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Farmácias do ES registram desabastecimento de remédios para gripe

Algumas redes sofrem com a escassez de antitérmicos, analgésicos e xaropes; Conselho Regional de Farmácia fala em aumento de até 200% na demanda

Tempo de leitura: 3min
Vitória
Publicado em 10/01/2022 às 21h18

Se você teve sintomas como febre, tosse e dor no corpo e procurou algum medicamento para combater esses incômodos recentemente, pode ser que não tenha conseguido algum específico – é que as farmácias do Espírito Santo estão sofrendo com o desabastecimento de alguns remédios para gripe.

Devido ao surto de H3N2 que começou em dezembro do ano passado, o Conselho Regional de Farmácia do Estado (CRF-ES) registrou um aumento de até 200% na demanda de medicamentos antitérmicos, analgésicos e xaropes. Combinado com o esquema de estoque mínimo, o resultado foi a escassez.

Leandro Passos

Farmacêutico e presidente do Conselho Regional de Farmácia do Espírito Santo (CRF-ES)

"Houve uma procura aumentada em um período atípico. Como o mercado farmacêutico trabalha com o mínimo de estoque, as farmácias não estavam abastecidas para essa demanda e gerou essa sensação de que está faltando, mas é apenas uma escassez"

À frente da instituição, o farmacêutico Leandro Passos esclarece que o problema seria mais grave – configurando "falta" de medicamentos – se não houvesse matéria-prima para fabricar os remédios. "Não é isso que estamos observando. As indústrias têm o princípio ativo e vão conseguir repor", garante.

Leandro Passos é farmacêutico e presidente do Conselho Regional de Farmácia do Espírito Santo (CRF-ES)
Leandro Passos é farmacêutico e presidente do Conselho Regional de Farmácia do Espírito Santo (CRF-ES). Crédito: Divulgação | CRF-ES

O cenário, segundo ele, é generalizado e afeta as farmácias de Norte a Sul do Estado. A expectativa é que o abastecimento seja normalizado em até duas semanas. Enquanto isso, podem ser mais difíceis de achar, os chamados "itens de venda livre". Ou seja, que não exigem receita médica na compra.

Leandro Passos

Farmacêutico e presidente do Conselho Regional de Farmácia do Espírito Santo (CRF-ES)

"A automedicação é um grande mal que tentamos combater há anos. A nossa orientação é para que as pessoas não se precipitem: procurem um profissional de saúde e se informem sobre a necessidade de tomar algum remédio"

De acordo com Leandro Passos, a população pode – e deve – pedir o auxílio dos próprios farmacêuticos antes de comprar algum medicamento. A triagem que esses trabalhadores podem fazer, segundo ele, ganha ainda mais importância em momentos como o atual, por dois motivos principais.

"O farmacêutico vai promover o uso racional do medicamento e isso ajuda na questão do desabastecimento. Por outro lado, ele também tem como avaliar se é preciso um atendimento mais aprofundado por um médico, por exemplo, e encaminhar a pessoa para uma unidade de saúde", explica.

A SITUAÇÃO DAS FARMÁCIAS NO ES

Para elaboração desta reportagem, a equipe de A Gazeta entrou em contato com algumas das principais redes de farmácias com unidades no Espírito Santo. Todas confirmaram o aumento na procura de medicamentos contra a gripe e duas também sinalizaram desabastecimentos parciais.

Coordenadora de compras da rede Santa Lúcia, Adna Rodrigues contou que houve escassez de corticoides e de antibióticos de suspensão, destinados ao público infantil. "Essa falta começou na última semana de dezembro, quando teve um boom e as distribuidoras principais ficaram sem", disse.

Idosos podem solicitar a cor da cápsula dos manipulados para diferenciar os remédios
Alguns remédios podem ser comprados sem receita médica, mas isso não significa que as pessoas devam comprá-los sem orientação de um profissional. Crédito: Reprodução | Freepik

Com 48 lojas distribuídas no Estado, ela contou que não chegou a zerar em toda a rede, mas que houve rupturas em algumas unidades. "A venda de dezembro foi muito superior ao período sazonal (inverno). Dependendo do produto, a procura dobrou. Fazemos um monitoramento diário", completou.

Em nota, a Drogaria Pacheco também comentou que percebeu um aumento significativo na procura por antigripais nas últimas semanas e que a demanda foi 98% maior nos primeiros nove dias de janeiro em relação ao mesmo período do ano passado, e de 70% com o intervalo equivalente de dezembro.

"A companhia trabalha no monitoramento e ressalta que não há medicamentos em falta no momento, e em eventual indisponibilidade, há ação coordenada para reposição por meio de uma força-tarefa", garantiu. Na rede, os medicamentos mais procurados são xaropes, antigripais e o antiviral Tamiflu.

Por fim, a Drogasil afirmou que "a demanda por produtos de combate aos sintomas de gripe cresceu muito" e que "está atuando na reposição dos estoques para o abastecimento das próprias lojas para os próximos dias". As redes Pague Menos e a Cibien não retornaram aos nossos contatos.

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