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Após adiar projeto, Petrobras inicia contratação de plataforma para o ES

Empresa lançou edital para afretar o navio-plataforma que vai operar a partir de 2024 no projeto Integrado Parque das Baleias, no campo em Jubarte. Executivos garantiram que a estatal vai continuar operando no Espírito Santo

Publicado em 23/10/2020 às 20h29
Atualizado em 23/10/2020 às 21h41
Plataforma P-57 produz petróleo e gás no Parque das Baleias, litoral Sul do ES
Plataforma P-57 é uma das que produz petróleo e gás no Parque das Baleias, litoral Sul do ES. Crédito: Ari Versiani

Uma semana após a Petrobras adiar pela terceira vez a chegada de um novo navio-plataforma no campo de Jubarte, Litoral Sul do Espírito Santo, executivos da empresa reafirmaram que o projeto bilionário está mantido e anunciaram que foi reaberto o processo de licitação para afretar a plataforma por 22 anos anos. As declarações foram dadas em reunião com o governador Renato Casagrande, realizada nesta sexta-feira (23)

O edital para contratação do FPSO (unidade que produz, armazena e transfere óleo) foi publicado na segunda-feira (19) pela estatal. Além do afretamento, ele prevê ainda que a empresa contratada faça a operação da unidade durante a vigência do contrato e que o navio-plataforma tenha capacidade para produzir 100 mil barris/dia de óleo. As propostas deverão ser entregues no dia 17 de março de 2021.

No último dia 16, a Petrobras havia anunciado que o projeto Integrado Parque das Baleias (IBP), orçado em aproximadamente R$ 5 bilhões, terá o início das operações adiado de 2023 para 2024. Quando o projeto foi anunciado pela primeira vez, a previsão de retirada do primeiro óleo era para 2021. Dessa vez, a justificativa da empresa foi o contexto econômico causado pela pandemia da Covid-19.

Em vídeo publicado por Casagrande nas redes sociais, o diretor-executivo de Relacionamento Institucional da Petrobras, Roberto Furian Ardenghy, reforçou o compromisso do investimento e que garantiu que a empresa vai continuar operando no Estado, apesar dos diversos anúncios recentes de desinvestimento e da sua intenção de deixar os campos produtores da Bacia do Espírito Santo (porção que compreende o Norte capixaba, indo da Grande Vitória até a divisa com a Bahia).

Roberto Furian Ardenghy

Diretor executivo de Relacionamento Institucional da Petrobras

"Hoje, nós estamos olhando o mercado de petróleo do Brasil com a perspectiva internacional, mas o Espírito Santo é um Estado que permanece nas prioridades da Petrobras. O projeto do Parque das Baleias está no portfólio e na carteira de investimentos da empresa, e quero reiterar a nossa intenção de não só permanecer no Estado como também, cada vez mais, podermos apoiar e desenvolver projetos de exploração de petróleo no Espírito Santo"

Para o diretor de Comunicação do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro), Etory Sperandio, a manutenção do projeto Integrado Parque das Baleias na carteira da empresa e a sinalização do executivo de que a estatal continuará no Estado são sinais positivos. "São bons sinais, mas é preciso ficar atento aos movimentos da companhia para ver se isso vai se concretizar", comentou.

reunião com os executivos da empresa foi solicitada pelo governador, justamente para esclarecer as intenções da Petrobras quanto a suas operações no Espírito Santo, sobretudo o megaprojeto do Parque das Baleias que, como definiu a colunista Beatriz Seixas, parecia estar em "coma induzido". Ardenghy, no vídeo, foi taxativo: "Queremos reafirmar nosso compromisso com o Estado do Espírito Santo de investimentos e da nossa presença".

Casagrande comemorou: "A Petrobras dizer que vai continuar aqui, que eles não vão abrir mão dos investimentos no Estado, é algo muito positivo. A carteira de investimentos da empresa para os próximos 5 anos será divulgada em novembro e o Parque das Baleias estará nela. E além do FPSO, eles têm outras áreas que estão prospectando no Estado e vão continuar fazendo investimentos aqui", disse para A Gazeta.

No encontro, também foi selada a extensão por mais seis meses do contrato da Petrobras com a Vale para as operações de abastecimento de navios feitas pela Transpetro, subsidiária da estatal, no píer de barcaças do Porto de Tubarão. O acordo entre as empresas foi mediado pelo governador, que explicou que, com esse prazo, a Petrobras poderá buscar uma nova alternativa, inclusive negociando com a Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa).

O PROJETO

Antes, estava previsto que, a partir da chegada do novo navio, ocorreria a desmobilização e descomissionamento da FPSO Capixaba, que atua em sete poços. Com o adiamento, ficou mantido o remanejamento desses poços dessa plataforma para outras da região em 2022.

Já a nova embarcação vai assumir os poços em 2024, além de outros quatro, totalizando 11, sendo sete produtores e quatro injetores. O navio será interligado ainda a outras plataformas em operação, como a P-58, a P-57 e a Cidade de Anchieta. Ao todo, o campo de Jubarte terá 25 poços em atividade simultânea.

Projeto Integrado Parque das Baleias, em Novo Jubarte, Litoral Sul do ES
Projeto Integrado Parque das Baleias, em Novo Jubarte, Litoral Sul do ES. Crédito: Petrobras/Reprodução

O empreendimento, quando estiver em fase de instalação e de operação, terá papel fundamental para abrir oportunidades para a cadeia de fornecedores do Estado, principalmente para empresas como o Estaleiro Jurong Aracruz e a Imetame.

O projeto também prevê a revitalização do campo de Jubarte, visando aumentar a produtividade, sendo considerado o mais importante para os próximos anos no Estado na área de petróleo e gás, uma vez que a produção local está em declínio nos últimos anos.

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