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Publicado em 30 de março de 2026 às 19:28
Para oferecer aulas mais interativas, escolas da rede estadual do Espírito Santo vão passar a dispor de telas inteligentes, uma espécie de "supercelular" que vai funcionar por toques, em substituição às lousas hoje instaladas. A tecnologia vai permitir o uso de inúmeros recursos para a prática de ensino-aprendizagem, como softwares colaborativos, videoconferências, exibição de gráficos e indicadores, acesso a sistemas operacionais — e serve também para escrever àqueles que não abrem mão de ter um quadro. O equipamento ainda vai dispor de um botão de pânico para eventuais situações de emergência na área de segurança escolar. >
O governo do Espírito Santo está adquirindo as telas para as unidades que compõem o programa Escola do Futuro, que já têm uma prática cotidiana voltada à inovação. Ao todo, são 110 escolas (um terço da rede estadual) com esse perfil, mas o novo projeto — chamado de "Sala de Aula Inteligente e Segura" — vai começar por 20, com a previsão de instalação de 300 equipamentos. O contrato, com duração de até dois anos, prevê um investimento total de R$ 290 milhões e até 2 mil telas. Neste ano, a perspectiva é aplicar R$ 115 milhões.>
As primeiras unidades contempladas ainda vão ser definidas. Além de integrarem o Escola do Futuro, o governador Renato Casagrande (PSB) afirma que devem estar na área de abrangência do Estado Presente, programa estratégico em localidades de maior vulnerabilidade social. >
"Vamos ter a instalação de telas interativas nas salas de aula das nossas escolas, com inteligência artificial embutida, para que possamos melhorar a oferta dos serviços de educação, interagindo muito mais com aluno e professor, buscando também a possibilidade de atores de fora estarem presentes na formação e na transferência de conteúdo para os alunos", ressalta Casagrande.>
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O secretário estadual da Educação, Vitor de Angelo, estima que, ainda neste semestre, as escolas comecem a usufruir das telas, após o período de instalações e capacitação dos professores. >
"Lógico que não é só o equipamento (que vai fazer a diferença), é o bom uso. Portanto, a gente volta ao ser humano, embora estejamos falando de tecnologia. A gente precisa voltar o olhar para o professor, que será sempre o diferencial, mesmo com esta tela. E aqui a questão passa a ser a formação desse professor", sustenta. >
O subsecretário estadual de Transformação Digital, Victor Murad Filho, destaca que o projeto visa a oferecer mais recursos para a sala de aula, considerando que o universo da geração de estudantes da rede é a tecnologia. "Se não está à frente, o professor precisa, ao menos, estar em nível de igualdade desses alunos. As tecnologias estão presentes na vida deles e são uma exigência desse campo juvenil", observa. >
Murad afirma que o equipamento pode ser tratado como um supercelular ou supercomputador, numa tela de 86 polegadas, que roda uma série de tecnologias. Aplicações do sistema operacional Android, por exemplo, que a Sedu já utiliza para ensinar matemática, podem ser exibidas. O professor vai poder preparar a aula no seu computador e depois transferir o conteúdo para a tela.>
O equipamento ainda vai ajudar o professor a controlar o uso dos chromebooks dos alunos em sala de aula, que deverão estar com os seus computadores exibindo o que estiver na tela do educador. Assim, não haverá possibilidade de dispersão para outras aplicações do chromebook em sala.>
"O aluno não vai conseguir mexer na internet ou em outra aplicação porque o comando está com o professor, que consegue, dessa maneira, ter gestão sobre esses aparelhos e interação com a sala de aula", pontua Murad.>
Isso será possível porque a tela tem uma câmera integrada, que pode fazer reconhecimento facial, facilitando o registro de presença do aluno, comportamento e até de eventual conflito. As câmeras existentes nas salas também serão incorporadas, possibilitando a realização de videoconferências. >
"A gestão é completamente autônoma e totalmente inteligente. Captura a tela, aciona banco de dados, o sistema de gestão escolar e a família. É um recurso que opera de forma automática, só capturando a face daquele aluno na sala de aula", explica Murad, acrescentando que, se um estudante estiver de casa, doente, também terá a oportunidade de acompanhar a aula, caso tenha internet disponível.>
Nesse contexto, Murad usou como exemplo a chacina em duas escolas de Aracruz — uma da rede estadual, outra particular — em novembro de 2022, quando um invasor atirou, matando quatro pessoas e deixando outras 12 feridas. Para o subsecretário, o acesso às áreas comuns de uma unidade de ensino dificilmente seria impedido, como já registrado em episódios mundo afora, pelo fato de o autor dos disparos ser da comunidade escolar. Contudo, ele acredita que o uso da nova tecnologia pode ajudar a proteger os alunos em sala de aula. >
Murad se refere ao botão de pânico, acoplado à tela. O subsecretário fez uma demonstração e um sinal sonoro tocou no Núcleo de Intervenções Rápidas (NIR) do Centro Integrado de Operações de Defesa Social (Ciodes). Na unidade, os profissionais de segurança têm acesso às imagens da sala de aula e podem se orientar para adotar as providências necessárias em eventual ocorrência. O equipamento também será integrado ao Cerco Inteligente do Estado. >
"Nós temos um trabalho voltado para a área educacional e um trabalho dentro do nosso programa de segurança nas escolas porque essas telas interativas permitem acompanhamento pelo Ciodes daquilo que acontece dentro da sala de aula, à medida que o botão do pânico for acionado", afirma o governador Casagrande. >
O secretário estadual da Segurança Pública, Leonardo Damasceno, acrescenta que a ideia é que, com o uso do botão, rapidamente seja feita uma triagem do fato e haja capacidade maior de resposta. "Com a implantação desse botão e a ligação direta ao nosso núcleo, conseguimos garantir mais segurança para toda a comunidade escolar", conclui. >
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