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A trama da pirâmide

Líder da Telexfree depositou cachê de Paul McCartney em cheque

Produtor responsável pela turnê na América Latina e o empresário de Paul McCartney afirmam desconhecer origem ilícita do dinheiro

Publicado em 05 de Outubro de 2019 às 20:34

Publicado em

05 out 2019 às 20:34
Paul McCartney ao lado de seu empresário Barrie Marshall, produtor internacional Crédito: Twitter@Golden1Center

O empresário de Paul McCartney, Barrie Marshall, explicou para A Gazeta que contratos e investimentos para a apresentação da estrela no Brasil couberam ao produtor brasileiro do show, Luiz Oscar Niemeyer Soares, que na época era sócio da Planmusic. “Eles (a Planmusic) cumpriram todos os compromissos contratuais”, disse o fundador da Marshal Arts, empresa com sedes em Los Angeles e Londres.

Ao ser apresentado às descobertas de A Gazeta sobre os investidores por trás da apresentação do ex-Beatle no Espírito Santo, Niemeyer, que há anos é o contato no Brasil de Barrie Marshall, disse estar totalmente surpreso. Ele afirma não saber a origem dos recursos usados para pagar o cachê. 

Só confirma que foi feito um depósito em cheque na conta da empresa da qual era sócio na ocasião do show. O valor preciso não foi divulgado, mas o pagamento à estrela ficou na casa dos R$ 8 milhões. Ao todo, estima-se que o custo do evento tenha superado os R$ 15 milhões.

Como A Gazeta revelou, o pagamento foi feito por Renato Alves, apontado pelo Ministério Público Federal como um dos principais laranjas dos chefões da Telexfree. Segundo processo referente a outro caso que já tramita na Justiça, ele guardava recursos e fazia pagamentos para a pirâmide financeira.

“É a primeira vez que ouço falar sobre esse assunto. Estou surpreso”, afirmou o empresário que desde 2016 é diretor da Time For Fun, considerada a maior do mercado de entretenimento e shows ao vivo da América do Sul.

Luiz Oscar Niemeyer Soares, produtor nacional do show de Paul McCartney Crédito: Rodrigo Cabral

Niemeyer explicou que todas as suas tratativas para confirmar Paul no Espírito Santo foram com o empresário Flávio Salles, produtor local do show. Ele confirmou que a Capixaba Eventos, empresa na qual os cabeças da Telexfree inseriram um homem de confiança, formalizou um contrato físico com a Planmusic.

Ainda de acordo com o empresário, em nenhum momento ele tomou conhecimento sobre quem seriam os investidores. “Se houve participação da Telexfree, foi através da empresa do Flávio. Não tivemos nenhum tipo de contato com ninguém dessa empresa aí”, frisou.

Niemeyer disse ter apreço por Flávio Salles, a quem define como pessoa séria, que honrou todos os compromissos e pagou todos os fornecedores.

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