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Saiba o que está previsto

Duplicação da BR 262 vai custar mais de 15 contornos do Mestre Álvaro

Projeto vai começar a ser apresentado aos municípios capixabas e prevê a construção de viadutos e túneis ao longo os 180 quilômetros de extensão do trecho

Publicado em 25 de Março de 2025 às 18:34

Vinicius Zagoto

Publicado em 

25 mar 2025 às 18:34
A duplicação total da BR 262 no Espírito Santo deve custar o equivalente à construção de mais de 15 contornos do Mestre Álvaro, obra que desafiou a engenharia no Estado e levou mais de quatro anos para ser entregue. A previsão é que o projeto para melhorar a fluidez do trânsito na rodovia que liga o território capixaba a Minas Gerais seja apresentado aos municípios em breve.
O custo da obra faz parte de estudos feitos a pedido do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e foi compartilhado com a reportagem de A Gazeta.
Segundo o Dnit, ainda não há definição de um orçamento final para as obras, tampouco cronograma de execução, devido à complexidade do empreendimento, especialmente no que se refere aos desafios geotécnicos e topográficos. No entanto, com base em metodologias de estimativa indireta e na adoção do custo médio gerencial, a previsão é que os investimentos necessários para a execução total do empreendimento fiquem na ordem de R$ 8 bilhões.
Essa cifra será investida na duplicação do trecho entre o entroncamento com a BR 101, em Viana, na Região Metropolitana, até Iúna, na divisa com Minas Gerais, totalizando 180 quilômetros de extensão.
O valor equivale à construção de mais de 15 contornos do Mestre Álvaro, inaugurado em dezembro de 2023, na Serra. A obra — conhecida por ter desafiado a engenharia no Estado, uma vez que conta com pilares com altura semelhante a um prédio de 16 andares fincados em solo mole e alagadiço — tem 19,7 quilômetros de extensão e custou R$ 476 milhões.
Enquanto cada quilômetro do Contorno do Mestre Álvaro custou, em média, o equivalente a R$ 24 milhões, na BR 262, o custo será de R$ 50 milhões, demonstrando a complexidade da construção.

Governo do Estado vai pagar parte da obra 

O montante deve ser utilizado para bancar o trecho entre Viana e Venda Nova do Imigrante, na Região Serrana, que tem a geografia mais complexa de toda a extensão da rodovia. Segundo o Dnit, esse segmento corresponde à fase 1 do empreendimento, que deve ser apresentado às cidades em março. 

Rodovia será totalmente duplicada e terá contornos

O projeto de duplicação da BR 262 no Espírito Santo começou a ser elaborado após o contrato firmado em 7 de julho de 2023 com o Consórcio Pedra Azul, responsável pelos estudos de construção e pelo licenciamento ambiental.
Desde a formalização do contrato, foram realizados levantamentos técnicos, incluindo contagens volumétricas de tráfego, para caracterização das condições operacionais da rodovia, e cadastramento topográfico, etapa que, segundo o Dnit, é necessária para elaborar o planejamento de intervenções estruturais. 
Com base nesses levantamentos, foi elaborado e aprovado o estudo de traçado, que estabelece as diretrizes principais para as etapas subsequentes do projeto. Paralelamente ao desenvolvimento do projeto de engenharia, estão sendo conduzidos os estudos ambientais exigidos para a obtenção da licença prévia, cuja competência regulatória é do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema).
O estudo aprovado prevê a duplicação integral da rodovia, contemplando a readequação de curvas críticas, a construção de interseções em desnível (viadutos), a implantação de contornos, a execução de obras de contenção e a construção de túnel, entre outras melhorias destinadas a otimizar a fluidez do tráfego e a segurança viária.
A possibilidade de a BR 262 contar com essas estruturas já havia sido adiantada pelo superintendente regional do Dnit no Espírito Santo, Romeu Scheibe Neto, à Rádio CBN Vitória, em abril de 2024. Na ocasião, ele destacou que a expectativa é ter uma estrutura parecida com a Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo. A via foi construída sobre pilares elevados e atravessa a cadeia montanhosa da Serra do Mar.
Segundo o Dnit, por se tratar de uma rodovia federal, a intervenção planejada e executada é de responsabilidade da União. Assim, eventuais investimentos complementares em ligações secundárias deverão ser conduzidos pelas esferas estadual e municipal, dentro de suas respectivas competências e prioridade.

'Obra muito necessária', diz Vidigal

Há um mês no comando da Secretaria de Estado de Desenvolvimento (Sedes), após a saída do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), o atual secretário da pasta, Sergio Vidigal (PDT), afirmou que, pelas informações recebidas do Dnit, a BR 262 deve ter boa parte duplicada e, nos trechos de geografia mais complicada, contar com um novo traçado paralelo ao atual.
"Em alguma parte é duplicação e, em outra parte, seria uma nova pista. Mas é, normalmente, bem paralela à pista atual; mas, em sua grande maioria, é uma duplicação", explicou.
"É uma obra muito necessária sob o ponto de vista logístico do Estado, porque seria a forma de nos conectarmos mais rapidamente com Minas Gerais. Já que a gente tem aqui uma grande estrutura portuária, a gente precisa de ter, não somente ferrovias, aeroportos, mas também rodovias estruturadas para poder escoar toda a produção", completou.
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