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'Minha filha não vai': pais reclamam sobre matrículas em outras cidades do ES

'Minha filha não vai': pais reclamam sobre matrículas em outras cidades do ES

Famílias da Grande Vitória relatam, nas redes sociais de A Gazeta, transtornos com distribuição de vagas da rede estadual, muitas vezes, em municípios diferentes de onde os alunos residem

Eduarda Lisboa

Reporter / [email protected]

Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 14:54

 - Atualizado há 17 horas

Pais de alunos da Grande Vitória e de outras regiões do Espírito Santo usaram as redes sociais para desabafar sobre a distribuição de vagas na rede pública estadual de ensino, divulgada na quarta-feira (7) pela Secretaria de Estado de Educação (Sedu). Os relatos deixados em publicações de A Gazeta surgiram após estudantes serem matriculados em escolas distantes de suas residências, muitas vezes em municípios diferentes.

Os responsáveis e alunos também demonstraram insatisfação com a inclusão em turmas de tempo integral sem solicitação prévia, apontando impactos na rotina familiar e escolar. A Sedu afirmou que as vagas foram distribuídas por alocação automatizada quando não houve disponibilidade na escola escolhida, o que, em alguns casos, resultou em matrícula em outros municípios, situação que está sendo analisada.

Nesta quinta-feira (8), o secretário de Estado da Educação, Vitor de Angelo, admitiu que houve um erro na distribuição de matrículas da rede estadual. Ele garantiu que o problema será solucionado e não será necessário que alunos estudem em escolas longe das cidades onde residem. 

Sedu
Sede da Secretaria de Estado da Educação - Sedu Crédito: Carlos Alberto Silva

Nos comentários, pais relatam surpresa e indignação ao descobrir que os filhos foram encaminhados para unidades distantes, mesmo após a indicação de opções no momento da inscrição. “Moramos em Eldorado, na Serra, e minha filha foi colocada na Ilha das Caieiras (Vitória)”, escreveu uma mãe. Em outro relato, uma família de Cariacica contou que a alocação foi feita para uma escola em Guarapari, o que torna inviável o deslocamento diário. Há ainda registros de estudantes direcionados para municípios ainda mais distantes.

Moro na Serra, mandaram meu filho para Ibiraçu. Cancelei a matrícula. Agora, ele entrou na suplência. Um absurdo isso!

Keilla Marques Nogueira

Nos comentários do Instagram de A Gazeta.

Para muitos responsáveis, a decisão compromete toda a organização familiar. Horários de trabalho, transporte público limitado e a segurança dos estudantes aparecem como preocupações constantes nos relatos. “Organizamos nossa vida pensando em distância e horário. Causa ainda mais revolta ouvir que 'não pode ser feito nada', como se a situação fosse normal. Isso demonstra falta de sensibilidade e respeito com as famílias”, escreveu Rosimere Reinholz, mãe de Cariacica, ao relatar que a filha foi matriculada na Serra.

Já Lu Verissimo disse que não vai deixar a filha estudar em outro município: "Um absurdo sem tamanho! Minha filha mora em Viana e mandaram ela para Vila Garrido, Vila Velha! Não vai mesmo!".

Além dos pais, os próprios estudantes passaram a se manifestar. Alguns relatam cansaço extremo, medo e até a possibilidade de abandonar temporariamente os estudos diante das dificuldades impostas pelo deslocamento. A exemplo dos pais, eles também criticaram a Sedu, afirmando falta de planejamento. 

Sou da Serra e fui mandada para Vila Velha. Eles falaram que não tem vaga, mas também com a confusão que fizeram... Tenho certeza que, do mesmo jeito que estou ocupando o lugar de alguém na escola de Vila Velha, também tem gente de outro município ocupando vagas nas escolas aqui da Serra!

Estudante da Serra

Nos comentários do Instagram de A Gazeta.

Outro ponto recorrente nas reclamações é a inclusão de alunos em turmas de tempo integral sem que essa opção tenha sido escolhida pelas famílias durante a inscrição. Priscila Cândido contou nos comentários da publicação de A Gazeta que, mesmo optando pelo contrário durante o preenchimento de matrícula, a filha foi encaminhada para uma escola em tempo integral. A adolescente vai passar a sair do colégio à noite, em um horário em que não há transporte público na região onde mora, o que gera preocupação com a segurança.

“Não inscrevi minha filha no integral, mas a colocaram no integral. Absurdo não termos direito de escolha. Não podemos colocar nossos filhos em escolas mais perto. Minha filha sairá 19h20 da escola. Moro em um morro onde não passa ônibus esse horário. Ela terá que pegar outro ônibus e andar a pé um pedaço. Sendo que esse horário é perigoso. Terei que buscá-la todos os dias”, desabafou Priscila.

Orientação aos pais

Em entrevista ao Bom Dia Espírito Santo nesta quinta (8), Vitor de Angelo admitiu que houve erro no sistema em que são processadas as vagas. "De fato, nós tivemos um problema. É mais pontual do que parece, mas é um problema real para as famílias que foram atingidas por essa situação", declarou.

Ele garantiu que os estudantes não vão estudar em escolas longe de suas residências. "Foge completamente da razoabilidade imaginar alguém que está em Jacaraípe (Serra) e o filho ser designado para estudar em Ilha das Caieiras (Vitória). É lógico que isso não vai acontecer, porque entre Jacaraípe e Ilha das Caieiras a gente tem outras escolas e foi um erro do sistema, que em alguns casos produziu essas situações, que gerou angústia, insegurança nos pais", manifestou.

Apesar das garantias, muitos responsáveis relataram apreensão diante da possibilidade de os filhos não serem chamados para nenhuma escola após o prazo. “Ano passado, meu filho ficou sem vaga em escola por causa dessa distribuição, e a Sedu nada fez para me ajudar”, contou Nalva Marques, pelas redes socias.

O que diz a Sedu

Por meio de nota, a Sedu disse que os casos de estudantes que foram alocados em escolas diferentes das escolhidas ocorreram em razão de ajustes automáticos no sistema e estão sendo analisados pontualmente pelas equipes técnicas. "As correções estão em andamento, sem prejuízo ao direito à vaga, e não há necessidade de novo cadastro no sistema", afirma a secretaria.

Ainda de acordo com a Sedu, pais ou responsáveis devem entrar em contato, presencialmente ou por telefone, com a Superintendência Regional de Educação do município do estudante para atendimento, esclarecimentos e apoio na definição da vaga escolar.

Defensoria abre procedimento

A Defensoria Pública do Espírito Santo (DPES), por meio da Coordenação e do Núcleo Especializado da Infância e Juventude, informou ter instaurado procedimento administrativo para apurar os possíveis problemas na chamada escolar da Sedu, envolvendo a matrícula de estudantes da rede pública estadual.

"Como parte das providências adotadas, foi encaminhado ofício à Secretaria de Estado da Educação, solicitando informações e documentos sobre a situação relatada. A Defensoria Pública segue acompanhando o caso e adotará as medidas cabíveis, caso sejam constatadas irregularidades, para proteger o direito fundamental à educação de crianças e adolescentes", disse a instituição.

Atualização
08/01/2026 - 17:13hrs
O texto foi atualizado com nota enviada pela Secretaria de Estado da Educação e informação sobre procedimento aberto pela Defensoria Pública do Espírito Santo.

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