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Mais da metade dos mortos pela Covid-19 no ES tinha problemas cardíacos

No Espírito Santo, segundo dados do último boletim epidemiológico da Sesa, as doenças cardiovasculares estão presentes em 56% dos óbitos confirmados por Covid-19

Publicado em 02/08/2021 às 09h44
Célula infectada com a variante do Reino Unido do Sars-CoV-2
Célula infectada com Sars-CoV-2 . Crédito: NIAID

Um paciente que já é de risco e se torna de alto risco quando é contaminado pelo coronavírus. Assim são consideradas as pessoas com doenças cardiovasculares durante a pandemia da Covid-19.

No Espírito Santo, segundo dados do último boletim epidemiológico da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), as doenças cardiovasculares estão presentes em mais da metade (56%) dos óbitos confirmados por Covid-19.

Em seguida, a diabetes (20%) e a obesidade (8,4%) são as doenças mais associadas aos óbitos causados pela Covid-19. 

A médica cardiologista e presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia do Espírito Santo (SBC/ES), Tatiane Emerich, explica que o paciente com doença cardiovascular já é considerado um paciente de risco.

“Esses pacientes já precisam ter cuidados especiais no dia a dia, fazem uso de mais medicamentos e precisam estar atentos à saúde de modo geral. Quando acometidos por outra doença grave como a Covid-19, há o comprometimento de dois órgãos essenciais, o pulmão e o coração. É assim que o risco de morte se torna maior do que o de alguém que tem o coração em funcionamento pleno”, explica.

Emerich acrescenta ainda que a Covid-19 é uma doença inflamatória, que pode causar inflamação também no coração.

“Os que temos visto nos pacientes cardiovasculares com Covid-19 é uma inflamação sistêmica, que causa um desequilíbrio em todo o organismo humano. O coração pode sofrer diretamente com essa inflamação, tendo miocardite, que é a inflamação do músculo cardíaco, ou pericardite, que é a inflamação do revestimento externo do coração, por exemplo. Além disso, outros órgãos podem ser comprometidos, como os rins”, pontua.

CUIDADOS APÓS A VACINAÇÃO

A vacinação em quem tem comorbidade cardiovascular começou em maio no Espírito Santo. Dentre as doenças elencadas pela nota técnica da Secretaria Estadual de Saúde, insuficiência cardíaca, valvopatias, arritmias cardíacas, doenças da aorta, dos grandes vasos e fístulas arteriovenosas são algumas das consideradas mais perigosas.

Apesar da imunização neste público, a médica Tatiane Emerich alerta que é preciso manter os cuidados para evitar a contaminação pela doença mesmo após a vacinação.

“Mesmo quando está vacinada, a pessoa pode transmitir a doença. E a pessoa com um problema cardiovascular precisa ter cuidado acima de tudo, pois tem mais chance de precisar de uma internação. É fundamental manter o uso da máscara, usar álcool em gel, evitar ambientes fechados e fazer exercícios ao ar livre. Os exercícios são essenciais, mas devem ser feitos em locais onde há menos risco de contaminação”, salienta.

O cardiologista Eduardo Castro destaca que esse público deve completar o esquema vacinal a fim de estarem mais protegidos contra a doença. “Não importa a vacina que a pessoa tomou, é fundamental receber as duas doses. É um público que tem mais chances de desenvolver a Covid-19 na forma mais grave, e, por isso, precisa ter mais cuidado”, explica.

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