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Tamiflu: entenda em quais casos tomar o remédio para gripe e os riscos

Procura por medicamento que combate o vírus da gripe aumentou nas farmácias. Especialistas alertam para uso indiscriminado e reforçam necessidade de orientação médica

Tempo de leitura: 3min
Vitória
Publicado em 07/01/2022 às 17h03
Remédio contra a gripe só pode ser usado em casos graves e precisa de prescrição médica. Crédito: Tony Hisgett/Creative Commons
Remédio contra a gripe só pode ser usado em casos graves e precisa de prescrição médica. Crédito: Tony Hisgett/Creative Commons

Com o aumento dos casos de gripe, o Espírito Santo vê crescer a procura de remédios para tratar a doença, entre eles o Oseltamivir, popularmente conhecido como Tamiflu. O medicamento é capaz de atuar contra o vírus da Influenza, mas especialistas alertam: só deve ser usado em casos bem específicos de gripe e com orientação médica. 

Carlos Urbano

Médico infectologista

"Não é para ser tomado por quem acha que está com gripe. O uso indiscriminado faz com que o vírus fique resistente. E aí, quando a pessoa realmente precisar do remédio, ele não vai funcionar"

O Tamiflu tem como princípio ativo o fosfato de oseltamivir. Diferente dos antigripais que são vendidos para aliviar sintomas como febre e mal estar, esse é um antiviral, que age contra o vírus da gripe. Nas farmácias, custa cerca de R$ 250.

O medicamento necessita de prescrição médica e só pode ser usado em casos graves de Síndrome Respiratória Aguda Grave, ou por pacientes considerados do grupo de risco que apresentem síndrome gripal, como destaca o infectologista Carlos Urbano. 

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"Não funciona para a Covid-19, resfriados, asma ou pneumonia. É um medicamento fundamental para quem tem a gripe grave, com falta de ar, ou para pacientes com chances de evoluir para um quadro grave", informou.

De acordo com o último boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesa), 55 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave foram confirmados no Espírito Santo e oito pessoas morreram só nas últimas três semanas de 2021. Diante desse cenário, o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, orientou os municípios a aumentar a oferta do Tamiflu. 

"Municípios devem aumentar a capacidade de testagem, atendimento ambulatorial e também da oferta do Tamiflu na atenção básica", disse em entrevista coletiva na última quarta-feira (05).

No sistema público de saúde, o Tamiflu é disponibilizado por meio de prescrição médica a imunodeprimidos, gestantes e idosos que apresentam síndromes gripais, independente da confirmação ou não para Influenza. O secretário de Saúde, contudo, alertou para a necessidade de uma prescrição criteriosa do medicamento.

"O profissional da saúde deve considerar os sintomas e deve decidir se o paciente irá ou não utilizar o Tamiflu. Alerto a população que o uso do medicamento é para um grupo específico, sem o uso indiscriminado", ponderou Nésio. 

De acordo com o infectologista Carlos Urbano, o uso sem necessidade do medicamento pode levar a uma resistência viral, além do desabastecimento acelerado nas unidades de saúde e farmácias. Com isso, pacientes com real necessidade do remédio podem ficar sem, e ter o caso de gripe agravado.

"Se todo mundo que achar que está com gripe, tomar, vai fazer o vírus ficar resistente e depois o remédio não vai funcionar. E vai faltar para quem precisa. É um medicamento antiviral, que só pode ser tomado sob orientação médica e não pode ser prescrito para todo mundo", frisou.

Além disso, Urbano destaca que o medicamento deve ser administrado em até 48 horas após os primeiros sintomas, caso contrário não apresenta os benefícios pretendidos.

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