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Presídios do ES vão usar IA para flagrar objetos proibidos em visitas

Presídios do ES vão usar IA para flagrar objetos proibidos em visitas

Investimento da Secretaria da Justiça é de R$ 11,7 milhões para a instalação e atualização de equipamentos de revista corporal em diferentes unidades prisionais

João Barbosa

Repórter / [email protected]

Publicado em 13 de outubro de 2025 às 12:14

Investimento da Secretaria da Justiça é de R$ 11 milhões para a instalação e atualização de equipamentos de revista corporal em diferentes unidades prisionais

Unidades prisionais do Espírito Santo passarão a utilizar novos equipamentos de bodyscan (escâner corporal, em tradução livre) e de raio-X, que contarão com inteligência artificial (IA) para auxiliar no processo de revista de visitantes.

Atualmente, 12 equipamentos de revista corporal estão em funcionamento no Estado e, até o fim do primeiro trimestre de 2026, outros 18 vão começar a operar, além de 15 de raio-X. Os aparelhos já em uso terão atualização por meio de um novo software com o uso da IA, enquanto os próximos já serão instalados com a tecnologia. Para isso, o investimento do Programa de Ampliação e Modernização do Sistema Prisional, da Secretaria de Justiça (Sejus), é de R$ 11,7 milhões.

O bodyscan é voltado para a detecção do que a pessoa que entra nos presídios em dia de visitas carrega no corpo. O equipamento pode identificar objetos escondidos em roupas ou sob elas e também se o visitante está tentando entrar na unidade com itens ilícitos (drogas, armas brancas ou de fogo e recados) nas partes íntimas e no estômago, por exemplo.

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Presídios do ES vão usar IA para flagrar objetos proibidos em visitas

Já o raio-X identifica itens em bolsas, malas, pacotes e em outros volumes que entram nas unidades prisionais do Estado.

Penitenciária Estadual de Vila Velha
Equipamentos serão atualizados na Penitenciária Estadual de Vila Velha, no Complexo Penitenciário de Xuri Crédito: Fernando Madeira

Com a inteligência artificial, os equipamentos vão gerar imagens de verificação mais nítidas e contarão com um sistema integrado e padronizado para identificar itens proibidos que poderiam entrar nas unidades durante as visitas. O sistema também deve ter um cadastro dos visitantes para identificar as pessoas que visitam as unidades prisionais e possíveis atitudes suspeitas.

Penitenciária Estadual de Vila Velha
Bodyscan instalado na Penitenciária Estadual de Vila Velha será atualizado com software de inteligência artificial Crédito: Fernando Madeira

Atualmente, quando um visitante chega a um presídio de regime fechado, por exemplo, ele passa por pelo menos seis etapas antes de ter contato com o detento: identificação na portaria; armazenamento de volumes (bolsas e pacotes) em um armário; verificação da identidade; passagem pelo escâner corporal (como o da foto acima), revista com um bastão detector de metais e passagem por um pórtico que também identifica objetos metálicos.

Tudo isso, segundo Renan Lima Marcondes, chefe de segurança da Penitenciária Estadual de Vila Velha (PEVV III), instalada no Complexo Penitenciário de Xuri, garante a segurança dos servidores das unidades prisionais, dos visitantes e dos próprios detentos. Com os equipamentos de escâner atualizados, a expectativa, segundo ele, é de zerar tentativas de entrada com objetos ilícitos nas unidades.

“Nesse processo, todos os nossos servidores serão capacitados por meio de cursos ministrados pela fabricante dos equipamentos. A máquina mostra as imagens para nós, mas temos nossa análise ocular, porque nada substitui a avaliação do servidor. Com isso, a inteligência artificial vai dar uma ênfase maior no que pode estar sendo carregado pela pessoa, dando agilidade e melhoria no funcionamento do sistema prisional”, diz Renan.

Penitenciária Estadual de Vila Velha
Penitenciária Estadual de Vila Velha Crédito: Fernando Madeira

Nas unidades prisionais do Espírito Santo, segundo a Secretaria da Justiça (Sejus), a revista com o uso dos equipamentos tecnológicos atende a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que, desde abril de 2025, proíbe a realização de revistas íntimas vexatórias (aquelas em que o visitante precisa ficar nu) em presídios. No Estado, porém, esse tipo de procedimento não é feito há mais de dez anos.

O uso da tecnologia, segundo Rafael Pacheco, secretário de Justiça do Estado, reforça a segurança com inspeções mais eficazes e humanas nas unidades prisionais com modernização e eficiência na gestão penitenciária.

“O Espírito Santo tem 37 unidades prisionais em três diferentes regimes (provisório, semiaberto e fechado) e, atualmente, estamos definindo os locais para instalação dos novos equipamentos, que devem funcionar, principalmente, nas unidades em que as visitas têm contato direto com os detentos (no regime semiaberto e no fechado)”, explica Pacheco.

Segundo o secretário, pessoas identificadas nas revistas com itens ilícitos e irregulares estão sujeitas a sanções criminais e também administrativas, caso de uma mulher presa no fim de setembro por tentar entrar com maconha, haxixe e comprimidos no Complexo Penitenciário de Xuri, onde o marido dela está detido.

“Se alguém tenta entrar com drogas, é algo ilícito. Então a pessoa pode ser detida e autuada. Já a pessoa que tenta entrar com um recado, que é algo irregular, a sanção é administrativa e ela pode ser impedida de fazer novas visitas”, pontua.

Ele ainda explica que, se um visitante tenta entrar com algo nas unidades, também há previsão de responsabilização do detento que seria visitado.

“A ação irregular ou ilícita do visitante será conectada ao preso, que pode ter um agravo na pena. Se alguém está levando drogas ou telefones para um presídio, é para beneficiar quem está lá dentro. Com isso, é feita uma responsabilização bilateral: de quem tenta entrar e de quem está detido”, argumenta Pacheco.

Segundo a Sejus, os novos equipamentos tiveram a compra financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e, com a instalação, vão ter integração em rede, treinamento para operação com qualificação dos servidores para análise das imagens captadas, instruções sobre proteção radiológica e noções sobre a anatomia humana, além de garantia e assistência técnica por 60 meses.

O investimento, ainda de acordo com a pasta, é voltado para ampliar e modernizar os serviços da Sejus, contemplando projetos de ressocialização, tecnologia, infraestrutura e sustentabilidade ambiental no Espírito Santo.

A Sejus ainda ressalta que a visitação nas unidades prisionais do Estado ocorre apenas para pessoas devidamente registradas junto ao Centro de Cadastramento de Visitantes (Cecavi). Para o cadastro, é necessário preencher alguns requisitos, como o envio de documentação específica solicitada pela secretaria.

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