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Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 15:51
O hábito de pedalar no Espírito Santo — por lazer, esporte ou para deslocamento diário — tem esbarrado em um problema: a insegurança. Em média, oito bicicletas são furtadas ou roubadas por dia, o que representa uma ocorrência a cada três horas no Estado. >
Os dados são do Painel de Crimes Contra o Patrimônio da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), referentes a janeiro de 2026. Mas a análise dos registros dos últimos anos mostra que esse é um problema recorrente nas cidades capixabas. Em 2019, o Espírito Santo alcançou o pior índice da série recente, com 3.773 bicicletas levadas, número que marcou o pico antes da pandemia.>
Com a chegada da Covid-19, em 2020 e 2021, o isolamento social provocou uma queda de 26% nas ocorrências. No entanto, a trégua foi temporária. A partir de 2022, com a retomada plena das atividades e o aumento do uso da bicicleta como alternativa de mobilidade, os registros voltaram a crescer e se aproximam dos patamares pré-pandemia.>
O início de 2026 confirma que a tendência de alta se consolidou com a média de oito ocorrências diárias — em janeiro, foram 257 casos envolvendo bicicletas. Vila Velha respondeu por quase metade desses registros, com aumento concentrado na orla, onde os crimes tendem a se intensificar durante o verão.>
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As praias da Grande Vitória aparecem como as áreas mais críticas. Confira os municípios com maior número de ocorrências no período:
No interior do Estado, Linhares (21) se destaca com o número de ocorrências envolvendo bicicletas.>
Um dos furtos no início do ano envolveu duas bicicletas — uma elétrica e outra convencional — avaliadas em cerca de R$ 25 mil, no bairro Novo Horizonte, em Linhares. A ação durou menos de dez segundos e foi registrada por uma câmera de segurança.>
Já na Grande Vitória, um caso recente ganhou repercussão nas redes sociais. Uma estudante de medicina que praticava ioga na Praia da Guarderia, em Vitória, no último domingo (1º), impediu uma tentativa de furto da própria bicicleta. A ação foi gravada e publicada nas redes e, em apenas dois dias, o vídeo acumulou mais de nove milhões de visualizações. >
Para evitar esse tipo de situação, a recomendação das forças de segurança é redobrar a atenção aos locais e horários de circulação. De acordo com o delegado Carlos Vitor de Almeida Silva, titular do 7º Distrito Policial de Vila Velha, ciclistas devem priorizar vias iluminadas e com maior movimentação, especialmente durante treinos realizados na madrugada, à noite ou em rodovias. “Ruas vazias e com pouca luminosidade dão margem à ação dos criminosos”, alerta.>
Dentro de condomínios, onde se concentra parte significativa dos registros de furto, os cuidados também precisam ser reforçados. A orientação é utilizar sempre o bicicletário do prédio, sobretudo quando o espaço for cercado, e não dispensar o uso de cadeado, mesmo que o acesso seja controlado por chave ou portão.>
Outro fator decisivo para aumentar as chances de recuperação do bem é a correta identificação da bicicleta. Guardar a nota fiscal — que reúne as principais características e, na maioria dos casos, o número de série — é fundamental. Fotos do proprietário com o bem também auxiliam na comprovação da posse no momento da restituição. Em relação aos dispositivos de segurança, o delegado orienta o uso de cadeados de qualidade e desaconselha modelos com corda de aço, que podem ser cortados com facilidade.>
Apesar da percepção de que poucas bicicletas são recuperadas, Carlos Vitor afirma que muitos bens são localizados. O problema, segundo o delegado, está na falta de informação ou na ausência de procura por parte dos proprietários. As bicicletas recuperadas são encaminhadas à delegacia da área onde foram apreendidas e podem ser consultadas presencialmente. >
Quando o boletim de ocorrência contém dados como o número de série, a polícia consegue identificar o proprietário e entrar em contato para a restituição. Sem essas informações, a iniciativa de buscar o bem acaba dependendo exclusivamente da vítima.>
A ausência de dados completos no registro policial — ou até mesmo a não formalização do boletim de ocorrência após o crime — é apontada como o principal obstáculo para a identificação do proprietário e a devolução da bicicleta.>
A diferença fica evidente quando os dados são comparados aos registros envolvendo veículos. No início do ano, foram contabilizadas 623 ocorrências relacionadas a carros e motocicletas, das quais 249 resultaram em recuperação, isto é, quase 40%. Já no caso das bicicletas, das 257 ocorrências registradas, apenas 20 unidades foram recuperadas — não chega a 8%.>
Dos registros de 2026 com tipificação definida, a maioria foi enquadrada como furto (70%), quando a bicicleta é levada sem violência ou ameaça, geralmente enquanto está estacionada. Já os casos de roubo (30%) envolvem intimidação, ameaça verbal ou agressão física contra a vítima. A distinção legal ajuda a compreender o perfil dos crimes e o grau de risco enfrentado pelos ciclistas no dia a dia.>
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