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Especialistas defendem aplicação da 4ª dose para frear alta de casos de Covid

A recomendação é ampliar a cobertura vacinal tanto entre as pessoas que já estão aptas a tomar esse reforço quanto estender a outras faixas etárias

Tempo de leitura: 4min
Vitória
Publicado em 02/06/2022 às 08h05
Aplicação de vacina em idoso no bairro Araçá, em Linhares
Apenas 46% da população idosa tomou a quarta dose no Espírito Santo. Crédito: Felipe Tozatto/Prefeitura de Linhares

Espírito Santo vem registrando um aumento sucessivo de casos de Covid-19 e um dos problemas para o Sars-Cov-2 (coronavírus) continuar circulando e contaminando é a baixa cobertura vacinal. Diante desse cenário, especialistas defendem a aplicação da 4ª dose - ou segunda de reforço - tanto entre as pessoas que já estão aptas a recebê-la (idosos e imunossuprimidos) quanto estender a outras faixas etárias. 

Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) observa que a população com mais de 60 anos demonstrou, no início da campanha contra a Covid-19, grande aceitação pela imunização, alcançando mais de 90% de cobertura para D1, D2 e primeira dose de reforço (D3). Entretanto, ressalta o órgão, tem registrado baixa adesão desse público com a segunda dose de reforço.

"Até o momento, segundo dados do Painel Vacina e Confia, 46% da população alvo a receber a segunda dose de reforço já foi imunizada, sendo pouco mais de 274 mil idosos. No Estado, 259.805 mil idosos já estão aptos a receber esta dose", completou a Sesa, em nota. 

Ana Carolina D'Ettorres, infectologista da Unimed Vitória, avalia que o momento é oportuno para estender a aplicação da 4ª dose para as pessoas de 18 a 59 anos, porém reforça a necessidade de ampliação da cobertura vacinal em todos os grupos. 

"Entre os que já tomaram a terceira dose e estão aptos à quarta, ainda é baixa a cobertura. Entre os adultos jovens também é importante completar o esquema (com a terceira), assim como as crianças que ainda não se vacinaram. Essa parcela sem vacinação é um ponto de fragilidade. Enquanto houver pessoas não imunizadas, o vírus continua circulando. Quem não tomou a sua dose, tome. É preciso ser algo homogêneo na nossa comunidade", ressalta. 

A médica sustenta que é superválido ofertar a 4ª dose para outros grupos, mas reafirma que, enquanto houver uma parcela da população desprotegida porque não completou seu esquema vacinal, a circulação do vírus se mantém.

Dados da Sesa indicam, por exemplo, que  apenas 44% das pessoas de 18 a 59 anos tomaram a 3ª dose. Por isso, defende Ana Carolina, é importante que, além de estender o reforço para novas faixas etárias, o público-alvo das atuais doses também seja imunizado e, assim, a cobertura vai aumentar. 

O infectologista Lauro Ferreira Pinto também considera imprescindível alcançar mais idosos e imunossuprimidos com a 4ª dose, bem como ampliar a cobertura dos outros públicos com as demais doses, antes até de levar o novo reforço a mais grupos etários. 

Lauro Ferreira Pinto

Infectologista

"O que me preocupa é que a vacinação estagnou. As pessoas estão com a sensação de volta ao normal e não vão se vacinam"

Em todo o país, analisa Lauro, tem sido observado o aumento de casos, sem grande repercussão de hospitalização e mortes. O pico maior deve acontecer em junho, mas o infectologista diz que ainda não é possível estimar o tamanho. De todo modo, o fato de as pessoas que são alvo de vacinação não buscarem se proteger com as respectivas doses, particularmente as mais vulneráveis, pode levá-las a internações.

"Temos uma proporção grande de brasileiros vacinados, mas se não tem o reforço e já tomou a última dose há mais de quatro, cinco meses, pode contrair uma Covid mais trabalhosa e eventualmente ir para o hospital", adverte. 

A Sesa, em nota, ressalta que estabeleceu, ainda em março deste ano, anteriormente à definição nacional, a imunização com segunda dose de reforço em toda população idosa, uma vez que naquele momento, apenas faixas etárias acima dos 80 anos estavam sendo vacinadas nos demais Estados.

"A segunda dose de reforço é uma estratégia de saúde pública que se pauta como medida de proteção, visando a redução de casos graves, internações e óbitos, tendo em vista as questões científicas sobre a diminuição da resposta imune neste grupo, assim como os imunossuprimidos", diz a secretaria. 

Contudo, ainda não há previsão de ampliação da vacinação para outros grupos. A Sesa aguarda orientação do Ministério da Saúde para implementação de novas faixas etárias, enquanto o órgão federal, em nota nesta quarta-feira (1º), afirma que "a inclusão de novos grupos na campanha de vacinação contra a Covid-19 está em discussão pela Câmara Técnica Assessora em Imunizações. Qualquer eventual alteração será detalhada por meio de nota técnica."

GRIPE

Para tentar ampliar a cobertura do público já apto a receber a 4ª dose, a Sesa aponta que realiza semanalmente reuniões junto às regionais de saúde e municípios para o fortalecimento das estratégias para a vacinação da Covid-19, como a ampla comunicação da importância desta dose aos idosos, a manutenção de estratégias extramuros, a otimização de doses, como a vacinação de Covid-19 e Influenza concomitantemente, além da realização mensal de um mutirão em cada cidade, junto à proposta estadual de intensificação para alcançar em três meses a cobertura de 90%.

Sobre a influenza, Lauro Ferreira Pinto também recomenda que o público que não se vacinou contra a gripe procure as unidades de saúde para tomar o imunizante. Assim como a Covid, a cobertura vacinal contra a influenza está baixa no Espírito Santo. 

Os idosos são os que apresentam maior percentual de vacinação (55,42%), alcançando pouco mais da metade da população com mais de 60 anos nesta quarta-feira (1º), segundo a Sesa. Entre os trabalhadores da saúde, a vacinação chegou a 46,97% do público; em crianças até 5 anos, 35,34%; indígenas 31,77%;  e, nos demais públicos (grávidas, puérperas e professores), menos de um terço foi vacinado. 

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