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Veja novas descobertas científicas sobre a areia monazítica de Guarapari

Estudos realizados pela Ufes apontaram que a areia monazítica reduziu a proliferação de bactérias expostas ao material e que a radioatividade emitida não faz mal à saúde humana. Resultados foram publicados em uma revista conceituada da área

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 04/02/2021 às 12h48
Atualizado em 04/02/2021 às 13h50
Areia preta deu fama a cidade
Estudo realizado com a areia monazítica de Guarapari comprovou que a radioatividade emitida não faz mal à saúde humana . Crédito: Luciney Araújo

Guarapari recebeu o título de "Cidade Saúde" ainda na década de 30 devido à fama terapêutica da areia monazítica encontrada em larga escala em boa parte do litoral guarapariense. A mais famosa delas, a Praia da Areia Preta, até hoje atrai pessoas em busca de curas para dores crônicas. Um dos conhecidos que já vieram "se tratar" nela foi o ex-jogador Garrincha, que por vezes ia a Guarapari na década de 60 e realizava seções diárias de "tratamento".

Apesar da fama, faltava a comprovação científica dos benefícios que a radioatividade emitida nestes locais trariam às pessoas. Agora não falta mais, está comprovado cientificamente que a areia monazítica não traz malefício algum aos seres humanos e ainda há um indicativo de que ela é capaz de combater bactérias nocivas aos humanos. Esta é a afirmação do físico nuclear Marcos Tadeu Orlando, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), que liderou um estudo inédito sobre o tema.

"Montamos um simulador no Centro de Ciências da Ufes simulando a própria Praia da Areia Preta, e em agosto do ano passado, ainda durante a pandemia, conseguimos comprovar que a radiação mineral não é nociva aos humanos. Este estudo foi desenvolvido com ratas e o resultado foi aceito e publicado na revista científica International Journal of Radiation Biology" (Revista Internacional de Biologia da Radiação). Desta forma, conseguimos atestar que a relação que muitos faziam entre a radioatividade do local com doenças como o câncer não fazia sentido", destacou o estudioso.

ESTUDO COM BACTÉRIAS

O tema sempre intrigou e motivou o físico nuclear, que há décadas se debruça em estudos relacionados à areia monazítica. Além de provar cientificamente que a radiação local não faz mal à saúde, as pesquisas sobre o tema indicam que a areia preta tem potencial para impedir a proliferação de bactérias, o que pode ser um indicativo de que novos tratamentos venham a ser desenvolvidos.

"Realizamos um estudo com a bactéria Staphylococcus aureus. Após a exposição delas à areia monazítica por cerca de seis meses, foi comprovada a redução significativa da colônia por conta da ação da radiação da areia. Ou seja, ela faz bem. Além de não nos afetar em nada, ela tem capacidade em combater bactérias causadoras de doenças. Isto ainda carece de mais pesquisas, mas é um excelente indicativo e animador. Estes resultados também serão publicados, o que dará ainda mais força à pesquisa realizada aqui na Ufes", salientou Marcos Tadeu Orlando à reportagem de A Gazeta.

MAIS ESTUDOS

Participar de um estudo desta relevância é motivo de orgulho para o pesquisador e professor do Departamento de Física da Universidade. Por isso mesmo, as pesquisas prosseguirão no sentido de atestar os benefícios medicinais que as areias monazíticas possam ter.

"Eu mesmo falei, muitas vezes, que tinha dúvidas se a areia monazítica faria bem ou mal. Agora estamos convencidos de que ela faz bem. É cientifico, não é estatístico", explicou o professor em entrevista à CBN Vitória na manhã desta quinta-feira (4). Confira a entrevista na íntegra:

Garrincha
Ao lado da namorada Elza Soares, Garrincha esteve em Guarapari, em 1963, para se tratar nas areias monazíticas da Praia de Areia Preta. Crédito: Hélio Passos/Revista O Cruzeiro - Acervo da Biblioteca Nacional

"Seguiremos em pesquisa para comprovar se ela de fato tem capacidade em ajudar em tratamento para dores reumáticas e outras, pois é justamente por isso que muitos vão até Guarapari. Mas de antemão, agora as pessoas podem ir para lá sem o receio de estarem se submetendo a algum malefício. Isso não existe. Conseguimos provar que o que havia sido notado ainda muito lá atrás de fato estava certo. Os pesquisadores daquela época não tinham os recursos que temos atualmente para avançar neste sentido", analisou o estudioso.

A única ressalva em relação à frequência de pessoas em praias que contenham areia monazítica está relacionada ao público infantil. Segundo o pesquisador, ainda faltam estudos com crianças pequenas no sentido de existir algum risco para elas relacionado à radioatividade.

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