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Escultura desaparecida do Centro de Vitória é reencontrada após mais de 40 anos

Escultura desaparecida do Centro de Vitória é reencontrada após mais de 40 anos

Peça que integrava um conjunto inaugurado em 1912 em frente à Escola Maria Ortiz foi localizada em uma casa, em Vila Velha, após muitas pesquisas e buscas feitas por um artista plástico e um historiador

Publicado em 13 de março de 2026 às 16:47

 A peça representa Hermes, deus associado ao comércio na mitologia greco-romana
A peça representa Hermes, deus associado ao comércio na mitologia greco-romana; ela ficava em um buso próximo ao Palácio Anchieta, sede do governo estadual Crédito: Arquivo pessoal

Uma escultura instalada no início do século XX na Praça Cecília Monteiro, no Centro de Vitória, foi reencontrada após décadas desaparecida. A peça representa Hermes, deus associado ao comércio na mitologia greco-romana, e integrava um conjunto de alegorias inaugurado em 1912, em frente à Escola Maria Ortiz, durante um projeto de modernização da Capital capixaba.

A redescoberta ocorreu após uma investigação conduzida pelo artista plástico José Cirillo e pelo historiador Raphael Teixeira, professor da rede pública estadual e pesquisador do laboratório de Extensão e Pesquisa em Artes (Leena) da Ufes. A busca começou depois que Teixeira encontrou uma reportagem publicada por A Gazeta em 2018 que mencionava o desaparecimento de um monumento na região.

Busto do deus Hermes sumiu; o monumento ficava na Praça Cecília Monteiro, ao lado do Palácio Anchieta
Busto do deus Hermes ficava na Praça Cecília Monteiro, ao lado do Palácio Anchieta, na Cidade Alta Crédito: Vitor Jubini

Segundo Cirillo, o historiador se interessou pelo tema ao perceber que a existência da escultura era praticamente desconhecida até mesmo por moradores antigos da área central da cidade. "Ele (Teixeira) mora ali no Centro e nunca tinha ouvido falar dessa peça. Então começou a procurar, conversar com pessoas mais antigas e ninguém lembrava do busto”, contou.

O historiador procurou José Cirillo depois de conhecer o trabalho do artista com digitalização e reprodução de monumentos por meio de tecnologia 3D. Teixeira também queria saber se seria possível produzir uma réplica para recolocar no local original. Foi essa inquietação que acabou levando ao contato entre os dois e ao início da busca pela escultura.

Colhendo pistas 

Durante a investigação, os pesquisadores descobriram que a escultura havia sido retirada do local em 1979, quando a Escola Maria Ortiz passava por uma reforma. Na época, um galho de um flamboyant (um tipo de árvore) caiu sobre a peça durante uma tempestade e provocou danos estruturais.

Escultura desaparecida do Centro de Vitória é reencontrada após mais de 40 anos por Arquivo pessoal

Após o incidente, o monumento foi removido do espaço público. Como não havia um depósito municipal para guardá-la, a peça acabou sendo levada para a casa de um profissional que atuava na obra. “Ele disse que não trabalhava com restauração, mas a prefeitura acabou deixando a peça lá para ficar guardada”, relatou Cirillo.

Com o passar dos anos e a troca de gestões municipais, a escultura acabou esquecida no local. O paradeiro só foi esclarecido depois que os pesquisadores conseguiram localizar o profissional envolvido na reforma e identificar o endereço onde a peça havia sido deixada.

Grande surpresa

Momento em que a dupla encontra a escultura
Momento em que a dupla encontra a escultura desaparecida havia mais de quatro décadas Crédito: Arquivo pessoal

A escultura foi encontrada em outubro de 2024, em uma residência em Vila Velha. Segundo Cirillo, a dupla esperava encontrar um busto, mas acabou se deparando com uma peça maior do que imaginava. "Quando chegamos lá, foi uma grande surpresa, porque não era um busto. Era uma escultura inteira", afirmou. Após a descoberta, os pesquisadores iniciaram conversas com a Secretaria de Cultura de Vitória para viabilizar a retirada da peça.

A intenção inicial dos pesquisadores era levá-la até um laboratório para digitalização e reconstrução das partes danificadas com tecnologia de impressão 3D. No entanto, o transporte da peça exige cuidados especiais devido ao peso e à fragilidade do material.

Mesmo sem restauração completa, Cirillo defende que o retorno da escultura ao espaço público já seria significativo para a preservação da memória do município. "Mesmo com partes faltando, ela tem valor histórico e memorial", afirmou. Segundo o artista, a peça não possui autoria identificada. Alegorias como essa eram produzidas em série por ateliês europeus para ornamentação de praças e jardins entre o final do século XIX e o início do século XX. 

A reportagem de A Gazeta procurou a Prefeitura de Vitória para saber quando a escultura deve ser retirada do local onde foi encontrada, qual será o destino da peça após a remoção e se há previsão de restauração ou recolocação do monumento no espaço público. Quando houver retorno, o texto será atualizado.

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