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Indústria do ES acumula queda de 13,3% no ano, pior resultado no país

Resultado nos três primeiros meses do ano é reflexo das medidas de combate ao coronavírus e também dos problemas já enfrentados pelos setores de mineração, petróleo e metalúrgico

Publicado em 14/05/2020 às 10h07
Atualizado em 15/05/2020 às 09h33
Data: 10/03/2020 - Produção de aço. Foto: Instituto Aço Brasil
Produção de aço é um dos setores afetados pela crise econômica. Crédito: Instituto Aço Brasil

A indústria do Espírito Santo teve o pior desempenho no ano em todo o país, com queda acumulada de 13,3% nos três primeiros meses de 2020. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal Regional, divulgada na manhã desta quinta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O órgão explica que o resultado é reflexo das ações de combate à pandemia do novo coronavírus e tem relação também com os problemas enfrentados pelos segmentos de minério de ferro, de petróleo e gás e da metalurgia, na produção de aço.

Segundo o levantamento, em comparação com fevereiro, o setor industrial apresentou recuo de 6,2% em março. Em relação ao terceiro mês de 2019, a retração foi de 14,2%, a segunda maior queda entre os 15 Estados pesquisados. 

SETOR EXTRATIVO LIDEROU QUEDA

A redução da produção industrial no Espírito Santo se deve principalmente à queda brusca no setor extrativo que engloba tanto o minério de ferro quanto o petróleo, dois produtos muito importantes na economia capixaba.

No acumulado do ano até março, a indústria extrativa do Estado teve queda de 25,6% em comparação aos primeiros três meses do ano passado. No Brasil, essa queda foi de 5,8%.

Outras áreas também tiveram desempenho negativo, como os minerais não-metálicos (-3,4%), que inclui o mármore e o granito, e a metalurgia (-5,3%).

Na contramão dessa tendência estão os produtos alimentícios, que tiveram alta de 5,7%. Como a crise do coronavírus não provocou a paralisação das fábricas que produzem alimentos, consideradas essenciais, o setor continuo aquecido.

A celulose, que teve resultados ruins em todo o ano passado, conseguiu acumular 0,4% de alta no primeiro trimestre deste ano.

CAUSAS

Nota técnica do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo (Ideies), entidade do Sistema Findes, aponta algumas razões para as quedas na produção desses setores no primeiro trimestre. Para o economista-chefe da Findes e diretor executivo do Ideies, Marcelo Saintive, sem dúvida, o mês de março já capta o impacto da pandemia da Covid-19.

Marcelo Saintive

Economista-chefe da Findes e diretor executivo do Ideies

"É importante notar que as indústrias exportadoras já vinham sentido os efeitos da pandemia devido à ocorrência desta, principalmente, nos países asiáticos e na Europa. Para abril, mês em que a situação da pandemia se tornou mais crítica e o isolamento foi prolongado em todo o país, o cenário esperado também, infelizmente, é de recuo. Nesse sentido, é preciso, urgentemente, pensar na retomada das atividades econômicas no estado que possam atenuar os efeitos desta crise de proporções inéditas"

A nota técnica destaca que o segmento de produtos minerais não-metálicos passa por uma mudança de tendência, já que o setor havia registrado o maior crescimento na indústria capixaba em 2019.

Na indústria extrativa a retração é puxada pelo forte impacto negativo do mês de janeiro. "Nos meses de fevereiro e março de 2020, esta atividade apresentou resultados mensais positivos, mas a produção de minérios de ferro, óleos brutos de petróleo e gás natural continua a registrar queda em relação ao primeiro trimestre de 2019", afirma.

A metalurgia, após registrar variações positivas em janeiro e fevereiro, demonstra forte recuo em março "devido a redução da produção de bobinas a quente de aços; lingotes, blocos, tarugos ou placas de aços ao carbono e tubos flexíveis e tubos trefilados de ferro e aço".

Já a celulose teve alta de 30,9% em março, devido ao efeito positivo da produção de pastas químicas de madeira, processo sulfato, branqueadas ou não no mês. Mesmo assim, o resultado acumulado no ano foi de 0,4%, dado que a produção de celulose, papel e produtos de papel teve variação de -15,6% no mês de janeiro em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Segundo o Ideies, para abril, o impacto econômico esperado das medidas para o combate à epidemia da Covid-19 também é negativo, considerando que a situação se tornou mais crítica e o isolamento foi prolongado em todo o país.

DADOS DO PAÍS

Com o recuo de 9,1% na indústria nacional, de fevereiro para março, na série com ajuste sazonal, houve retração em todos os 15 locais pesquisados pelo IBGE, pela primeira vez na série histórica iniciada em 2012.

Apesar de ter apresentado a maior retração no ano, o Espírito Santo não foi o Estado mais afetado em março. As quedas mais intensas ocorreram no Ceará (-21,8%), no Rio Grande do Sul (-20,1%) e em Santa Catarina (-17,9%).

"No recuo de 9,1% da atividade industrial na passagem de fevereiro para março de 2020, na série com ajuste sazonal, foi observado um perfil generalizado de queda, alcançando todos os 15 locais pesquisados. O resultado reflete, principalmente, os efeitos do isolamento social imposto por estados e municípios a partir de meados do mês de março devido à Covid-19, que afetou o processo de produção em várias unidades no país", explicou o IBGE.

O índice de média móvel trimestral para a indústria caiu 2,4% no trimestre encerrado em março de 2020 frente ao nível do mês anterior. Houve taxas negativas em nove dos 15 locais pesquisados, com destaque para os recuos mais acentuados assinalados por Ceará (-6,5%), Santa Catarina (-5,4%), Rio Grande do Sul (-4,7%), Amazonas (-4,3%) e Pará (-4,1%).

Por outro lado, Mato Grosso (1,7%), Pernambuco (1,0%), Bahia (0,9%) e Espírito Santo (0,8%) foram os que alcançaram resultados positivos no trimestre encerrado em março.

Na comparação com março de 2019, a indústria nacional caiu 3,8% em março de 2020, com resultados negativos em 11 dos 15 locais pesquisados, mesmo com o efeito-calendário positivo, já que março de 2020 (22 dias) teve três dias úteis a mais do que março de 2019.

Santa Catarina (-15,6%), Espírito Santo (-14,2%), Rio Grande do Sul (-13,7%) e Ceará (-10,5%) assinalaram os recuos mais intensos, pressionados, principalmente, pelas quedas observadas nos setores de confecção de artigos do vestuário e acessórios, metalurgia, máquinas e equipamentos, entre outros.

No acumulado no ano, frente a igual período do ano anterior, a redução verificada na produção nacional alcançou dez dos 15 locais pesquisados, com destaque para Espírito Santo (-13,3%) e Minas Gerais (-8,4%), pressionados, em grande medida, pelos recuos assinalados por indústrias extrativas e metalurgia.

Santa Catarina (-5,1%), Rio Grande de Sul (-4,7%), São Paulo (-2,3%) e Mato Grosso (-1,8%) também registraram taxas negativas mais acentuadas do que a média nacional (-1,7%). Já Ceará (-1,4%), Goiás (-1,2%), Amazonas (-1,2%) e Pará (-0,8%) completaram o conjunto de locais com queda na produção.

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