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Publicado em 13 de outubro de 2025 às 12:14
Unidades prisionais do Espírito Santo passarão a utilizar novos equipamentos de bodyscan (escâner corporal, em tradução livre) e de raio-X, que contarão com inteligência artificial (IA) para auxiliar no processo de revista de visitantes.>
Atualmente, 12 equipamentos de revista corporal estão em funcionamento no Estado e, até o fim do primeiro trimestre de 2026, outros 18 vão começar a operar, além de 15 de raio-X. Os aparelhos já em uso terão atualização por meio de um novo software com o uso da IA, enquanto os próximos já serão instalados com a tecnologia. Para isso, o investimento do Programa de Ampliação e Modernização do Sistema Prisional, da Secretaria de Justiça (Sejus), é de R$ 11,7 milhões.>
O bodyscan é voltado para a detecção do que a pessoa que entra nos presídios em dia de visitas carrega no corpo. O equipamento pode identificar objetos escondidos em roupas ou sob elas e também se o visitante está tentando entrar na unidade com itens ilícitos (drogas, armas brancas ou de fogo e recados) nas partes íntimas e no estômago, por exemplo. >
Já o raio-X identifica itens em bolsas, malas, pacotes e em outros volumes que entram nas unidades prisionais do Estado. >
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Com a inteligência artificial, os equipamentos vão gerar imagens de verificação mais nítidas e contarão com um sistema integrado e padronizado para identificar itens proibidos que poderiam entrar nas unidades durante as visitas. O sistema também deve ter um cadastro dos visitantes para identificar as pessoas que visitam as unidades prisionais e possíveis atitudes suspeitas.>
Atualmente, quando um visitante chega a um presídio de regime fechado, por exemplo, ele passa por pelo menos seis etapas antes de ter contato com o detento: identificação na portaria; armazenamento de volumes (bolsas e pacotes) em um armário; verificação da identidade; passagem pelo escâner corporal (como o da foto acima), revista com um bastão detector de metais e passagem por um pórtico que também identifica objetos metálicos. >
Tudo isso, segundo Renan Lima Marcondes, chefe de segurança da Penitenciária Estadual de Vila Velha (PEVV III), instalada no Complexo Penitenciário de Xuri, garante a segurança dos servidores das unidades prisionais, dos visitantes e dos próprios detentos. Com os equipamentos de escâner atualizados, a expectativa, segundo ele, é de zerar tentativas de entrada com objetos ilícitos nas unidades.>
“Nesse processo, todos os nossos servidores serão capacitados por meio de cursos ministrados pela fabricante dos equipamentos. A máquina mostra as imagens para nós, mas temos nossa análise ocular, porque nada substitui a avaliação do servidor. Com isso, a inteligência artificial vai dar uma ênfase maior no que pode estar sendo carregado pela pessoa, dando agilidade e melhoria no funcionamento do sistema prisional”, diz Renan.>
Nas unidades prisionais do Espírito Santo, segundo a Secretaria da Justiça (Sejus), a revista com o uso dos equipamentos tecnológicos atende a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que, desde abril de 2025, proíbe a realização de revistas íntimas vexatórias (aquelas em que o visitante precisa ficar nu) em presídios. No Estado, porém, esse tipo de procedimento não é feito há mais de dez anos.>
O uso da tecnologia, segundo Rafael Pacheco, secretário de Justiça do Estado, reforça a segurança com inspeções mais eficazes e humanas nas unidades prisionais com modernização e eficiência na gestão penitenciária.>
“O Espírito Santo tem 37 unidades prisionais em três diferentes regimes (provisório, semiaberto e fechado) e, atualmente, estamos definindo os locais para instalação dos novos equipamentos, que devem funcionar, principalmente, nas unidades em que as visitas têm contato direto com os detentos (no regime semiaberto e no fechado)”, explica Pacheco.>
Segundo o secretário, pessoas identificadas nas revistas com itens ilícitos e irregulares estão sujeitas a sanções criminais e também administrativas, caso de uma mulher presa no fim de setembro por tentar entrar com maconha, haxixe e comprimidos no Complexo Penitenciário de Xuri, onde o marido dela está detido.>
“Se alguém tenta entrar com drogas, é algo ilícito. Então a pessoa pode ser detida e autuada. Já a pessoa que tenta entrar com um recado, que é algo irregular, a sanção é administrativa e ela pode ser impedida de fazer novas visitas”, pontua.>
Ele ainda explica que, se um visitante tenta entrar com algo nas unidades, também há previsão de responsabilização do detento que seria visitado.>
“A ação irregular ou ilícita do visitante será conectada ao preso, que pode ter um agravo na pena. Se alguém está levando drogas ou telefones para um presídio, é para beneficiar quem está lá dentro. Com isso, é feita uma responsabilização bilateral: de quem tenta entrar e de quem está detido”, argumenta Pacheco.>
Segundo a Sejus, os novos equipamentos tiveram a compra financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e, com a instalação, vão ter integração em rede, treinamento para operação com qualificação dos servidores para análise das imagens captadas, instruções sobre proteção radiológica e noções sobre a anatomia humana, além de garantia e assistência técnica por 60 meses.>
O investimento, ainda de acordo com a pasta, é voltado para ampliar e modernizar os serviços da Sejus, contemplando projetos de ressocialização, tecnologia, infraestrutura e sustentabilidade ambiental no Espírito Santo.>
A Sejus ainda ressalta que a visitação nas unidades prisionais do Estado ocorre apenas para pessoas devidamente registradas junto ao Centro de Cadastramento de Visitantes (Cecavi). Para o cadastro, é necessário preencher alguns requisitos, como o envio de documentação específica solicitada pela secretaria.>
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