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ES começa a semana com mais de 830 internados devido à Covid-19

O total de pessoas em UTIs é o maior desde 2 de setembro, quando havia 415 pessoas nesta situação e, quanto às enfermarias, o número é o maior desde 5 de agosto, quando eram 419 pessoas internadas

Vitória
Publicado em 07/12/2020 às 17h29
Governo libera 60 leitos de UTI para tratamento do novo coronavirus no Hospital Jayme Santos Neves, na Serra
O total de pessoas internadas em UTIs é o maior desde 2 de setembro, quando havia 415 pacientes nesta situação. Crédito: Divulgação / Governo do ES

O painel Covid-19, atualizado diariamente pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), registrou 836 pessoas internadas por complicações do coronavírus no Espírito Santo, nesta segunda-feira (07). Desse número, 416 pessoas estão em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) e 420 em enfermarias. O total de pessoas internadas em UTIs é o maior desde 2 de setembro, quando havia 415 pacientes nesta situação e, quanto às enfermarias, o número é o maior desde 5 de agosto, quando eram 419 pessoas internadas.

Em números percentuais, a ocupação de leitos de UTI nesta segunda (07) é de 84,04%. O indicador mais preocupante, porém, é a taxa de ocupação de leitos de UTI potenciais para tratamento de pessoas infectadas pelo coronavírus, que chegou a 58,18%.

Esse valor leva em conta o potencial que o Espírito Santo possui de adquirir ou preparar novos leitos para o atendimento de pacientes com a doença e é um dos principais indicadores para a elaboração do Mapa de Risco do Governo do Estado, que classifica os municípios em risco baixo, moderado ou alto de transmissão da doença. Com a taxa de ocupação potencial de leitos de UTI acima de 50%, mais cidades podem ser classificadas em risco moderado - e até em risco alto.

O alto valor da taxa de ocupação potencial de leitos de UTI, somado ao aumento do número de casos de coronavírus e de mortes causadas pela doença, fez com que o último Mapa de Risco do Governo do Estado colocasse 49 municípios em risco moderado de transmissão do coronavírus, incluindo toda a Grande Vitória, um em risco alto de transmissão (Mantenópolis) e outras 28 cidades em risco baixo de transmissão.

Nesta segunda-feira (07), o Estado atingiu 202.147 casos confirmados da Covid-19 — 1.890 a mais do que o total divulgado nesse domingo (06) — e 4.431 mortes pela doença, sendo 34 óbitos  em 24h

PICO É MAIOR DO QUE NA PRIMEIRA CURVA DE CASOS

Neste panorama, em que foi ultrapassada a marca de mais de 200 mil casos de pessoas infectadas pela Covid-19 até domingo (6), os dados da pandemia no Espírito Santo acendem um alerta para a população reforçar os cuidados de prevenção contra o novo coronavírus, especialmente neste período de festas de fim de ano que se inicia, segundo especialistas. Com este número, significa que cerca de 5% da população capixaba teve o contágio confirmado para a doença. O dado pode ser ainda maior, ao considerar os grupos que não foram testados ou são assintomáticos.

O Estado também ultrapassou o pico da primeira curva de casos, que havia ocorrido no final de junho e início do mês de julho. O secretário estadual de Saúde Nésio Fernandes detalhou que na semana epidemiológica que foi de 28 de junho a 4 de julho houve 9.035 casos, e 20 semanas depois, de 15 a 21 de novembro, foram 9.219 casos.

Outra análise foi feita em relação aos picos diários da doença. No último dia 23 de novembro, foram registrados 2.026 casos. Um total de 23 novos doentes a mais, e ultrapassando o pico anterior, que havia sido de 2.003 casos, no dia 22 de junho.

Porém, projeções estatísticas apontam que até o final de dezembro outras 22 mil pessoas podem ser infectadas e 500 doentes devem perder a vida no Espírito Santo para a Covid-19. A estimativa de casos, feita pelo Núcleo Interinstitucional de Estudos Epidemiológicos (NIEE), já considera as aglomerações ocorridas em novembro, nas comemorações do segundo turno das eleições municipais. Nesse domingo, o total de óbitos chegou a 4.397 no Estado.

De acordo com dados do governo estadual, os jovens são atualmente o grupo que mais se contamina e transmite coronavírus no Estado. Pessoas com idade média de 29 anos representam 60% dos infectados.

SECRETÁRIO: "REDE HOSPITALAR VEM ABSORVENDO OS CASOS DE FORMA ADEQUADA"

Em entrevista na quarta-feira (02) da semana passada, o Secretário de Estado da Saúde Nésio Fernandes afirmou que apesar do crescimento que tem havido no número de casos e internações, não é possível considerar que o crescimento seja "explosivo", mas em "conta-gotas". Além disso, explica que o Estado vem obtendo êxito na prática assistencial, permitindo o manejo adequado do sistema de saúde. "A nossa rede vem absorvendo os casos de forma adequada", iniciou.

Segundo o secretário, o Estado está se preparando para todos os cenários possíveis. "Existe um fenômeno agora em que vemos um manejo melhor dos pacientes. Eles têm ficado mais tempo internados, se antes a média era de 6 dias de internação, é agora de 8. Só que isso implica dizer que a mesma quantidade de leitos atende menos pacientes no mês e isso aumenta a pressão sobre o sistema. Mas estamos conseguindo administrar a expansão dos leitos", acrescentou.

"TENHO A SENSAÇÃO DE QUE O ESTADO VIVE O PIOR MOMENTO DA PANDEMIA", DIZ ESPECIALISTA

Para o médico infectologista Lauro Ferreira Pinto, em entrevista na última quarta-feira (02), a situação vivida no Estado nesta segunda expansão de casos do novo coronavírus não é otimista. "Desde setembro que a gente alerta para o aumento de contaminações no ES, desde os feriados há aumento de casos. Tenho a sensação de que o Estado vive o pior momento da pandemia, em especial por meio da classe média se expondo. A juventude cansou do confinamento e está se reunindo. São muitos relatos de eventos sociais, confraternizações, gerando contaminação, principalmente na rede privada. Ainda não há grande impacto na pública, mas vai ter", expressou.

O especialista explica que a evolução da pandemia vem sendo notada nos laboratórios e hospitais, com aumento de internação. "No início não tinha aumento de mortalidade porque eram basicamente jovens contraindo, mas eles encontram pais e tios e isso fez voltar a crescer a mortalidade. Em julho eu achei que ia ter colapso e não teve, as medidas de contenção funcionaram, mas se vão funcionar agora eu não sei: temos um novo panorama de vida normal junto à pandemia, com funcionamento de transportes, eventos que agora acontecem, demanda reprimida de cirurgias e exames que antes estavam suspensos", acrescentou.

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