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Especialistas pedem mais fiscalização contra aglomerações no ES

O evento virtual  realizado nesta sexta-feira (26) faz parte do projeto Pacto pela Vida, desenvolvido pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES)

Publicado em 26/06/2020 às 18h46
Atualizado em 26/06/2020 às 18h53
Movimento de pessoas durante a pandemia de Coronavírus na Praia da Esquerda, Vitória
Movimento de pessoas durante a pandemia de coronavírus na Praia da Esquerda, Vitória. Crédito: Carlos Alberto Silva

Melhor estruturação das equipes que atuam no programa de saúde da família e ações de fiscalização nas praias e pontos de aglomeração para garantia do distanciamento social para evitar a transmissão do novo coronavírus. Esses foram alguns pontos discutidos durante a audiência pública virtual realizada nesta sexta-feira (26) pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES).

O evento, que faz parte do projeto Pacto pela Vida, foi coordenado pela procuradora-geral do MPES, Luciana Andrade, e contou com a participação do governador Renato Casagrande (PSB), o presidente da Assembleia LegislativaErick Musso (Republicanos), o presidente do Tribunal de Contas (TC-ES), Rodrigo Chamoun, além de médicos, líderes religiosos, representantes do esporte, da cultura e do segmento empresarial do Estado.

Luciana Andrade

Procuradora-geral do MPES

"Essa audiência é um encontro onde o protagonista é a sociedade. Hoje o possível é esse momento de conversa por meio de uma plataforma virtual, mas mesmo assim, é significativa a possibilidade de estarmos juntos conversando, refletindo e nos engajando para superar esse grande desafio. Precisamos manter o isolamento para proteger quem a gente ama"

A criação do centro de comando e controle, abertura de quase 1.400 leitos de UTI e enfermaria para tratar pacientes contaminados pelo o vírus e a formatação do mapa de risco do coronavírus para os municípios foram algumas das ações de enfrentamentos destacadas pelo governador Renato Casagrande. O chefe do executivo estadual afirmou que o plano de convivência com a pandemia traçou como prioridade salvar vidas e proteger as pessoas mais vulneráveis.

“Toda a crise, seja crise econômica, política, na área de saúde, primeiro atinge as pessoas mais vulneráveis, pessoas mais pobres. Então, nossa prioridade é salvar vidas e políticas que pudessem atender a essas pessoas mais vulneráveis que dependem da saúde pública e do apoio do governo do Estado. O que eu sinto de muita fragilidade no enfrentamento da pandemia é a ausência de coordenação do governo federal”, lamenta.

PACIENTES NA UTI

O médico cardiologista intensivista Henrique Bonaldi relatou a experiência do último plantão na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em que trabalhou, na noite desta quinta (25). Segundo ele, dois pacientes diagnosticados com a Covid-19 foram admitidos pela equipe dele, sendo uma mulher de 59 e um homem de 65 anos. Outras duas mulheres morreram por causa da doença.

Henrique Bonaldi

Cardiologista

"Quem é que chega na UTI? Não é quem tem sintoma gripal. Está todo mundo achando que é . Também não é quem está com pneumonia viral. É o cara que chega na fase três, a mais grave, quando 100% do seu corpo tem Covid. Nesse estágio, nenhum protocolo estabelecido pela medicina de mais alta tecnologia dá conta. É um tipo de paciente que não responde à minha terapia de UTI"

Após apresentar o breve quadro clínico, Bonaldi diz que a sociedade precisa entender que a responsabilidade do combate e a redução dos casos confirmados e óbitos provocados pelo novo coronavírus não pode ser creditada somente ao Ministério Público, governo do Estado, médicos ou até mesmo à reabertura do comércio, que teve as atividades flexibilizadas em diversos municípios capixabas.

“Se eu não conseguir fazer a população que pode ficar em casa, ficar em casa, eu estou aumentando os riscos daquele que precisa sair para trabalhar. O que a gente tem que fazer agora é ir na fila da Caixa Econômica e falar ‘moçada, afasta, fazendo o favor. É ir na praia e falar ‘gente, pelo amor de Deus, não tem cabimento vocês estarem aqui'”, sugere.

A doutora em epidemiologia e professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ethel Maciel, defende a adoção de um trabalho integrado entre o governo estadual, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), e os prefeitos para que haja uma articulação com a saúde primária. Segundo ela, os profissionais de saúde precisam ser estruturados com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e aparelhos como oxímetros e termômetros de mão.

“Precisamos monitorar para que os pacientes não cheguem em estado grave (nos hospitais). Precisamos testar e isolar as pessoas. A minha proposta é que a gente faça um pacto social, uma restrição de movimentação, por pelo menos de 21 dias. O que interessa é salvar vidas. Precisamos de um tempo para organizarmos o sistema de saúde e também para monitorarmos onde o vírus está”, sugere.

A procuradora-geral do MPES encerrou a audiência informando sobre a possibilidade de um novo debate virtual. Ela ressalta que é importante que todos os agentes públicos, privados e a população cumpram seus papéis. Luciana informou ainda que uma força-tarefa de promotores trabalha desde o primeiro dia do surgimento da doença no Brasil e no Espírito Santo.

“Iremos trabalhar para atacar a Covid.  Precisamos escolher países como bons exemplos para ter mais sucesso, publicizar com mais frequência os resultados positivos, apoiar mais quem trabalha, dar mais atenção às populações vulneráveis, a periferia e melhorar a atença primária. São apontamentos registrados pelo Ministério Público que nós daremos atenção", afirma Luciana.

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