Veja qual a melhor ordem para resolver as questões do Enem

Segundo professores, é preciso ter estratégias para render mais não apenas durante os estudos, mas também na hora da prova. A forma como as questões são respondidas pode influenciar diretamente na nota

Vitória
Publicado em 15/01/2021 às 20h04
Divulgado edital com as regras da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 impresso
Divulgado edital com as regras da realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2020 impresso. Crédito: Futura Press/Folhapress

Muitas são as táticas utilizadas pelos candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na hora dos estudos. Mas também é preciso ter algumas estratégias para o momento da prova. E resolver as questões na ordem, da primeira à última, nem sempre é a melhor alternativa.

Vale destacar que cada questão do exame aparece em quatro posições diferentes, uma em cada uma das quatro cores de prova que os alunos recebem. No Enem 2019, uma questão da prova de linguagens que tratava de aranhas e do Homem Aranha aparecia na posição 12 em um dos cadernos e na posição 22 em outro. No primeiro caso, o percentual de acertos foi de 35,72%. No outro, de 20,04%.

Essa mesma questão foi repetida nos outros dois cadernos, nas posições 34 e 42, e teve 18,88% e 19,07% percentuais de acertos, respectivamente, conforme análise feita pelo educador Mateus Prado, o professor Ivys Urquiza e o engenheiro de computação Murilo Vasconcelos.

Os especialistas fizeram uma análise a partir de dados de várias edições anteriores do Enem, compilados por meio de um sistema de inteligência artificial.

O estudo demonstra ainda que a prova de linguagens é onde são encontradas as maiores diferenças entre a porcentagem de acertos quando as questões aparecem nas primeiras posições na prova e o quando aparece entre as últimas questões. 

Entretanto, quando as questões aparecem nas últimas posições na prova, elas têm menor probabilidade de acertos, independente da área.

Segundo a pesquisa, um bom exemplo dessa teoria é a primeira questão de matemática do ENEM 2019, prova azul O exercício falava de uma maneira de representar quantidades dos Incas e pedia para o aluno assinalar qual era o número que estava representado em duas cordas.

Quando apareceu como primeira questão, na prova azul, foi acertada por 65,40% das pessoas que fizeram o exame. Quando apareceu na posição 42 em outro caderno, apenas 44,09% das pessoas acertaram.

Murilo Vasconcelos, que é diretor de tecnologia da AIO Educação, observa que quanto mais longe uma questão aparece na prova, maior a possibilidade de erro, independente do nível de dificuldade, e destaca que o aluno deve utilizar os dados de inteligência sobre o Enem a seu favor, tanto na preparação como na estratégia de prova.

“É fácil não cometer os mesmos erros dos demais candidatos. Um exemplo trazido por estes dados é responder primeiro as questões mais fáceis quando for fazer as provas. Só isto sozinho dá cerca de uma questão a mais inteira de graça em cada prova”.

Já o professor Ivys Urquiza afirmou que “muitos estudantes perdem tempo insistindo em questões de maior dificuldade simplesmente para resolver os itens na ordem que se apresentam na prova.”

Com isso, os candidatos acabam comprometendo seu desempenho, uma vez que se tornam mais propensos a perder os pontos que ganhariam se respondessem previamente perguntas de menor dificuldade distribuídas ao longo da prova, independente de sua posição.

O ponto é reforçado pelo professor Gean Jaccud, do curso preparatório Risoflora e do Me Explica Web, segundo o qual, em toda prova longa sempre deve-se começar a resolver as questões pelas mais fáceis e depois passar para as que não são tão fáceis.

“Se você vai fazer primeiro linguagens ou ciências humanas, é com você. Mas a sugestão sempre é, principalmente no primeiro dia, que tem a redação, não perder muito tempo com as questões que estão muito difíceis, de forma que não se tenha tempo para responder aquelas cujas respostas são simples. Por causa da forma como a prova é elaborada e corrigida, errar uma questão considerada fácil pode causar mais prejuízos.”

Ele observa que a prova é cansativa e os textos muitas vezes extensos, mas que é preciso ter atenção pois às vezes traz a resposta de forma clara. “É importante ter atenção não somente a isso, mas também pensar sempre nas alternativas como complemento ao enunciado. Isso pode fazer toda a diferença.”

O diretor pedagógico da 3ª série e do pré-vestibular do UP Centro Educacional, James Scandian, reforça que não é possível definir, por exemplo, a disciplina pela qual se deve começar a prova. Cada aluno deve seguir pela qual tem mais confiança. 

Se o estudante tem dificuldade com português, por exemplo, começar a prova pela área de linguagens pode deixá-lo nervoso durante o resto do exame.

“Mas, uma vez feita essa escolha, dentro de cada disciplina, o aluno não pode perder tempo. Questões mais difíceis ele pode sim dedicar um tempo, mas se passou de dois minutos e meio, começou a agarrar, tem que passar para a outra. Não adianta acertar algumas poucas difíceis e não ter tempo para o resto”, finaliza.

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