A semana em que Garrincha parou Guarapari no ano de 1963

Nesta quarta-feira (20), a morte do craque completa 38 anos. Tendo convivido com dores em toda a carreira, o "anjo das pernas tortas" esteve na Cidade Saúde para se curar nas areias monazíticas. Ao lado de Elza Soares ele virou atração em Guarapari

Vitória
Publicado em 20/01/2021 às 09h34
Atualizado em 20/01/2021 às 09h40
Garrincha
Ao lado da namorada Elza Soares, Garrincha esteve em Guarapari, em 1963, para se tratar nas areias monazíticas da Praia de Areia Preta. Crédito: Hélio Passos/Revista O Cruzeiro - Acervo da Biblioteca Nacional

Nesta quarta-feira (20), completam-se 38 anos da morte precoce de Garrincha, imortalizado como o "anjo de pernas tortas". O apelido do inconfundível driblador se deu por conta de problemas congênitos, entre eles a diferença de alguns centímetros entre as pernas, além de valgismo - popularmente conhecido como "joelho para dentro".

Ainda que com essas adversidades, Manoel Francisco dos Santos, conseguia entortar adversários com a camisa da Seleção Brasileira ou do Botafogo. Pelo time canarinho, foram duas copas conquistadas - 1958 e 1962. Conquistou também uma legião de fãs ao redor do mundo.

Mas a eficiência com que passava pelos adversários era proporcional a dor que sentia ao jogar. Garrincha sempre conviveu com ela, especialmente nos joelhos. Devido às limitações físicas, o atleta sobrecarregava o próprio corpo e por vezes precisava atuar com infiltrações. Com a medicina esportiva não tão avançada como observada na atualidade, o ídolo botafoguense buscava por tratamentos alternativos.

E um deles o trouxe até Guarapari: no ano de 1963, a fama das propriedades milagrosas das areias monazíticas do município capixaba fizeram com que o astro da bola arrumasse as malas e viesse acompanhado da então amada, Elza Soares, para o Estado. "Enterrando-se" na Praia da Areia Preta, que ele buscou se livrar das dores. Foi devido a esta fama, inclusive, que o município ganhou o apelido de "Cidade Saúde".

HISTERIA

Recomendado pelo treinador João Saldanha e com o consentimento do Botafogo, Garrincha repetiu por sete dias o procedimento em cobrir o joelho direito com a areia monazítica. As sessões tinham de ocorrer por duas horas diárias, intercaladas entre parte pela manhã e o restante à tarde.

Garrincha
A vinda de Garrincha para Guarapari provocou uma correria nas pessoas para ver o craque se tratando nas areias milagrosas. Crédito: Hélio Passos/Revista O Cruzeiro - Acervo da Biblioteca Nacional

A presença de um bicampeão mundial na cidade mexeu com o cotidiano de Guarapari. Assim que o craque chegava à praia para iniciar o tratamento, uma multidão se aglomerava em torno dele e de Elza Soares, mas eram as crianças que irradiavam uma alegria contagiante em ver o jogador tão de perto.

A passagem de Garrincha por Guarapari não se limitou ao tratamento. Ele e Elza Soares ficaram hospedados no luxuoso e extinto Radium Hotel. O local era ponto de estadia certa de personalidades, artistas, políticos e outros famosos. Além de uma estrutura e atendimento de alto nível, o hotel contava com um suntuoso cassino. Apreciador da noite e da boemia, não era difícil encontrar o jogador por lá nas horas vagas. Na cidade, Garrincha ainda foi consultado pelo médico Roberto Calmon, então prefeito guarapariense, antes de se enterrar nas areias pretas.

DECLÍNIO E APOSENTADORIA

Após passar por Guarapari, Garrincha voltou a atuar, mas as dores nunca o abandonaram. Foi assim até aposentar-se em 1972 com a camisa do carioca Olaria. Antes, após a Copa de 1966, o astro passou por um declínio físico, influenciado pelo alcoolismo e o agravamento dos problemas no corpo que o acompanharam ao longo da carreira.

Garrincha
Agachado à esquerda, Garrincha esteve em Alegre e jogou pelo time do Alegrense no ano de 1972. Crédito: Arquivo pessoal

No ano em que se aposentou, Garrincha voltou ao Espírito Santo, desta vez em Alegre, na região Sul. Já fora de forma, ele chegou à cidade para um jogo festivo pelo time do Alegrense. A presença dele no município no dia 2 de setembro parou a cidade e lotou o estádio Benedito Teixeira Leão. Foram 60 minutos em campo e o astro não fez gol. Esta exibição foi apenas uma das muitas que ele realizou após pendurar as chuteiras.

Seis anos mais tarde, já praticamente entregue à bebida, Garrincha faleceu aos 49 anos, vítima de cirrose hepática, deixando triste os apreciadores do bom futebol. Felizmente, ele também deixou boas histórias, duas delas ocorridas em solo capixaba.

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