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Teatro Carmélia vai ser usado para armazenar café dos galpões do IBC

A mudança decorre da venda dos Galpões do IBC, localizados em Jardim da Penha, anunciada pela União.  Em função disto o Centro Cultural será transformado em um local de armazenamento

Publicado em 30/07/2020 às 15h39
Atualizado em 30/07/2020 às 18h49
Centro Cultural Carmélia Maria de Souza vai abrigar os armazéns da Conab no lugar dos galpões do IBC
Centro Cultural Carmélia vai ser trasnformado em  um centro de armazenamento da Conab. Crédito: Vitor Jubini - 25/02/2019

O Centro Cultural Carmélia Maria de Souza, que inclui o teatro, no bairro Mário Cypreste, em Vitória, será transformado em local para armazenamento de sacas de café, laboratório e escritórios da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O imóvel vai receber o material que atualmente está abrigado nos Galpões do IBC, em Jardim da Penha, que teve a sua venda anunciada pela União.

O Carmélia, cuja área pertence à Conab e no passado já abrigou o Instituto Brasileiro do Café (IBC), estava cedido para o governo estadual e para a Prefeitura de Vitória. No local, atualmente, funciona a TV Educativa, pertencente ao Estado.

Ambos já foram notificados no primeiro trimestre deste ano a deixarem o imóvel,  segundo o superintendente de Patrimônio da União no Estado, Márcio Furtado. “Ambos foram oficiados no primeiro trimestre deste ano. A Prefeitura nunca ocupou, de fato, a área. Já o Estado está viabilizando um outro local para a TVE”, informou.

Segundo Furtado, assim que for desocupado, o Centro Cultural deverá passar por uma pequena adaptação para abrigar o armazenamento da Conab. “Assim que ficar pronto, eles se mudam para o local, liberando os Galpões do IBC, o que deve ocorrer até novembro, data em que o edital  de venda da unidade de Jardim da Penha está previsto para ser publicado”, explicou.

No último dia 22 a União anunciou a venda de 12 imóveis no Estado, dentre eles os Galpões do IBC. A lista contempla ainda campo de futebol, outros galpões, salas comerciais, terrenos e casas. A expectativa é de uma arrecadação mínima de R$ 60 milhões.

REDUÇÃO DA ÁREA DA CONAB

Com a mudança para o bairro Mário Cypreste,  onde está localizado o Centro Cultural Carmélia, a unidade de Conab em Vitória vai perder área de armazenamento, explica Brício Alves Júnior, engenheiro-agrônomo e assistente da superintendência da Companhia no Estado.

Em Jardim da Penha há espaço para armazenamento de 42 mil toneladas, já no Centro Cultural Carmélia ela será reduzida para 7 mil toneladas. Brício relata que o IBC é destinado ao cafeicultor, onde são atendidos cerca de 300 agricultores, além de quilombolas e indígenas. O espaço conta com área de armazenamento, laboratório de classificação de café e grãos para executar políticas públicas do governo federal.

Segundo Brício, os técnicos da Conab já estiveram no Centro Cultural fazendo uma análise das condições estruturais. No último dia 20, uma arquiteta de Brasília também fez a vistoria. “Só podemos nos transferir para o local quando tudo estiver em condições adequadas”, informou, destacando que os Galpões de Jardim da Penha foram as primeiras construções do bairro. “Depois foram construindo os prédios ao redor”.

Na avaliação dele, a melhor solução teria sido a construção de armazenamento de grãos em Viana, em um projeto que estava sendo construído em parceria com o governo do Estado. Para o projeto foram desapropriadas áreas de 100 mil m², a um custo de R$ 13,5 milhões pagos pelo Espírito Santo.

O acordo não chegou a acontecer porque a União cancelou o projeto. Segundo Brício, o projeto vinha sendo discutido desde 2011 e fazia parte de um conjunto de 10 investimentos a serem feitos no Brasil, todos dentro do Plano Nacional de Agricultura (PNA), que acabou sendo desativado.

“A proposta era trazer milho do Centro-Oeste para o Espírito Santo, por via férrea. Ele seria armazenado nos galpões em Viana, e de lá seguiria para as regiões Nordeste e Sul, por navio, pelos portos capixabas. Além de abastecer Estado, o Rio de Janeiro, Sul da Bahia e a Zona da Mata mineira”, contou Brício.

Galpões do IBC, em Jardim da Penha
Galpões do IBC, em Jardim da Penha. Crédito: Conab/Divulgação

Segundo ele, acrescenta que já estavam empenhados para o projeto R$ 62 milhões. “O projeto acabaria com o tráfego de 2 mil carretas pelas rodovias, cada uma delas transportando 50 toneladas. Foram gastos R$ 8 milhões no projeto, que acabou suspenso”, explica.

DESTINO DA TV EDUCATIVA

A secretária de Estado de Gestão e Recursos Humanos, Lenise Loureiro, informou que recebeu a notificação da Secretaria de Patrimônio da União (SPU-ES) para deixarem o local e que o prazo venceu em junho, mas que foi pedida  uma prorrogação.

Ela relata que já foi lançado um edital de chamamento público para a escolha de um imóvel para abrigar a TV Educativa. “Precisamos de um imóvel com um pé direito mais alto, adequado às necessidades da TVE. Mas também cogitamos a ampliação do espaço da Rádio Espírito Santo”, relata.

E mesmo que a opção seja pela construção de uma área para a TVE, será ainda necessário o aluguel de um espaço até que o novo prédio fique pronto. “A intenção era construir. Fizemos um projeto básico, chegamos a um orçamento de projeto e obra, mais ainda estudamos se o melhor é fazer uma obra no local da rádio ou optarmos por aluguel em definitivo”, explicou a secretária.

Em relação ao Centro Cultural Carmélia, ela explica que ele não vinha sendo utilizado como teatro há alguns anos. “Chegamos a apresentar uma proposta de reformar a estrutura, em especial fazer funcionar o teatro também para a rádio e a TV, com espaço para transmissões ao vivo, com plateia. Mas os planos da União são no sentido de venda, e a gestão de patrimônio está se desfazendo de alguns bens”, relata Lenise.

Área desapropriada pelo Estado para abrigar os novos galpões de armazenamento de milho, da Conab. Seria trocada com a União pelos Galpões do IBC. Por ela foi pago R$ 13,5 milhões (2020)
Área desapropriada pelo Estado para abrigar os novos galpões de armazenamento de milho, da Conab. Crédito: Carlos Alberto Silva

Em relação à área de Viana desapropriada para abrigar o armazenamento de grãos, ela explica que foi um projeto que não se concretizou. “Chegamos a conversar com a Secretaria de Estado da Agricultura (Seag) para tentarmos viabilizar, mas a conclusão é que de que o projeto de estruturas regionais de armazenamento e distribuição não é mais adequado à atual política nacional”, explicou.

Para a área desapropriada em Viana, o Estado estuda novos projetos de ocupação no âmbito da administração direta e indireta, podendo compor proposta de alienação à iniciativa privada, informou Lenise.

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