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Santa Rita: agentes do Ministério da Saúde dão apoio à investigação no ES

Santa Rita: agentes do Ministério da Saúde dão apoio à investigação no ES

Governo federal encaminhou especialistas para auxiliarem nos testes em busca da identificação do vírus, fungo ou bactéria que causou contaminações no hospital

João Barbosa

Repórter / [email protected]

Publicado em 27 de outubro de 2025 às 13:32

Hospital Santa Rita
Hospital Santa Rita é referência no tratamento de câncer no Estado Crédito: Ricardo Medeiros

Representantes do Ministério da Saúde estão no Espírito Santo para auxiliar na investigação dos casos de infecção registrados no Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória. O problema começou a ser observado em 19 de outubro, quando funcionários da ala de oncologia da unidade hospitalar apresentaram sintomas similares ao de uma pneumonia.

Desde então, foi confirmada a contaminação em 33 funcionários do hospital. Desses, seis seguem hospitalizados, sendo que três deles estão na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Uma pessoa está em estado grave, mas estável. A principal suspeita da origem das infecções é a de contaminação na água ou em filtro de ar-condicionado da instituição, referência no tratamento de câncer no Espírito Santo. A presença de animais na região da unidade, como pombos, também é investigada.

Diante disso, no Estado, os agentes do Ministério da Saúde devem gerar, até quinta-feira (30), um relatório baseado nas informações já disponíveis sobre a situação.

Segundo o ministério, dois agentes da equipe de Investigação Epidemiológica do Programa de Treinamento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde (EpiSUS) chegaram à Capital no último fim de semana. A partir do trabalho por aqui, amostras dos infectados serão coletadas e enviadas para um laboratório de referência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. Lá, serão feitas pesquisas de agentes biológicos compatíveis com os sinais e sintomas dos pacientes.

➥ Segundo o Ministério, a equipe enviada ao Espírito Santo é altamente especializada em investigação epidemiológica. A frente de trabalho é dedicada, exclusivamente, à elucidação de casos como o registrado no Santa Rita. A expectativa é que até o fim desta semana haja uma indicação sobre o agente causador da contaminação.

A contaminação no Hospital Santa Rita

Funcionários contaminados: 33
Precisaram ser internados: 14
Seguem internados na UTI: 3
Seguem internados em enfermaria: 3
Situação de acompanhantes em investigação: 12 internados em enfermaria

Além da ajuda do governo federal, investigações internas também são tocadas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que já descartou os vírus da Covid-19 e da Influenza A e B (gripe) como possíveis agentes infecciosos.

Estão sendo feitos testes que envolvem 300 possíveis patógenos, entre vírus, fungos e bactérias, visando à descoberta da origem da doença. Uma das possibilidades é de que a contaminação tenha partido de uma área de uso comum da ala de tratamento de câncer, como explica Tyago Hoffmann, secretário de Estado da Saúde.

“Nossa principal hipótese é de uma causa ambiental, como água e filtro de ar-condicionado em alguma ala frequentada pelos profissionais contaminados. Estão sendo feitas análise da água e de amostras de superfície (como mesas e bancadas). Ainda não se sabe se veio de fora (do hospital)”, diz.

A possibilidade de contaminação ambiental, segundo Tyago Hoffmann, baseia-se no fato de que nenhum paciente ou familiar de profissionais da saúde foi infectado até o momento, o que descarta a possibilidade de transmissão de pessoa para pessoa.

Além de funcionários hospitalizados, 12 acompanhantes de pacientes estão em observação em enfermarias em outras unidades de saúde do Estado, mas sem confirmação da contaminação, já que não há comprovação de vínculo epidemiológico entre os casos que estão sendo investigados com coleta de amostras biológicas enviadas ao Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen/ES).

Com o surto de contaminação ainda sem origem definida, diversos cuidados foram reforçados para proteção dos funcionários e pacientes do Santa Rita. Bebedouros foram lacrados e alguns procedimentos cirúrgicos suspensos. Na unidade, o uso de máscara também foi adotado, assim como a transferência de pacientes imunodeprimidos — aqueles com o sistema imunológico enfraquecido e, portanto, mais vulnerável a infecções — para outras alas.

A ala oncológica do hospital, onde foram registradas as infecções, passou por um processo de higienização, com a limpeza dos aparelhos de ar-condicionado e troca de filtros e torneiras.

Apesar do surto, a Secretaria de Estado de Saúde afirmou que o Hospital Santa Rita está seguro para pacientes e profissionais. Em vídeo publicado no Instagram, Tyago Hoffmann fez um apelo para que os pacientes em tratamento contra o câncer não interrompam o atendimento na unidade.

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