wanzeler, chefões da Telexfree, após exame no Departamento Médico Legal. Crédito: Ricardo Medeiros

Parte desse dinheiro foi usada para comprar imóveis que eram alugados para garantir uma renda aos empresários, de acordo com as autoridades.

No site da Justiça Federal do Espírito Santo, em um outro processo envolvendo lavagem de dinheiro, o Ministério Público Federal, ao fazer a denúncia, disse que o líder da Telexfree, Renato Alves, foi usado para comprar imóveis para Carlos Costa.

Entre as unidades adquiridas estão salas comerciais em Vila Velha no valor de R$ 300 mil. Renato foi quem pagou o show de Paul McCartney, conforme admitiu o advogado Rafael Lima, em entrevista exclusiva para A Gazeta. 

Na 1ª Vara Federal Criminal de Vitória, que há anos é especializada em crimes financeiros, tramitam mais de 30 processos, entre ações penais, medidas cautelares e inquéritos envolvendo o caso da Telexfree.

Carlos Costa saindo de carro da PF após ser preso. Crédito: Ricardo Medeiros
Carlos Costa saindo de carro da PF após ser preso. Crédito: Ricardo Medeiros

O principal processo está em fase de finalização e pode ter a sentença divulgada nos próximos meses. A partir da decisão final do caso, que tem relação com crimes contra o sistema financeiro, as outras ações em andamento podem ser finalizadas.

Além das acusações criminais, os donos da Telexfree também respondem por acusações tributárias. A União tenta recuperar dos empresários um valor de R$ 4,8 bilhões em dívidas pela sonegação de impostos e de INSS.

A busca das autoridades pelo patrimônio visa retirar dos envolvidos bens conquistados de forma ilícita e, ao mesmo tempo, indenizar as vítimas do esquema. Pela legislação brasileira, o governo federal é quem terá prioridade em receber os valores, ficando por último os investidores da companhia.

Na manhã desta terça-feira, o advogado dos empresários, Rafael Lima, disse que ainda não teve acesso ao inquérito que levou os empresários à prisão.

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