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ES registra surto de gripe e especialistas alertam para reforço na vacinação

Estado está sendo atingido por uma extensão da epidemia de influenza, que iniciou no Rio de Janeiro e logo em seguida em São Paulo, explicou o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes

Tempo de leitura: 7min
Vitória Apart Hospital
Pronto Atendimento do Vitória Apart Hospital, na Serra. Crédito: Carina Leal Boechat

Espírito Santo registra aumento do número de casos de influenza, o que tem deixado as unidades de saúde dos municípios, e até dos hospitais privados, lotadas de pacientes. Também foi constatado um crescimento no número de testes de vírus respiratórios realizados pelo Laboratório Central (Lacen).

Para infectologistas, o Estado já vive um surto de gripe, que acontece quando ocorrem mais casos do que o registrado até o momento analisado.

O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, explicou que estamos sendo atingidos por uma extensão da epidemia de influenza, que iniciou no Rio de Janeiro e logo em seguida em São Paulo. “Acompanhamos crescimento dos dois estados, que não tem impactado em internações e óbitos, mas é preciso que a população procure a vacinação contra a influenza disponível nos municípios”, destacou.

Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), descartou em terras capixabas a presença da nova variante do influenza (H3N2), a cepa Darwin, apontada como mais transmissível e presente no Rio. Mas informou que a procura por unidades de Pronto Atendimento superou a quantidade estimada para a época, com aumento também de exames analisados e da taxa de positividade por influenza.

“Em outubro, por exemplo, a taxa de exames positivos era de 0,04%, e em dezembro, até o dia 13, registrou-se taxa de positividade crescente de 7,3% em todo o Estado”, informou nota da Sesa.

Em Vitória, o aumento de pacientes com sintomas da gripe ocorre desde o último fim de semana, tanto nas unidades básicas de Saúde quanto nos prontos atendimentos. De acordo com a Secretaria de Saúde da Capital, desde sábado (11) foi registrado um crescimento de 71% de queixas relacionadas a sintomas respiratórios no PA da Praia do Suá, e 41% no PA São Pedro.

Na Serra, a Secretaria de Saúde informa que, nos últimos dias, as Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) receberam 60% a mais de pacientes com sintomas gripais.

“Os pacientes estão chegando com sintomas gripais, mas estáveis. Eles são atendidos, medicados e liberados. Nos adultos, os casos mais crônicos ainda não estão relacionados à influenza. Agora, quanto às crianças, elas têm apresentado a síndrome gripal mais aguda, o que demanda uma atenção maior", informou, em nota, a Prefeitura da Serra.

Em Cariacica, só no Pronto Atendimento do Trevo de Alto Lage foram realizados, nesta terça-feira (14), 900 atendimentos. A Secretaria de Saúde (Semus) da cidade informa que está otimizando os atendimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos prontos atendimentos, com ofertas de mais consultas, a fim de reduzir o tempo de espera.

Com as unidades de saúde e prontos atendimentos lotados, a Sesa orienta os municípios a separar as recepções para pacientes com síndrome respiratória e das demais pessoas que buscam tratamento, bem como intensificação da oferta de vacinação tanto de Influenza quanto de Covid-19 para grupos de mais risco e profissionais de saúde.

Vitória Apart Hospital
Vitória Apart Hospital, na Serra. Crédito: Carina Leal Boechat

HOSPITAIS PRIVADOS

A situação não é diferente em alguns hospitais privados. No Pronto Atendimento do Vitória Apart Hospital, na Serra, Carina Leal Boechat registrou a recepção lotada de pacientes em busca de tratamento.

“Uma recepção superlotada, com pacientes com sintomas gripais misturados com idosos e crianças, com clientes sentados no chão”, explicou.

Por nota o Vitória Apart Hospital esclarece que nas últimas 72 horas registrou um aumento muito além do normal na procura por atendimento em suas unidades, dobrando o volume de pessoas em seus Pronto-Socorro e unidades avançadas. Veja íntegra da nota ao final da matéria.

VACINAÇÃO CONTRA GRIPE

Segundo Nésio Fernandes, foi pactuado com os 78 municípios capixabas a aplicação nos próximos 15 dias de meio milhão de doses contra a influenza, com meta de 50 vacinas/dia para cada posto.

No Estado a cobertura vacinal no grupo de maior risco para a gripe, os idosos, está abaixo do preconizado, sendo apenas 75% dos idosos vacinados, quando a meta é 90%. “O que pode gerar aumento do número de casos graves da doença, incluindo internações e óbitos. Ainda não há registro de aumento de internação pela doença”, destaca a Sesa, em nota.

Em Vitória, a cobertura vacinal de influenza para os grupos prioritários está em 80,4%. Mas a secretária de Saúde de Vitória, Thais Cohen, alerta para a importância da vacinação. “Precisamos estar alertas e, quem ainda não se vacinou contra a gripe deve procurar a unidade de saúde mais próxima de sua residência e se imunizar. A vacina é importante pelo fator de proteção contra as formas mais graves de gripe”, disse a secretária.

A Semus de Cariacica informa também que a vacinação contra a influenza (gripe) está sendo realizada sem agendamento para toda a população acima de seis meses de idade.

Este ano, as crianças de 6 meses até 5 anos e 11 meses serão as primeiras vacinados contra a gripe
Vacinação contra gripe. Crédito: Pixabay

ESPECIALISTAS ALERTAM PARA CUIDADOS COM A CONTAMINAÇÃO

O infectologista Lauro Ferreira Pinto confirma que prontos atendimentos da Grande Vitória têm registrado maior volume de pacientes em busca de assistência devido a sintomas de síndrome gripal.

Os surtos, diz ele, acontecem em uma época atípica. São mais frequentes no período de outono-inverno, mas o infectologista lembra que o Espírito Santo já teve casos semelhantes em pleno carnaval. Assim, embora não seja comum, não é impossível de acontecer por agora.

Questionado se já se pode definir o momento atual do Estado como surto, Lauro Ferreira Pinto confirma a condição, explicando que essa é a denominação quando há um volume maior de casos do que comumente registrado.

Lauro Ferreira Pinto
Lauro Ferreira Pinto, infectologista. Crédito: Reprodução | TV Gazeta

Para ele, alguns fatores podem justificar os surtos e um deles é o que os especialistas têm chamado “débito imune”, isto é, as medidas de isolamento contra a Covid-19 serviram para evitar também a circulação de outros vírus, como os gripais. Agora, com maior flexibilização dos protocolos sanitários, os agentes infecciosos encontram espaço para circular.

“Os outros vírus estavam sem circular ou circulando pouco há praticamente dois anos. Então, à medida que as pessoas saem às ruas e diminuem a proteção, essa conta é inexorável”, constata.

Somando-se a esse contexto, o vírus que está provocando os surtos é o H3N2 - esta cepa ainda não foi isolada no Espírito Santo, mas está confirmada no Rio e em São Paulo - para o qual a população não foi vacinada na campanha deste ano. As vacinas contra a gripe são produzidas anualmente para proteger dos agentes infecciosos que estiveram em maior circulação no ano anterior. Assim, o imunizante de 2022 é que deverá estimular a proteção contra o H3N2.

“O que houve foi então a introdução de um vírus na população que não estava protegida dele, num período fora do esperado. O risco no Espírito Santo é semelhante a Rio e São Paulo. Uma vez que não temos proteção contra ele no momento”, destaca a infectologista Rúbia Miossi.

Tanto Rúbia quanto Lauro Ferreira Pinto frisam que as medidas de proteção contra a Covid-19 valem também para evitar a gripe, como o uso de máscara e higienização frequente das mãos.

O infectologista acrescenta que a gripe tem uma característica maior de transmissão de superfície e, por essa razão, a limpeza das mãos é fundamental. Outro aspecto ressaltado é que praticamente não há registro de assintomáticos transmitirem o vírus da gripe, assim, o uso da máscara por quem apresenta sintomas é uma barreira eficaz.

Apesar de a vacina da gripe de 2021 não proteger contra a cepa H3N2 que está agora em circulação, Rúbia Miossi alerta sobre a importância da imunização.

“Vacinar quem ainda não se vacinou ajuda a reduzir a chance de doença grave pelos vírus que estão na vacina”, sustenta a infectologista, alertando, inclusive, para o risco de aumentar a demanda por internações hospitalares e haver competição por leitos.

OUTRO LADO

Confira a íntegra da nota do Vitória Apart Hospital:

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"O Vitória Apart Hospital esclarece que nas últimas 72 horas registrou um aumento muito além do normal na procura por atendimento em suas unidades, dobrando o volume de pessoas em seus Pronto-Socorro e unidades avançadas. Veja íntegra da nota ao final da matéria. Houve alerta do Governo Estadual, através do do LACEN, sobre o aumento da identificação do vírus da Influenza A entre as amostras coletadas no mês de dezembro que atingiu um montante seis vezes superior ao encontrado no mês de novembro, sendo possivelmente muito dessa demanda provocada por esse vírus. Esse cenário está sendo registro em todo o país. Para atender a essa demanda crescente e inesperada, o Vitória Apart Hospital está ampliando sua capacidade de atendimento com a contratação de médicos clínicos e pediatras para atuar nas unidades de Pronto Atendimento na Grande Vitória e no Pronto-Socorro da Serra, com intuito de dar maior celeridade à avaliação dos casos. Vale ressaltar que pacientes com sintomas leves devem procurar atendimento ambulatorial e rede de Telemedicina, com PS Virtual, e somente dirigir-se à urgência nos casos de sinais de alerta como cansaço, falta de ar ou febre persistente."

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