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Santa Rita: principal suspeita é de contaminação em água ou filtro de ar-condicionado

Santa Rita: principal suspeita é de contaminação em água ou filtro de ar-condicionado

Possibilidade de contaminação ambiental baseia-se no fato de que nenhum paciente do hospital ou familiar de funcionários foi infectado até o momento

João Barbosa

Repórter / [email protected]

Publicado em 27 de outubro de 2025 às 11:31

Bebedouros foram lacrados no Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória
Bebedouros foram lacrados no Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória Crédito: Leitor A Gazeta

A principal suspeita da origem das infecções no Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória, está ligada aos aparelhos de ar-condicionado e à contaminação da água da unidade de saúde. A informação foi reforçada em coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira (27) pelo secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann, e pela coordenadora de Controle de Infecção Hospitalar do Santa Rita, Carolina Salume.

Em meio aos casos de contaminação, a Sesa já descartou os vírus da Covid-19 e da Influenza A e B (gripe) como possíveis agentes infecciosos. Estão sendo feitos testes em 300 patógenos, entre vírus, fungos e bactérias, visando à descoberta da origem da doença. Uma das possibilidades é de que a contaminação tenha partido de uma área de uso comum da ala de tratamento de câncer, como explica Tyago Hoffmann.

“Nossa principal hipótese é de uma causa ambiental, como água e filtro de ar-condicionado em alguma ala frequentada pelos profissionais contaminados. Estão sendo feitas análise da água e de amostras de superfície (como mesas e bancadas). Ainda não se sabe se veio de fora (do hospital)”, diz o secretário de Saúde.

A possibilidade de contaminação ambiental, segundo Tyago Hoffmann, baseia-se no fato de que nenhum paciente ou familiar de profissionais da saúde foi infectado até o momento, o que descarta a possibilidade de transmissão de pessoa para pessoa.

“Esses profissionais foram para casa antes de saberem que estavam infectados. Estiveram com suas esposas, seus maridos e filhos e [neste grupo] não há nenhuma investigação”, detalha.

Ainda segundo o secretário, não é possível saber se o patógeno (fungo, vírus ou bactéria) já estava no hospital ou se chegou por meio de algum hospedeiro.

“Recolhemos amostras de água, passamos swab (bastão de testes de saúde) nos aparelhos de ar-condicionado dos setores, mas pode ter sido alguma coisa trazida, de fato, para dentro do hospital. Ainda não tem como concluir. Tudo isso está e continuará em teste”, pondera.

Os testes para descobrir o possível patógeno estão sendo feitos no Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen-ES) e na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. O Ministério da Saúde também enviou dois representantes ao Estado para auxílio nas investigações. A expectativa é que até o fim desta semana haja uma indicação sobre o agente causador da contaminação.

As infecções no hospital, situado no bairro Santa Cecília, na Avenida Marechal Campos, começaram a ser observadas em 19 de outubro, quando funcionários da ala de oncologia apresentaram sintomas similares ao de uma pneumonia. No último dia 24, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) abriu uma investigação sobre a situação, protocolos de segurança foram reforçados na unidade e também em outras da Grande Vitória, como Unimed e Vitória Apart.

Até a manhã desta segunda-feira (27), foi confirmada a contaminação em 33 funcionários do hospital. Desses, seis seguem hospitalizados, sendo que três deles estão na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Uma pessoa está em estado grave, mas estável.

Além de funcionários, 12 acompanhantes de pacientes estão em observação em enfermarias em outras unidades de saúde do Estado, mas sem confirmação da contaminação, já que não há comprovação de vínculo epidemiológico entre os casos, que estão sendo investigados com coleta de amostras biológicas enviadas ao Laboratório Central de Saúde Pública do Espírito Santo (Lacen/ES).

Cuidados reforçados

Com o surto de contaminação ainda sem origem definida, diversos cuidados foram reforçados para proteção dos funcionários e pacientes do Santa Rita. Bebedouros foram lacrados e alguns procedimentos cirúrgicos suspensos. Na unidade, o uso de máscara também foi adotado, assim como a transferência de pacientes imunodeprimidos — aqueles com o sistema imunológico enfraquecido e, portanto, mais vulnerável a infecções — para outras alas.

A ala oncológica do hospital, onde foram registradas as infecções, passou por um processo de higienização, com a limpeza dos aparelhos de ar-condicionado e troca de filtros e torneiras.

Apesar do surto, a Secretaria de Estado de Saúde afirmou que o Hospital Santa Rita está seguro para pacientes e profissionais.

Em vídeo publicado no Instagram, Tyago Hoffmann fez um apelo para que os pacientes em tratamento contra o câncer não interrompam o atendimento na unidade.

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