Estagiário / [email protected]
Publicado em 18 de março de 2026 às 14:44
Depois de acelerar e superar o nível do Brasil em 2025, o ritmo de crescimento econômico do Espírito Santo pode perder um pouco do fôlego este ano. A tendência é que o desempenho capixaba seja afetado pelo período eleitoral e pelas incertezas em torno do cenário internacional, com a guerra no Oriente Médio, o que pode influenciar na manutenção da alta da taxa de juros no país. >
A análise faz parte do Indicador de Atividade Econômica (IAE), do Observatório Findes (Federação das Indústrias do Espírito Santo), divulgado nesta quarta-feira (18). A expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) capixaba termine 2026 com alta de 2,1%, o menor número desde 2022, quando o Estado registrou queda de 1,7%. No ano passado, a economia local registrou crescimento de 3,2%, de acordo com o IAE, acima da média nacional, que foi de 2,3%.>
"A taxa básica de juros, a Selic, continua elevada, em 15% ao ano. Isso reduz muito a nossa competitividade. Com os juros caros, fica pouco atrativo para as empresas investirem em modernização ou ampliação das fábricas. Esse patamar de juros também impacta quem pretende comprar imóveis, por exemplo, já que fica mais caro financiar", afirma o presidente da Findes, Paulo Baraona.>
Mesmo com os fatores de risco e as consequências do tarifaço aplicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos exportados pelo Brasil no ano passado, a economia do Espírito Santo cresceu em 2025, com alta de 3,2%.>
>
Foi o terceiro ano consecutivo em que a economia do Estado fecha em alta, superando a marca de 2024 (2,5%) e ficando um pouco abaixo de 2023 (3,4%). O bom desempenho foi puxado por três grandes setores: agropecuária (13,9%), indústria (6,1%) e serviços (1,2%).>
A indústria foi a que mais contribuiu para o desempenho da economia do Estado, representando 1,5 ponto percentual para o resultado geral. O avanço foi impulsionado pelo setor extrativo, que cresceu 18,6%, com destaque para a produção de petróleo e gás natural (26,8%) e pelotização de minério de ferro (7,6%).>
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que a produção média de petróleo no Estado chegou a 192,9 mil barris por dia em 2025, alta de 24,5% em relação ao ano anterior. Já a produção de gás natural cresceu 39,5%.>
Nathan Diirr
Gerente de Ambiente de Negócios do Observatório FindesA agropecuária capixaba registrou crescimento de 13,9% em 2025, com contribuição de 0,6 ponto percentual para o resultado geral da economia. A agricultura avançou 16,7%, impulsionada principalmente pela produção de café, principal cultura do Estado, além de lavouras como cana-de-açúcar, milho, arroz, tomate e laranja. Já a pecuária cresceu 1,3%.>
“A boa colheita de café conilon compensou os efeitos da bienalidade negativa esperada para o arábica. Tivemos condições climáticas favoráveis e investimentos em mecanização que potencializaram a produção”, explica a economista-chefe da Findes, Marília Silva.>
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Espírito Santo registrou safra recorde de café em 2025, com cerca de 1 milhão de toneladas.>
O setor de serviços capixaba (composto por serviços, comércio e transporte) cresceu 1,2% em 2025, influenciado positivamente pelas três atividades que o compõem. O destaque foi o segmento de transportes, com alta de 2,6%, impulsionado pelo aumento da demanda por cargas, reflexo da produção industrial e agrícola.>
O comércio avançou 1%, favorecido pelo aumento da renda das famílias, enquanto as demais atividades de serviços cresceram 1,1%, com destaque para serviços pessoais, atividades imobiliárias e administração pública.>
Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem.
Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta