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Moda dos leilões on-line atrai criminosos; saiba como se proteger

Sites falsos e comunicação por WhatsApp são mecanismos de ação de estelionatários. Especialista ensina como tomar cuidado na hora de arrematar bens como imóveis e veículos pela internet

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 27/04/2021 às 17h30
Atualizado em 27/04/2021 às 17h39
Estelionatários criam sites falsos de leilão para dar golpes em todo país
Estelionatários criam sites falsos de leilão para dar golpes em todo país. Crédito: Pixabay

A possibilidade de arrematar bens como veículos e imóveis até pela metade do valor de mercado atrai milhares de brasileiros para o mundo dos leilões. Sem a opção de realizar os eventos presencialmente em função da pandemia do coronavírus, a saída tem sido disponibilizar as ofertas em sites criados por leiloeiros. No entanto, a facilidade do mundo digital também traz altos riscos de golpe, exigindo atenção redobrada dos compradores.

O leilão virtual funciona de forma parecida com o presencial. O leiloeiro coloca os bens disponíveis com fotos, valor do lance mínimo e a data em que será realizado o leilão. Geralmente, o interessado tem um tempo determinado para dar o lance e aguardar o resultado. Quem vence recebe uma ordem de compra, efetua o pagamento e a entrega do bem arrematado é acertada com o leiloeiro.

A facilidade de entrar em contato com os interessados acabou atraindo estelionatários que falsificam sites, simulam os leilões de bens que nunca chegarão às mãos do arrematante e, após receber o depósito do dinheiro, desaparecem.

Foi o que aconteceu com o músico Júlio Cesar Vésper, de 34 anos. Não era a primeira vez que o capixaba se cadastrava em um site de leilões, mas acabou se cadastrando em um site falso que levava o nome do leiloeiro Alexandre Buaiz.

“Eu não estranhei nada, tudo parecia muito real e correto. Entrei e dei um lance em um veículo, só depois que descobri que era golpe”, relata. O falso leilão aconteceu no início de março e Vésper fez o depósito de R$ 16 mil, valor do lance oferecido. Até o momento ele não sabe se vai conseguir recuperar o dinheiro.

A informação de que tinha arrematado o carro chegou com a pressão para que o depósito fosse feito naquele mesmo dia. Os estelionatários o pressionaram até que o dinheiro estivesse na conta. A entrega, no entanto, não estava acertada.

Morador de João Neiva, no interior do Espírito Santo, Vésper se ofereceu para ir buscar o veículo, mas os bandidos disseram que levariam em sua casa com um guincho.

"Eu disse que estava indo para Vitória, mas eles ofereceram levar de guincho. Estava trabalhando no dia e por isso fiz tudo correndo, sem desconfiar de nada. Quando foi no outro dia, começaram a surgir dúvidas", conta.

Já era tarde demais. O depósito, feito no nome de uma pessoa física que supostamente era “agente fiscal” do governo, já tinha sido sacado. Até o momento, o músico não sabe se vai conseguir recuperar a perda. Fez boletim de ocorrência na delegacia, procurou o Procon e o banco, mas ninguém deu uma solução para o problema ainda.

“Os bancos falam que não podem questionar as pessoas a motivação de abrir a conta, por isso não tem como impedir que alguém abra. Mas é muito estranho, se você pesquisar o nome e o CPF da pessoa que eu depositei o dinheiro não acha nada. Nem ação na Justiça, nem redes sociais, nada, é como se não existisse”, lamenta.

Por pouco a empresária Priscila Barboza Gonçalves também ficou no prejuízo. Ela chegou a se cadastrar no site, enviar documentos e fazer um lance, mas por sorte, descobriu que o endereço era falso antes de depositar qualquer valor.

Despretensiosamente, abiu o site do Tribunal de Justiça do Estado para acompanhar o andamento de outros processos quando se deparou com um aviso de que o site em que havia se cadastrado era uma fraude.

Os dois registraram boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), da Polícia Civil, mas não tiveram orientações ou qualquer outra informação sobre o andamento das investigações. Por nota, a polícia afirmou que os casos seguem em investigação e as informações são sigilosas. O site acessado pelos dois capixabas já está fora do ar.

"A PCES esclarece que o registro do Boletim de Ocorrência é de extrema importância para que todos os casos cheguem ao conhecimento da Polícia e sejam devidamente apurados. O registro da ocorrência pode ser realizado comparecendo pessoalmente a uma delegacia ou, preferencialmente, por meio da Delegacia Online", diz a nota.

SAIBA COMO SE PROTEGER

O professor de Direito da Faesa Fábio Bonomo, que é especialista em casos envolvendo leilões, explica que os casos de fraude têm se multiplicado, principalmente durante a pandemia de Covid-19 que suspendeu leilões presenciais. O professor ressalta que leilões se tornam muito atrativos pelos valores baixos, e a empolgação por economizar na aquisição de um bem pode tirar a atenção dos arrematantes.

“O que as pessoas normalmente precisam fazer é ir fazer um BO na polícia para tentar investigar e encontrar os estelionatários e ter chances de recuperar o dinheiro. O banco não fica responsável porque não é obrigado a saber qual o motivo das contas que são abertas e os estelionatários desaparecem sem deixar vestígios. É muito difícil encontrar, sendo sincero, quase impossível”, analisa.

Existem, no entanto, ações de prevenções que podem ser tomadas por aqueles que gostam e pretendem continuar participando dos leilões. Bonomo garante que se seguir as recomendações de segurança, a prática se torna segura e confiável. Veja as principais:

  1. Saiba quem é o leiloeiro que está organizando o leilão e confira se ele está registrado na Junta Comercial. Normalmente os sites falsos não colocam o nome de leiloeiro, nesse caso, questione para checar no site da Junta Comercial;
  2. Peça o edital do leilão. Todo leilão verdadeiro possui um edital com regras, lotes, formas de pagamento. Se não encontrar no site, peça diretamente para quem estiver atendendo;
  3. Normalmente os sites dos leiloeiros oficiais vem com o nome do leiloeiro e os sites falsos vem com siglas, como por exemplo JP leilões, EP leilões;
  4. Verifique o final do endereço do site. Os verdadeiros costumam terminar com ".com.br" e os falsos apenas com ".com". Se não tiver o ".br" no fim, fique atento.
  5. Jogue o nome do site no Reclame Aqui. A plataforma possui relato de outras pessoas que podem ter sofrido golpes naquele mesmo endereço.
  6. Cheque se o site disponibiliza um telefone fixo ou celular para ligações. Os falsos geralmente fazem toda a negociação via WhatsApp.
  7. Jamais deposite em nome de pessoas físicas. O depósito deve ser feito em nome de pessoa jurídica. Se for oferecido um CPF e não um CNPJ, desconfie.
  8. Sites oficiais não costumam colocar pressão para que o pagamento seja feito imediatamente após o arremate. Existe um prazo de lances e quem arrematar é contatado para fazer o pagamento, mas não há ameaças ou cobranças para que todo processo seja feito imediatamente.

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