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Governo federal quer dividir a Ufes em duas universidades; entenda a proposta

Presidente Jair Bolsonaro demonstrou interesse em transformar o que ele chamou de "puxadinhos" da Ufes em novas instituições de ensino superior

Publicado em 19/10/2021 às 21h23
Murais de mosaico na Grande Vitória
Universidade diz não ter sido consultada para projeto de separação. Crédito: Vitor Jubini

O governo federal estuda desmembrar as unidades da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) que ficam no Sul do Estado para a criação de uma nova universidade. A ideia é unir os campi de Alegre e de Jerônimo Monteiro em uma nova instituição.

A possível criação da Universidade Federal do Vale do Itapemirim (UFVI), como vem sendo chamada por articuladores do projeto, pegou de surpresa a própria Ufes, que disse não ter sido consultada para qualquer iniciativa do gênero. Segundo a instituição, trata-se um desrespeito ao princípio constitucional da autonomia universitária.

O projeto, porém, tem o apoio dos prefeitos do Sul do Estado e da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amuness). Até o governador Renato Casagrande se disse favorável “desde que não fragilize a Ufes".

No início do mês, em vídeo publicado pelo ex-senador Magno Malta, o presidente Jair Bolsonaro falou sobre o assunto. Ele afirmou que já acionou o Ministério da Educação (MEC) para transformar o que ele chama “puxadinhos” em novas universidades no país.

“Ele (ministro da Educação) fez o planejamento e, nos próximos dias, vamos anunciar os primeiros seis puxadinhos que serão novas universidades. O Espírito Santo vai ter uma das primeiras novas universidades do Brasil, praticamente quase sem novo custo”, disse o presidente na ocasião.

Os “puxadinhos” em questão seriam os Centros de Ciências Agrárias e Engenharias (CCAE) e do Centro de Ciências Exatas, Naturais e da Saúde (CCENS).

3,5 mil

é o número de alunos de graduação que estudam em Alegre e Jerônimo Monteiro

A criação de novas universidades é prerrogativa do governo federal. Assim, precisa partir do Planalto um projeto de lei para que isso ocorra.

Contudo, os deputados Neucimar Fraga (PSB) e Evair de Melo (PP) protocolaram propostas similares em maio e junho deste ano. A intenção é de que os textos sirvam de “inspiração” para o projeto preparado pelo MEC.

O texto de Evair sugere que haja uma transferência das instalações do campus da Ufes em Alegre, bem como o Departamento de Ciências Florestais e da Madeira, em Jerônimo Monteiro, para integrar o patrimônio da UFVI.

Da mesma forma, argumenta que não seriam necessários contratar servidores novos, pois já existem os servidores necessários no local, fazendo com que o custo inicial para a criação da nova universidade seja, segundo ele, “reduzido”.

GRANDE PREJUÍZO

O reitor da Ufes, Paulo Vargas, afirmou que o desmembramento das unidades de Alegre e Jerônimo Monteiro significa uma perda muito grande para a universidade.

Ele afirmou que a Ufes é, atualmente, considerada uma universidade de porte médio. Ainda assim, vem se consolidando no cenário nacional e internacional como instituição de qualidade em produção acadêmica e técnico-científica.

“Perder essa parte substancial que compõe nossa universidade é um grande prejuízo. A universidade deixa de performar nesses rankings. A Ufes fica menor”, diz.

Por outro lado, ele afirma que, sozinhas, as unidades do Sul do Estado teriam um porte pequeno demais, o que também seria prejudicial.

“O risco é constituir uma universidade com porte muito reduzido, com capacidade bastante reduzida de fazer avançar o quadro de pesquisa”, afirma.

Segundo o reitor, assim como acontece em outras universidades do país, as unidades da Ufes no Sul do Estado sofreram financeiramente com os reiterados cortes nos repasses feitos pelo governo federal nos últimos anos.

Os campi de Alegre e Jerônimo Monteiro correspondem a cerca 17% do orçamento da universidade. Dos pouco mais de 20 mil alunos de graduação da Ufes, 3,5 mil frequentam essas unidades, além de 400 alunos de pós-graduação. Eles contam atualmente com 240 professores.

De acordo com o reitor, os dois centros possuem dificuldades na atualidade, com carência de infraestrutura. "O próprio campus de Alegre é esgotado em termos de capacidade de expansão física. Não teria como viabilizar novas construções na unidade que fica na sede do município", diz.

A Gazeta procurou o MEC para saber detalhes do projeto que o ministério prepara, mas não obteve retorno.

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