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Com funcionários com Covid-19, supermercado é interditado em Vila Velha

Com funcionários com Covid-19, supermercado é interditado em Vila Velha

Superintendência do Trabalho interditou estabelecimento que registrou 22 casos de funcionários afastados por suspeita ou confirmação de coronavírus

Publicado em 28 de abril de 2020 às 22:38

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Supermercado Extraplus, na Praia da Costa, Vila Velha
Supermercado Extraplus, na Praia da Costa, em Vila Velha. (Reprodução/Google)

A Superintendência Regional do Trabalho interditou o supermercado Extraplus, na Praia da Costa, em Vila Velha, na noite desta terça-feira (28), após ter realizado uma inspeção no estabelecimento e constatado que não estavam sendo adotadas as práticas de prevenção ao coronavírus recomendadas pelo órgão. Com o registro de 22 empregados afastados por suspeita ou confirmação da doença, o supermercado deveria, de acordo com o órgão, estar realizando o procedimento chamado "busca ativa própria por novos casos suspeitos".

Este protocolo prevê que a empresa faça uma triagem prévia com os funcionários, questionando se apresentam sintomas da Covid-19, aferição de temperatura corporal com termômetro, uso de protetor facial para funcionários com contato com o público, entre outras medidas que, segundo a Superintendência do Trabalho, não estavam sendo adotadas. Desta forma, o órgão avaliou que havia grande probabilidade de que empregados já afastados possam ter contaminado outros colegas.

Com funcionários com Covid-19, supermercado é interditado em Vila Velha

Sem realizar este procedimento de "busca ativa", considera-se que a ausência de informação eleva a probabilidade de contágio entre os próprios empregados e também de clientes da loja.

De acordo com o superintendente do Trabalho no Espírito Santo, Alcimar Candeias, em um primeiro momento, o órgão já havia feito um trabalho de notificação e reuniões com os supermercados, apontando as medidas prioritárias a serem tomadas com os funcionários durante a pandemia. No entanto, em alguns casos, foi necessário dar um passo além na fiscalização. 

"Fomos ao local fazer a verificação, constatamos que algumas medidas foram tomadas, mas foram consideradas insuficientes. Quando houve os primeiros afastamentos, com funcionários com suspeita, deveria ter sido feito um monitoramento maior com os trabalhadores que apresentam sintomas. Sem adotar essas medidas, entendemos que havia risco do contágio se ampliar ainda mais", explicou Candeias.

A interdição é de aplicação imediata e vai durar até que o proprietário comprove ter adotado medidas de regularização. Não houve a aplicação de multa, mas esse tipo de sanção é possível, dependendo da situação. Segundo Candeias, este tipo de fiscalização vai continuar sendo feito em outros supermercados.

O QUE DIZ O SUPERMERCADO

O Grupo Coutinho informou, por nota, que foi surpreendido na noite desta terça-feira com a decisão sobre a interdição da loja Extraplus da Praia da Costa. A rede vai analisar as necessidades de adequações e melhorias dos procedimentos solicitados pelo órgão para garantir a reabertura do estabelecimento.

Reitera que não tem medido esforços para proteger colaboradores e clientes deste vírus, que tem impactado toda a sociedade capixaba, sendo ainda mais desafiador para empresas classificadas pelo governo do Estado como atividade de serviço essencial à população – situação das redes supermercadistas.

"Desde a confirmação dos casos, o Grupo Coutinho promoveu o afastamento imediato dos oito funcionários. Todos estão em isolamento domiciliar, conforme protocolo definido pelo Ministério da Saúde. A empresa segue acompanhando os colaboradores e acrescenta que, até o momento, nenhum deles manifestou a forma grave da doença", afirma.

A empresa também ressaltou que foi adotado o procedimento de medição diária da temperatura de todos os colaboradores das unidades.

"Toda equipe da loja está sendo testada, por meio da coleta de mucosas do nariz e da garganta, considerado o processo mais seguro para identificação da doença, visando a garantir, assim, que até mesmos os assintomáticos sejam afastados", acrescentou.

Segundo o Grupo Coutinho, a unidade da Praia da Costa também passou por um rigoroso processo de desinfecção, com uma solução líquida antimicrobiótica borrifada em todo o seu interior e exterior. Por precaução, o procedimento foi estendido para as demais unidades. Também afirma que está adotando uma série de medidas para proteger colaboradores e clientes.

"Entre as ações estão a disponibilidade de álcool em gel em todas as atividades operacionais da loja, instalação de placas protetoras nos caixas de atendimento, intensificação da limpeza e higienização de toda loja, incluindo carrinhos e cestas de compras, máquinas de crédito, balcões, entre outros. A empresa também distribuiu álcool em gel para que funcionários possam cuidar de suas famílias, como também se proteger no trajeto de deslocamento para o trabalho. Por último, atendendo à recomendação do Ministério da Saúde, forneceu máscaras de proteção, sendo obrigatório o uso durante todo horário de expediente".

FISCALIZAÇÃO EM HOSPITAIS

O superintendente do Trabalho revelou ainda que o órgão também vai intensificar a fiscalização nos estabelecimentos da área de saúde, como clínicas e hospitais, tanto públicos como privados, devido ao dado de que um terço dos casos de coronavírus do Espírito Santo são de profissionais da saúde.

"Vamos ter que tomar medidas mais rígidas. Instituições terão que apresentar a relação dos afastados, quer seja com diagnóstico ou não, e verificar se os protocolos estão sendo adotados. O papel da auditoria é alertar para os cuidados, mas, quando não é suficiente, é preciso aprofundar as medidas de intervenção", destacou.

Segundo ele, há denúncias de que, enquanto nos setores e unidades hospitalares exclusivos para o coronavírus os cuidados de prevenção estão sendo cumpridos, nos locais dedicados ao tratamento de outras enfermidades tem faltado equipamentos e medidas de proteção.

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