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Vitória substitui fios de cobre por material oito vezes mais barato

Com os constantes furtos de fios de cobre, que danificam a iluminação pública, além do prejuízo financeiro, a administração tem refeito as ligações utilizando alumínio, material com menor valor no mercado

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 18/05/2021 às 10h31
Criminosos usam área debaixo da Ponte da Passagem e manguezal para descartar resíduos oriundos dos furtos de fios de cobre na região da Ufes
Criminosos usavam a área debaixo da Ponte da Passagem e manguezal para descartar resíduos oriundos dos furtos de fios de cobre na região da Ufes . Crédito: Fernando Madeira

Há anos moradores da Grande Vitória sofrem com os constantes furtos de fios de cobre, que danificam a iluminação públicainterrompem semáforos e serviços de internet, além do prejuízo financeiro às prefeituras, que somam milhões em anos. Na Capital, a administração da cidade começa a mudar esse cenário com a substituição do cobre, que chega a custar R$ 40 o quilo e por isso é tão visado, por alumínio, material oito vezes mais barato.

Aos poucos a escuridão observada em muitos pontos da Capital vai dando lugar à claridade. Pontos antes às escuras, como boa parte do calçadão de Camburi, já estão com a iluminação reparada, o que traz segurança para quem transita pelo local. A substituição da fiação de cobre pela de alumínio vem sendo feita pela Prefeitura de Vitória nesses e em outros locais da cidade onde ocorrem os furtos.

A substituição do metal tem uma estratégia pela administração pública: impedir a ação de criminosos que furtavam os fios de cobre para revendê-los no mercado paralelo. A capital capixaba sofre há anos com ações do tipo, mas nos últimos meses houve crescimento considerável de ocorrências pela cidade, especialmente nos trechos de orla, segundo o secretário de Transportes, Trânsito e Infraestrutura Urbana de Vitória, Alex Mariano.

"Acreditamos que com esta estratégia vamos desestimular essa prática criminosa. Enquanto o quilo do cobre chega a R$ 40 reais, o alumínio custa cerca de 10% disso, algo em torno de R$ 5. Tem ainda o fato do alumínio ser cerca de 30% mais leve do que o cobre, então o criminoso teria de conseguir pegar muito mais do metal para obter um quilo", conta o secretário.

 Parte da Orla de Camburi,(após a pista de skate), continua sem iluminação
A orla de Camburi é o principal alvo dos criminosos que roubam fios na capital. Até março, boa parte do calçadão estava sem iluminação por conta do furto de cabos de cobre, agora trocados por cabeamento em alumínio. Crédito: Fernando Madeira

QUEDA NOS FURTOS

Os reparos com o cabeamento em alumínio começaram a ser realizados na primeira quinzena de março deste ano e, de acordo com o secretário da pasta, a quantidade de tentativas e furtos de materiais já caiu. Um exemplo é na Avenida Adalberto Simão Nader.

"Esse trecho foi praticamente todo refeito em alumínio. Observamos apenas duas tentativas de furtos recentemente e a ação não foi exitosa. Além de o cabo não ser de cobre, também reforçamos o isolamento. Então o criminoso apenas danificou, mas não levou o material. Isso reforça o que já esperávamos que fosse ocorrer", pondera Mariano.

Além de uma cidade mais clara e segura, a substituição vai gerar economia aos cofres públicos. Segundo a assessoria da Setran, de janeiro até o início de maio deste ano mais de 850 kg de fios foram apreendidos nas prisões e operações em diversos pontos da Capital, totalizando 30 pessoas detidas por furto ou receptação pela Guarda Municipal.

ENGENHEIRO DIZ QUE TROCA É SEGURA

A fiação de cobre é amplamente utilizada nas ligações e conexões de iluminação pública por ser um metal altamente confiável e durável, mas o valor atrativo de revenda dele também faz com que seja muito visado. Na opinião de um especialista da área, o engenheiro eletricista Fernando Adnet, a troca pelo alumínio em nada afeta a qualidade ou segurança da utilização.

"Na ótica da engenharia elétrica, a substituição do material condutor não tem diferença alguma. A condutividade é muito parecida e não haverá diferença na iluminação. O que de fato diferencia é a bitola (espessura) do fio. No caso do alumínio, usa-se um mais grosso, enquanto que com o cobre o utilizado é um mais fino. Por exemplo: se o padrão é utilizar um fio de cobre 6, o de alumínio precisará ser um 10 (quanto maior o número, maior o diâmetro)", explica Adnet.

R$ 40,00

É o valor do kg do cobre no mercado paralelo. O alumínio custa R$ 5,00

Respeitando essa especificação simples, Adnet acredita que as ações de furtos de materiais elétricos devem cair consideravelmente, visto que a simples troca de cobre por alumínio muda o cenário para quem ganha dinheiro revendendo irregularmente esses metais.

"O alumínio tem um preço muito baixo, praticamente sem valor comercial. Já o cobre não, ele é muito visado porque tem mercado e pode ser empregado em muitas áreas. Fatalmente vai desestimular quem pratica furtos, já que é preciso uma grande quantidade de alumínio para se chegar a um quilo, por exemplo. Quando o criminoso se deparar com o alumínio na fiação, vai ser uma decepção", comenta o engenheiro.

O engenheiro eletricista disse ainda que o ideal seria concretar também os cabos para dificultar a ação de criminosos, além de fazer o que é conhecido como "sifão" na ponta dos cabos, para evitar que os fios sejam puxados. Isto, entretanto, é praticamente inviável em uma área tão extensa como na orla da Capital e encareceria a obra. Adnet aponta ainda que outra sugestão é que seja feito um isolamento dos fios de alumínio de qualidade, pois o contato com a água é altamente prejudicial ao material, que pode se deteriorar e perder eficiência condutiva.

PONTOS EM REPAROS

A Prefeitura de Vitória mantém o cronograma para solucionar o primeiro estágio da iluminação pública de Vitória. Com cerca de 90% das intervenções já refeitas, as três frentes de trabalho contratadas para o serviço devem iniciar em breve o segundo estágio.

Vitória - ES - Prefeitura de Vitória reduz iluminação pública em alguns pontos da cidade, como na Praça dos Namorados, para evitar aglomerações.
A Praça dos Namorados, na Praia do Canto, é outro ponto onde cabos foram levados nos últimos meses. Crédito: Vitor Jubini

"A maior parte das ações são na orla. Toda a iluminação do calçadão de Jardim Camburi até a região da Praia do Canto já foi religada. O foco neste estágio é a área de trânsito de pessoas. Já nos próximos dias devemos iniciar a iluminação da parte voltada para a areia das praias. Neste caso é um pouco mais trabalhoso porque há o aterramento dos cabos, mas o prazo segue inalterado. Acreditamos que em até 45 dias a cidade esteja com a iluminação praticamente toda refeita e com um custo menor do que os R$ 400 mil que estimávamos", disse o secretário.

Além dos trechos na orla, onde ocorre a maior parte das ações de furto, outros pontos nos quais se observaram ações do tipo foram na Avenida Adalberto Simão Nader, Praça do Papa, calçadão da Beira-Mar (Marechal Mascarenhas de Moraes), Praça dos Namorados,  Escadaria do Forte São João e Viaduto Caramuru. Em breve, os serviços também devem chegar a esses locais para que a iluminação seja normalizada.

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