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Por que máscaras com válvulas foram proibidas nos voos no ES?

Seguindo outras companhias aéreas, a Latam passará a adotar o protocolo a partir de março; especialista explica o motivo e dá orientações

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 22/02/2021 às 19h04
Atualizado em 22/02/2021 às 22h19
Empresas terão que adotar máscaras no ambiente de trabalhomá
Máscaras com válvulas são menos eficazes para conter a transmissão do novo coronavírus. Crédito: OrnaW/Pixabay

Atenção, se você pretende viajar pelo Aeroporto de Vitória: a partir da próxima segunda-feira, dia 1º de março, qualquer passageiro que tentar embarcar usando máscaras com válvulas ou máscaras improvisadas – com lenços e bandanas, por exemplo – poderão ser impedidos de viajar.

Nesta data, o protocolo já adotado pelas companhias aéreas Azul e Gol também passará a valer nos voos operados pela Latam. Desta forma, todos os embarques realizados no terminal estarão sob a mesma regra. O objetivo é tornar as viagens mais seguras e evitar a transmissão do novo coronavírus.

A medida vai ao encontro de recomendações feitas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata, na sigla em inglês). Mas por que as máscaras com válvulas estão sendo proibidas? Qual o problema ou a limitação que elas apresentam?

ENTENDA

Doutora em epidemiologia e colunista de A GazetaEthel Maciel lembra que esse tipo de máscara não tem sido recomendado desde o ano passado. Em setembro, por exemplo, o Canadá já havia proibido o uso delas em voos, com base em um estudo publicado na revista científica Physics of Fluids.

"Faz um tempo que existe essa orientação, porque as máscaras com válvulas filtram o ar para quem está usando, no momento da inspiração. Porém, na expiração, elas permitem que as partículas escapem pela válvula, sem serem filtradas. Ou seja, se a pessoa estiver infectada, vai colocar quem estiver perto em risco", explica.

Ethel Maciel

Doutora em epidemiologia

"É uma máscara egoísta, porque protege quem está usando, mas não impede que a pessoa do lado se contamine"

Segundo a especialista, a decisão de impedir a improvisação de máscaras com o uso de lenços, echarpes ou bandanas também é acertada. "Nesses casos, acabam tendo vários espaços que permitem que o ar escape. É totalmente desaconselhável. A máscara deve ficar bem ajustada ao rosto para ser eficaz", afirma.

Atualmente, depois de um estudo do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos, há ainda a recomendação para se usar duas máscaras de tecido ao mesmo tempo. "Dessa forma, a filtragem de partículas virais aumenta em 90%. Se for usar uma cirúrgica, ela deve ficar por baixo da de pano", orienta.

RECOMENDAÇÕES AOS VIAJANTES

A pandemia não acabou, tampouco está controlada. Nas últimas semanas, o Brasil vem apresentando mais de 1.000 mortes por dia. No entanto, se você vai viajar, é importante tomar todos os cuidados possíveis e se proteger corretamente. Veja quais as dicas dadas por especialistas:

  • Dê preferência para máscaras do tipo PFF2 ou N95, que têm maior capacidade de filtragem e podem ser usadas por até 12 horas;
  • Se não for possível, coloque duas máscaras de pano ou uma cirúrgica por baixo e a de tecido por cima;
  • As máscaras descartáveis e de tecidos devem ser trocadas a cada três horas ou sempre que apresentarem umidade;
  • Em viagens de ônibus ou avião, é melhor fazer a troca das máscaras no banheiro, lavando as mãos antes e depois do procedimento;
  • Após a troca, as máscaras de tecido podem ser guardadas de forma isolada para serem usadas depois da lavagem adequada; já as cirúrgicas devem ser descartadas após o uso.

O QUE EXIGE CADA COMPANHIA AÉREA

Atualmente, o Aeroporto de Vitória recebe voos de três companhias aéreas: Latam, Azul e Gol. A reportagem de A Gazeta entrou em contato com todas para saber quais as orientações em relação ao uso das máscaras. Sem exceção, elas proíbem o embarque de passageiros com máscaras com válvulas ou improvisadas.

Azul

Seguindo recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde, a companhia aérea orienta que os passageiros usem máscaras cirúrgicas descartáveis, caseiras de tecido ou máscaras de alta eficiência com elemento filtrante, como a PFF2 e a N95.

"O passageiro é impedido de embarcar se estiver utilizando máscara com válvula ou com objetivo improvisado, como no caso de bandanas. Porém, disponibilizamos máscaras cirúrgicas a bordo que podem ser utilizadas pelos clientes", afirma a Azul, que relatou não estar "registrando problema com esse item no embarque".

Latam

A partir de março deste ano, a companhia vai aceitar apenas máscaras cirúrgicas, FFP2 (KN95) sem válvulas, FFP3 (N95) sem válvulas e máscara de pano (sem válvulas). A responsabilidade de providenciar a proteção é dos passageiros, que devem ficar atentos a exigências dos países de chegada, em caso de voos internacionais.

"Os passageiros que compareceram ao embarque com máscara fora do padrão não poderão embarcar se não a possuírem ou substituírem a utilizada por uma das alternativas permitidas", garante a companhia aérea, em comunicado divulgado no último dia 5 de fevereiro.

Gol

Considerando o atual momento da pandemia, incluindo o surgimento das variantes do novo coronavírus, a companhia aérea permite apenas a utilização de máscaras cirúrgicas descartáveis, máscaras de tecido com tripla camada e máscaras dos modelos FPP2 e N95, ambos sem válvula.

"A Gol adapta constantemente os procedimentos de forma a garantir a segurança dos clientes e colaboradores, de acordo com a evolução do entendimento das autoridades de saúde brasileiras e mundiais. Bem como esclarece que não disponibiliza máscaras aos passageiros, que são impossibilitados de embarcar sem a máscara dos modelos adequados", diz em nota.

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