Entenda como as eleições nos EUA podem afetar a economia do ES

Especialistas apontam os impactos para as empresas exportadoras e importadoras que atuam no Estado diante de qualquer um dos resultados

Publicado em 03/11/2020 às 20h16
Atualizado em 03/11/2020 às 21h46
Os estadunidenses vão às urnas nesta terça-feira (3) para eleger seu presidente: o republicano e atual mandatário Donald Trump ou o democrata Joe Biden.
Trump e Biden disputam a presidência. Crédito: Montagem: A Gazeta

Olhares de todo o mundo estão voltados para os Estados Unidos, que foram às urnas nesta terça-feira (3) para eleger seu presidente: o republicano e atual mandatário Donald Trump ou o democrata Joe Biden. No Espírito Santo, não é diferente, tendo em vista que se trata do principal parceiro comercial capixaba no exterior.

Em última instância, a eleição do presidente americano é feita pelo Colégio Eleitoral. Mas as pesquisas já apontam o favoritismo de Biden. O que muda, afinal, caso o democrata triunfe sobre Trump?

Desde que tomou posse, Jair Bolsonaro alinhou o Brasil às ideologias do atual presidente dos EUA. O presidente brasileiro e sua família aderiram explicitamente à campanha de Trump à reeleição.

O candidato democrata, por outro lado, já ameaçou, inclusive, impor restrições às relações comerciais com o Brasil, caso nada seja feito em relação aos problemas ambientais. No primeiro debate eleitoral, em setembro, Biden chegou a sugerir ajuda financeira ou sanções ao Brasil, caso o país não proteja a Amazônia.

Na visão do economista Orlando Caliman, independentemente do resultado, deve prevalecer o pragmatismo, que geralmente norteia a política externa norte-americana.

Ele explica que, embora o relacionamento entre Brasil e EUA seja mais fácil atualmente porque seus líderes estão alinhados ideologicamente, as relações econômicas com o Espírito Santo não devem ser afetadas, porque o Estado exporta uma série de produtos de bom valor agregado para os Estados Unidos. Entre eles estão: mármore e granito, celulose e produtos de ferro/aço.

Para se ter uma ideia, até setembro deste ano, os Estados Unidos ocuparam a primeira colocação nas exportações capixabas, totalizando US$ 1,28 bilhão, correspondendo a 32,7% do total.

Já nas importações, o país ocupa a segunda posição – atrás apenas da China –, com um montante de US$ 534 milhões e 14,4% de participação, de acordo com dados do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex).

“Quando a gente analisa as críticas em relação à Amazônia, o foco é o agronegócio. Se o Biden vencer, pode haver uma pressão adicional para que o Brasil reveja suas ações em relação às queimadas e ao desmatamento. Mas se você olha a pauta de exportações do Estado para os EUA, o foco não é esse. Não acho que vão parar de importar ou reduzir a importação desses produtos, por exemplo.”

Caliman observa, entretanto, que o próximo presidente norte-americano vai ter que se empenhar para colocar novamente a economia nos trilhos, ainda lidando com os efeitos da pandemia.

Uma eventual melhora pode repercutir positivamente para o Espírito Santo, inclusive com maior demanda de produtos das indústrias capixabas.

O economista Eduardo Araújo, membro do Conselho Federal de Economia (Cofecon), vê risco de uma eventual desvalorização do dólar, caso se confirme a vitória de Joe Biden, que pode adotar medidas mais restritivas de combate à Covid-19, atrasando o aquecimento da economia do país.

Ao passo que isso poderia representar alguma perda para as indústrias exportadoras capixabas, para as importadoras poderia ser uma mudança benéfica, que permitiria aumentar as compras.

“Mas há de se considerar, também, que o Brasil enfrenta uma situação fiscal delicada, até porque corre um risco grande de não cumprir o teto dos gastos. Então, é complicado bater o martelo sobre o efeito no câmbio.”

Ele chama a atenção, entretanto, para o fato de que, em última instância, a eleição do presidente americano é feita pelo Colégio Eleitoral, e Donald Trump já ameaçou contestar o resultado da votação, o que pode causar impactos de curto prazo. “Essa contestação pode trazer flutuação e estresse no mercado financeiro, afetando investidores de maneira geral, nos próximos dias.”

A médio e longo prazo, o presidente do Sindiex, Sidemar Acosta, não vê risco de mudanças radicais. Ele avalia que os acordos comerciais firmados entre o Brasil e os Estados Unidos foram feitos por representantes da área econômica dos dois países, e não devem sofrer nenhuma grande alteração, ainda que haja uma mudança de governo.

“É uma questão estratégica para os Estados Unidos. Já em relação à Amazônia, eu não acredito que o Biden exigiria de outros países, como o Brasil, algo que os EUA não fazem. São um país super industrializado. Quantos poluentes jogam por minuto na atmosfera? É um alerta, claro. Mas primeiro precisa olhar para dentro de casa. O Espírito Santo deve ficar bem.”

A visão é compartilhada pela economista e professora da Fucape Arilda Teixeira, segundo a qual a cartela de exportações do Estado para os EUA contempla, principalmente, produtos de áreas que não correm grandes riscos de retaliações.

A despeito da questão econômica, Arilda observa que as relações entre Brasil e EUA precisarão assumir um tom mais democrático e menos conservador que o atual.

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