"Se eu não tivesse aceitado a proposta deles (Carlos Costa e Carlos Wanzeler), o Espírito Santo teria perdido o show de Paul McCartney". A afirmação é do empresário Flávio Salles, sócio minoritário da empresa responsável pela vinda do ex-Beatle ao Estado. Como A Gazeta revelou, o cachê foi bancado por líderes da Telexfree, empresa que estava bloqueada pela Justiça, e há suspeitas de lavagem de dinheiro.
Flávio diz que desconhecia os problemas da Telexfree, bem como o fato de os recursos dela e de seus sócios já estarem bloqueados pela Justiça do Acre desde 2013. Também frisou não imaginar que os investimentos destinados ao show pudessem ter origem ilícita.
"Eu não sabia. Para mim era uma empresa que trabalhava com marketing multinível e que estava pocando o balão, porque só se falava em Telexfree. E eu os procurei como um negócio, porque eles estavam nadando em dinheiro. Mas eu não sabia que tinha briga na Justiça, e que tinha impedimento dos recursos. Tanto que eles conseguiram liberar o dinheiro, se não não teriam pago", conta.
O empresário diz não se arrepender de ter obtido investimentos com Costa e Wanzeler. "Não me arrependo pelo que conseguimos viabilizar. Sem eles não teria tido esse show histórico, antológico", assinala. A opção por eles se deu diante da dificuldade de se obter outros investidores e patrocinadores para um evento deste porte, com dois meses de antecedência.
As negociações para viabilizar o show foram realizadas na Praia da Costa, em Vila Velha, no apartamento de Carlos Costa, sempre com a presença de Wanzeler. "Os dois sempre estavam juntos, mas a minha tratativa sempre foi mais com o Costa", relatou
O encontro aconteceu logo após ele ter voltado do Rio de Janeiro, onde se reuniu com o produtor nacional, Luiz Oscar Niemeyer, que à época estava à frente da Planmusic. De lá retornou com uma estimativa do show e fez uma projeção de venda de bares, de ingressos por setores e camarotes para apresentar aos investidores. "Informei a eles o valor e qual o risco. E o Costa só me falou: pode fazer que a gente garante", contou.
A origem do dinheiro utilizado para pagar o show, segundo Flávio, nunca foi tema das conversas com Costa e Wanzeler. "Pelo meu entendimento saiu da conta deles. Passei o número da conta e no dia seguinte o Luiz Oscar Niemeyer confirmou que já tinha sido depositado", contou.
Após o show, relata Flávio, os investimentos realizados por Wanzeler e Costa foram quitados, integralmente. Os valores, porém, não foram revelados. "Eles gostaram muito do trabalho que fiz. Deram parabéns. Mas até onde sei, não foram ao show e não me pediram nada, nada, nem um camarote", relata.
Hoje a maior preocupação de Flavio, após a divulgação de que o show pode ter sido pago com dinheiro de origem fraudulenta é de que a história chegue aos ouvidos de Paul McCartney. "Dele ficar chateado. Ele gostou muito do show, que foi muito bonito", desabafou.
Mesmo após ser informado sobre a situação jurídica da Telexfree e dos chefões, Salles reiterou não saber a origem do dinheiro investido no show e avaliou que o feito da empresa seria visto positivamente pela população. “Muita gente vai ver com ótimos olhos porque não é fácil trazer um show grande para cá”, comentou.