As rampas em formato de espiral eram a principal característica da passarela da Ufes, que por 30 anos serviu de passagem ao campus de Goiabeiras
As rampas em formato de espiral eram a principal característica da passarela da Ufes, que por 30 anos serviu de passagem ao campus de Goiabeiras. Crédito: Nestor Muller | Cedoc A Gazeta

Passarela da Ufes: a icônica construção que marcou gerações em Vitória

Durante mais de 30 anos, a obra foi o principal acesso de pedestres ao campus de Goiabeiras da Universidade Federal do Espírito Santo e fez parte da rotina de quem atravessava a Avenida Fernando Ferrari, em Vitória

Tempo de leitura: 3min
Vitória
Publicado em 31/01/2026 às 16h45

Em um passado nem tão distante assim, durante muito anos a passarela que dava acesso ao campus de Goiabeiras da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em Vitória, foi mais do que uma simples travessia sobre a Avenida Fernando Ferrari – era um pequeno rito de passagem. Por ali atravessavam estudantes, gente que trabalhava nas proximidades e pessoas de todo canto que, por qualquer motivo, precisavam cruzar por uma das mais importantes vias da Capital capixaba.

A passarela, que ficou ali durante mais de três décadas, foi um pedaço marcante da rotina de quem viveu na cidade até 2007. A estrutura, da qual gerações mais novas podem nem ter ouvido falar, pesava cerca de 180 toneladas, e começava com rampas curvas nas pontas, em formato de caracol, conectadas pelo vão central que hoje existe apenas em memórias.

Em páginas na internet que abordam curiosidades da história do Espírito Santo, como o perfil Memória Capixaba, pesquisadores apontam que a inauguração se deu por volta de 1976.

Também há relatos de ex-alunos e de gente que passava por ali todos os dias, indicando que a estrutura já marcava a paisagem da Fernando Ferrari na segunda metade da década de 1970.

Marco da engenharia

A passarela era um ponto de encontro, local de despedidas e, mais do que isso, um marco na engenharia da época, como destacou, em entrevista ao jornal A Gazeta, o então diretor-geral do Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER–ES), Eduardo Mannato Gimenes.

“Ela foi a primeira passarela construída no Brasil com concreto protendido (tipo de material resistente e adequado para fazer pontes, passarelas e grandes vãos, sem necessidade de pilares no meio da construção para sustentação). Mas, devido às obras de ampliação da Fernando Ferrari, ela acabou se tornando um entrave, sendo, então, necessária a retirada”, justificou às vésperas da demolição.

Demolição da passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2007
A demolição da passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) ocorreu no fim de 2007 durante a ampliação da Fernando Ferrari. Crédito: Ricardo Medeiros | Cedoc A Gazeta

A construção, que perdurou por mais de 30 anos, teve a estrutura central demolida em impressionantes 24 minutos, no dia 5 de agosto de 2007, para a continuidade dos serviços de ampliação do corredor viário daquela região. Para derrubá-la, foi utilizada uma escavadeira hidráulica, adaptada com uma tesoura especial que cortava até aço e concreto.

Essa operação especial foi acompanhada de perto por curiosos e moradores dos entornos da Fernando Ferrari, que acordaram cedo naquele domingo só para dar adeus à passarela que esteve ali durante tanto tempo, porém retirada de cena em nome do progresso.

Passarela demolida em 2007 serviu de acesso ao campus da Ufes em Goiabeiras por mais de 30 anos

Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1998
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1998. Nestor Muller | Cedoc A Gazeta
Demolição da passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2007
Demolição da passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2007. Ricardo Medeiros | Cedoc A Gazeta
Demolição da passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2007
Demolição da passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2007. Ricardo Medeiros | Cedoc A Gazeta
Demolição da passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2007
Demolição da passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2007. Ricardo Medeiros | Cedoc A Gazeta
Demolição da passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2007
Demolição da passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2007. Ricardo Medeiros | Cedoc A Gazeta
O formato de caracol da passarela da Ufes. Imagem de 2006
O formato de caracol da passarela da Ufes. Imagem de 2006. Gabriel Lordêllo | Cedoc A Gazeta
Passarela da Ufes em 2006
Passarela da Ufes em 2006. Gildo Loyola | Cedoc A Gazeta
Passarela da Ufes em 2007
Passarela da Ufes em 2007. Alexandre Borgo | Cedoc A Gazeta
Vitor Hugo Eller, à época com 9 anos, com a avó Érica Eller, despedindo-se da passarela da Ufes em 2007
Vitor Hugo Eller, 9 anos, com a avó Érica Eller, despedindo-se da passarela da Ufes. Ricardo Medeiros | Cedoc A Gazeta
Detalhes de parte da passarela da Ufes em 2018
Detalhes de parte da passarela da Ufes em 2018. Alexandre Borgo | Cedoc A Gazeta
Setembrino Pelissari, ex-prefeito que construiu a passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes)
Setembrino Pelissari, ex-prefeito que construiu a passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Ricardo Medeiros | Cedoc A Gazeta
Pessoas atravessando fora da passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1979
Pessoas atravessando fora da passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1979. Romero Mendonça | Cedoc A Gazeta
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986. Ailton Lopes | Cedoc A Gazeta
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986. Ailton Lopes | Cedoc A Gazeta
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986
Passarela da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 1986

A paisagem mudou e as estratégias de mobilidade também precisaram ser alteradas. Com o fim do acesso, a avenida ganhou uma nova sinalização, que facilitou, inclusive, a vida de quem, antes do fim da passarela de pedestres, já se arriscava atravessando entre os veículos só para não ter que subir a rampa e descer do outro lado.

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