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O que será feito para tentar inibir os ataques aos ônibus no ES?

Em apenas dez dias, quatro ônibus sofreram ataques e foram incendiados na Grande Vitória. Secretaria de Segurança promete reação

Publicado em 31/07/2020 às 19h05
Ônibus é incendiado em Portal de Jacaraípe
Ônibus é incendiado em Portal de Jacaraípe. Crédito: Internauta

Em apenas dez dias, quatro ônibus sofreram ataques e foram  incendiados na Grande Vitória. Em algumas das ações, um detalhe em comum: homens armados deixam recados reclamando do sistema prisional antes de atear fogo nos veículos. No meio desses atentados, estão trabalhadores e passageiros que precisam usar o transporte público diariamente.

Indagada sobre o que está sendo feito para tentar inibir esses crimes, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) afirmou que está desenvolvendo algumas ações que envolvem serviço de inteligência e intensificação do policiamento ostensivo.

primeiro caso foi registrado em Ipanema, Viana, no dia 20 de julho. O segundo ataque ocorreu no mesmo dia, após cerca de 10 minutos, em Roda D'água, Cariacica. Dez dia depois, na última quinta-feira (30), outro caso foi registrado no município, no bairro Itacibá. Horas depois, no mesmo dia, outro ônibus foi incendiado em Jacaraípe, na Serra. 

"A investigação envolve bairros não centrais. Mas independente do local e de quem esteja fazendo, a determinação da nossa equipe é atuar forte para identificar e punir esses indivíduos. Temos um contingente forte no setor de inteligência e  investigação da Polícia Civil, e as operações da Polícia Militar continuam", afirmou  o secretário Alexandre Ramalho. 

De acordo com Ramalho, diante de cada problema que acontece na segurança pública do Estado, a Sesp é obrigada a repensar o planejamento policial ostensivo. No caso dos ataques aos ônibus não será diferente. "Temos feito ações contundentes contra o tráfico de entorpecentes na tentativa de prender homicidas e reduzir assassinatos. Vamos continuar fazendo isso, mas vamos remodelar o planejamento",  ressaltou. 

 O secretário listou algumas ações que vão ser colocadas em prática: 

  • Redirecionar e intensificar o policiamento ostensivo em bairros, de acordo com os levantamentos do serviço de inteligência;
  • Realizar mais operações e abordagens aos coletivos;
  • trabalho mais intenso dos serviços de inteligencia e investigação.

TRANSFERÊNCIA DE PRESOS

Durante os ataques, os criminosos deixaram recados avisando que os crimes eram em represália ao Estado, reclamando das condições dos presídios e da falta de visitas - suspensas desde março por causa da pandemia do novo coronavírus. Eles também afirmaram que farão ações caso as exigências não sejam atendidas.

O comandante-geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Douglas Caus, defendeu que os suspeitos de atuarem e de coordenarem os ataques sejam transferidos para um presídio federal.

"A opinião da minha instituição sobre esses indivíduos que colocam fogo em ônibus, bem como aqueles que determinam a queima dos coletivos, é a transferência imediata para o sistema prisional federal. Afrontar a população capixaba e o Estado dessa forma... A transferência para fora do Estado é um remédio plenamente aplicável", disse.

O coronel completou que a Polícia Militar está trabalhando com a Polícia Civil para encontrar as criminosos que colocaram fogo nos ônibus e que irá realizar policiamento nos locais afetados para tentar coibir novas ações. 

O secretário de Segurança, Alexandre Ramalho,  afirmou que não irá tolerar esse tipo de ação no Espírito Santo. "O Estado não pode aceitar esse tipo de situação, independente da causa e do motivo. O recado que fica: claro que coibir isso na ostensividade é muito difícil porque isso é feito de modo covarde, quando não tem pessoas circulando, quando a Polícia Militar está distante daquele local, mas nós temos inteligência forte, integrada com o sistema prisional", afirmou.

Incêndio a ônibus na Grande Vitória
Incêndio a ônibus na Grande Vitória. Crédito: Montagem A Gazeta

INVESTIGAÇÃO

A Polícia Civil irá investigar se as ordens partiram dos presídios e como teriam saído das unidades prisionais, já que as visitas estão suspensas.

"Vamos investigar essas questões. Atuar ainda mais forte na inteligência e investigação para saber quem, de fato, dá essas ordens. Caso tenha relação com os presídios, identificar quem está dando as ordens de dentro da unidade prisional e, já que não tem visita, como que essas ordens estão saindo lá de dentro", declarou o secretário Alexandre Ramalho.

A Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), que administra os presídios capixabas, disse que não compactua com qualquer ato de maus tratos. "Denúncias de agressão cometida nas unidades podem ser encaminhadas à Corregedoria para devida apuração dos fatos" , finalizou.

ÔNIBUS CONTINUAM RODANDO

Procurada pela reportagem, a Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Estado do Espírito Santo (Ceturb/ES) ressaltou que "a programação dos ônibus permanece inalterada, com todos os horários sendo cumpridos".

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