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Serra está entre os 10 municípios brasileiros que mais emitem carbono

Indústrias de produção de ferro gusa e aço instaladas no município são o principal fator de poluição da Serra, segundo pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 04/03/2021 às 20h10
Data: 06/02/2020 - ES - Vitória - Poluição Arcelor - Editoria: Cidades - Foto: Ricardo Medeiros - GZ
Poluição provocada por indústria na Serra. Crédito: Ricardo Medeiros | Arquivo

Um levantamento realizado pelo Observatório do Clima apontou os dez municípios brasileiros com o maior índice de emissão de gás carbônico equivalente, o CO2e e que é um dos gases que provoca o efeito estufa. A lista possui sete cidades localizadas na região da Amazônia, além de São Paulo, Rio de Janeiro e Serra — único representante do Espírito Santo, que produziu em 2018, último ano de análise, mais de 11,5 milhões de toneladas de CO2e.

Durante entrevista ao jornalista Fábio Botacin, da Rádio CBN Vitória (92,5 FM) nesta quinta-feira (4), o pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) Felipe Barcellos explicou que a presença de municípios que fazem parte do bioma da Amazônia na lista se dá por conta das queimadas e do desmatamento em massa. Rio de Janeiro e São Paulo, duas das cidades mais populosas do país, têm a presença justificada pelo contingente populacional, quantidade de automóveis e produção de resíduos.

Já a presença do município da Serra, segundo Felipe, é justificada pelas fábricas de produção de ferro gusa e aço que estão localizadas no município. O pesquisador argumentou que as indústria de produtos de base são grandes emissoras de gases que causam o efeito estufa, como o CO2e.

"É um município da região metropolitana que emite muitos gases devido aos processos industriais. No município da Serra, se encontra uma indústria de produção de ferro gusa e aço, que é uma indústria bastante emissora de CO2. Então, por estar localizada na Serra, as emissões relacionadas à essa produção de aço, que é bastante grande, acabam sendo alocadas na Serra e por isso se coloca entre os dez primeiros nesse ranking", disse.

Felipe Barcellos também destacou que o desmatamento é uma atividade econômica que não traz benefícios econômicos para a população e as empresas locais, cenário diferente do observado nas indústrias de base. Estas, por sua vez, geram empregos e desenvolvimento econômico para o município, de acordo com o pesquisador do Iema.

"O desmatamento é uma atividade que não produz desenvolvimento econômico para aquela região, beneficia apenas a pessoa que está explorando a terra de maneira irregular. Já na Serra e em outros municípios, tem atividades industriais que beneficiam o desenvolvimento econômico do país, caso do aço", detalhou.

Além disso, segundo Felipe,  desmatamento da Amazônia é uma fonte de emissão de gases causadores do efeito estufa teoricamente "mais fácil" de ser controlada, por não depender de tecnologias avançadas para se impedida. Já no caso da indústria de base, é mais trabalhoso, conforme explicou o pesquisador, para regular a emissão desses poluentes.

"Existem algumas fontes de emissão que são mais ‘fáceis’ de serem controladas e, de certa maneira, mais desejáveis, que é o caso do desmatamento. Pra controlar o desmatamento, não precisa de uma tecnologia avançada, de inovação de processos produtivos. Precisa de políticas públicas de monitoramento e controle disso pra que impeça o desmatamento ilegal, como acontece na Amazônia", afirmou.

O QUE DISSE A PREFEITURA DA SERRA

Demandada pela reportagem de A Gazeta, a Prefeitura da Serra confirmou que a emissão de gases de efeito estufa acontece por conta do caráter industrial do município. A nota enviada pelo órgão detalha que, atualmente, a Serra conta com 9.542 empresas que geram 177.121 empregos diretos em sete parques industriais.

A prefeitura também destacou a BR 101, que corta o município e possui uma grande circulação de veículos diariamente, como um dos fatores que contribuem com o aumento da poluição.

Prefeitura da Serra informou ainda que, para desenvolver um ambiente de negócios sustentável, aderiu aos dez princípios da Organização das Nações Unida (ONU), também chamado de Pacto Global. São dez princípios universais, derivados da Declaração Universal de Direitos Humanos, da Declaração da Organização Internacional do Trabalho sobre Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho, da Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento e da Convenção das Nações Unidas Contra a Corrupção. As organizações que passam a fazer parte do Pacto Global comprometem-se a seguir esses princípios no dia a dia de suas operações.

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