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Saiba o que pode causar o rompimento de fios elétricos e como evitar

Uma idosa de 65 anos morreu eletrocutada após a queda de um cabo nesta quarta-feira (26) em Vila Velha. Engenheiro eletricista  aponta prováveis causas e dá orientações

Publicado em 27/05/2021 às 17h19
Equipe da EDP tentou solucionar a falta de energia às 9h
A EDP é a responsável pela distribuição da energia elétrica em boa parte do Espírito Santo. Crédito: Elaine Martins Alves Alcântara

Na última quarta-feira (26), Nair Magioni, de 65 anos, morreu eletrocutada após um cabo da rede pública se romper no bairro Ponta da Fruta, em Vila Velha, e a atingir enquanto ela estava no meio da Rua Amazonas, onde morava. Vizinhos relataram que a morte foi instantânea e que o cabo pegou fogo por quase uma hora.

O triste episódio gerou comoção e indignação, principalmente dos moradores da região, que já haviam sofrido com problemas semelhantes. Em fevereiro deste ano, a poucos metros de distância, um cachorro acabou morrendo, também devido a uma descarga elétrica, ao ter contato com um fio que se rompeu.

Segundo moradores, só na Rua Amazonas, no bairro Ponta da Fruta, em Vila Velha, fios elétricos já caíram três vezes
Rua Amazonas, no bairro Ponta da Fruta, em Vila Velha: local onda a idosa e o cachorro morreram eletrocutados. Crédito: TV Gazeta

Diante deste cenário, a reportagem de A Gazeta entrevistou o engenheiro eletricista Eduardo Altoe, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Espírito Santo (Crea-ES) para saber o que pode causar o rompimento de cabos de energia e se há algo que a população pode fazer para ajudar a evitar essas quedas.

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Segundo o especialista, é mais comum que a ruptura dos fios elétricos aconteça por quatro motivos. São eles:

  • Efeitos da maresia - surge um zinabre (resultado da oxidação) no cabo,  o que acaba corroendo o metal que o constitui;
  • Desvios de energia - os chamados "gatos" fazem com que os conectores sejam comprimidos e o alumínio fique amassado, perdendo força e aumentando o peso da rede;
  • Recebimento de uma carga elétrica muito alta - aquece a estrutura em demasia e causa fogo;
  • Ventos fortes - geram balanços e movimentos excessivos.

"Toda a rede elétrica fica exposta a intempéries do tempo, como chuva e vento. Além de ações humanas, por objetos que são jogados nela ou por 'gatos'. Tudo isso enfraquece a rede. Mas, em regiões litorâneas, a ação da maresia é muito forte, em questão de meses o aparelho pode ser danificado", pontua Eduardo.

Aliada a esses fatores, a falta de manutenção também pode agravar eventuais desgastes. "Teoricamente, os inspetores passam vistoriando as redes e devem registrar qualquer situação de risco ou anomalia. Com a inspeção, mais o planejamento, esses problemas devem ser detectados", garante.

Quanto ao que pode ser feito pela população o engenheiro sinaliza que é importante estar atento a duas situações: a oscilação da tensão (quando a luz fica variando de intensidade) e o faiscamento na rede. "Quando isso acontecer, é importante comunicar imediatamente a EDP", defende.

Sobre a morte da idosa, o engenheiro eletricista do Crea-ES esclarece que diversos fatores influenciam nesse tipo de caso e não existe uma descarga elétrica específica que gere o óbito em uma pessoa. "É muito relativo, não tem como mensurar. As condições físicas da pessoa, o calçado usado, a umidade do local... Tudo isso influencia", afirma.

O QUE DIZ A EDP

Concessionária responsável pela distribuição da energia elétrica na maior parte do Espírito Santo, incluindo Vila Velha, a EDP informou que "executa um programa contínuo de manutenção, conforme as normas técnicas", que "se solidariza com os familiares da vítima" e que "apura o ocorrido".

A empresa também alertou que não se deve "nunca tocar em fios e cabos caídos" e, em caso de ocorrências, "a distribuidora deve ser contatada pelo site, pelo aplicativo EDP online, por SMS para o número 28037 (com a mensagem 'Sem Luz') ou pela Central de Atendimento, no telefone 0800 721 0707".

RELEMBRE O CASO

No final da tarde dessa quarta-feira (26), a idosa Nair Magioni, de 65 anos, estava saindo de uma horta comunitária na Rua Amazonas quando um fio de alta tensão se desprendeu da rede e a atingiu. Um homem que estava no local tentou ajudá-la, mas não conseguiu. Ela morreu no local, eletrocutada.

Nair Magioni tinha 65 anos e morreu eletrocutada na Ponta da Fruta, em Vila Velha. Crédito: Reprodução/Facebook
Nair Magioni tinha 65 anos e morreu eletrocutada na Ponta da Fruta, em Vila Velha. Crédito: Reprodução/Facebook

Integrante da Guarda Municipal de Vila Velha, o subinspetor Meneli afirmou que quando a equipe chegou ao local, a vítima já estava sem vida. "Infelizmente, constatamos o rompimento desse cabo e pudemos observar que ela já havia morrido. Ainda estava passando tensão no fio. Não pudemos fazer nada", disse.

No local, um funcionário da EDP fez o contato com a concessionária e desligou a rede elétrica. A perícia da Polícia Civil também compareceu e fez a retirada do corpo. Porém, a corporação informou que o caso foi registrado como "morte acidental" e, dessa forma, não cabe instauração de procedimento investigatório.

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