Feliz, animado, contente, bem-humorado... esses são alguns dos sinônimos do nome da cidade de Alegre, que fica na região do Caparaó do Espírito Santo. O título desperta curiosidade de capixabas e turistas e carrega duas histórias: uma contada nas escolas e outra versão popular (e mais divertida). É que, para alguns alegrenses, reza a lenda que o município foi nomeado em homenagem a um animal de estimação.
O que se conta é que uma cachorrinha chamada Alegre vivia na região e caiu em uma cachoeira ao perseguir uma caça. Para honrar o feito, o desbravador João Teixeira da Conceição teria nomeado a própria fazenda com a alcunha do pet. Aos poucos, o local cresceu e se desenvolveu, dando origem ao município que acabou batizado com o nome do animal.
Lendas e histórias à parte, o Instituto Histórico e Geográfico de Alegre detalha que a explicação é bem mais complexa. No início do século XIX, o militar João do Monte da Fonseca realizou a expedição responsável pela abertura da primeira estrada que ligava as cidades de Mariana (MG) e Itapemirim (ES), partindo da região dos "Arripiados", onde hoje é o Caparaó.
Durante o percurso, os desbravadores enfrentaram um período difícil e de escassez de comida, sendo abastecidos apenas de "palmito assado e um pouco de farinha", como documentou Fonseca. Em 25 de julho de 1815, eles chegaram ao alto de uma serra com grandes covas e nomearam o lugar como Ribeirão da Tristeza. Atualmente, os pesquisadores acreditam que a localização seria Jerusalém, no distrito de Celina (pertencente a Alegre).
A sorte deles mudou alguns dias depois. Em 29 de julho, o militar registrou: "Chegamos à margem do Rio Alegre, à borda da Cachoeira do Prazer. Denominou-se assim o Rio e a Cachoeira pela alegria que nos causou a salva de 6 tiros da parte do sertão, dada pela escolta, que levou os ofícios às autoridades da Capitania".
A alegria descrita no trecho acima se deu pelo fim da fome, graças a uma doação de carne, farinha, toucinho, pólvora e chumbo, feita por fazendeiros e pelo comandante de Itapemirim.
Nova expedição
Já em 1820, uma segunda expedição foi comandada pelo sargento-mor Manoel Esteves de Lima, que se apossou das terras ao redor da estrada desbravada por Fonseca. Com aval do sargento, o também desbravador João Teixeira da Conceição fundou então a Fazenda Alegre, ponto de encontro e abrigo destinado aos tropeiros e nomeada em homenagem ao Rio Alegre.
Aos poucos, a Fazenda Alegre cresceu e passou a receber também migrantes vindos de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Novas moradias também surgiram ao redor de uma capela instalada na região, levando ao crescimento do comércio no local. Quase quarenta anos depois, em 1858, a Fazenda Alegre recebeu o título de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Alegre. O nome foi alterado em 1869 para Freguesia de Nossa Senhora da Penha do Alegre, pouco depois a freguesia transformou-se em vila.
Por fim, em 22 de dezembro de 1919, a então vila se tornou cidade, recebendo o nome de Alegre. No entanto, o aniversário do município é comemorado no dia 6 de janeiro, data que marca a emancipação política municipal conquistada no ano de 1891.
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