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Entenda o projeto de vacinação em Viana e saiba como participar

Podem participar do projeto "Viana Vacinada" moradores de 18 a 49 anos que não tomaram nenhuma dose da vacina contra a Covid-19. O grupo será monitorado por pesquisadores

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 05/06/2021 às 07h31
Vacinação contra Covid-19 de pessoas de 55 a 59 anos sem comorbidades, em Vitória
Viana sediará projeto de vacinação em massa contra Covid-19. Crédito: Ricardo Medeiros

Os moradores de Viana com idade entre 18 a 49 anos que ainda não foram imunizados contra a Covid-19 poderão participar de um projeto pioneiro que será desenvolvido no município no dia 13 deste mês, de 8h às 17h. 

A vacinação em massa faz parte de um estudo internacional que será desenvolvido, denominado “Viana Vacinada”, que pretende atingir cerca de 35 mil pessoas na cidade. O anúncio da ação foi feito nesta sexta-feira (4) no Palácio Anchieta, em Vitória.

A iniciativa combina vacinação com meia dose (0,25 ml) da Astrazeneca no público definido, além de acompanhamento da resposta imune e sequenciamento genético do novo coronavírus. A estimativa é redução de 60% da incidência de novos casos ao longo de seis meses, a partir de 28 dias após aplicação da segunda dose. Isso também reduziria número de internações e óbitos pela doença.

O governador Renato Casagrande destacou que o trabalho em Viana será uma confirmação dos estudos feitos pela Astrazeneca, que já indicaram que a aplicação da meia dose é capaz de fazer com que o organismo crie anticorpos contra o vírus Sars-CoV-2.

"No caso específico de Viana, podemos levar essa imunidade para toda a cidade, salvando a vida da população do município. Nesse trabalho de pesquisa, vamos otimizar os recursos ao utilizar a metade da dose padrão, podendo ter mais vacinas disponíveis para a imunização. Viana é um município de porte médio, com capacidade de vacinar toda a população definida em um só dia, além de fazer parte da Grande Vitória, tendo uma boa logística para o monitoramento de toda a pesquisa", afirmou o governador.

O governo do Estado explicou que por se tratar de um trabalho de pesquisa, após a aplicação da segunda dose – 12 semanas depois da primeira dose –, será feito um processo de amostragem para a comprovação da imunidade ao vírus.

Caso os vacinados não tenham adquirido imunidade, os participantes receberão dose de reforço e ficarão imunizados. "Ou seja, participar da pesquisa será benéfica porque ficarão imunizados de toda forma", reforçou o governador.

REDUÇÃO DE CASOS

A coordenadora do projeto científico, a pós-doutora em Reumatologia, Valéria Valim, observou que os estudos relacionados à utilização de meia dose da Astrazeneca apontam redução do número de casos confirmados entre os imunizados. 

"O que se observou foi uma redução de casos de 90% nos indivíduos que receberam a meia dose, 62% naqueles que receberam dose plena. Quando foi feita a média de todos os indivíduos, foi uma média de 70%. O estudo mostra que a meia dose é capaz de estimular o sistema imunológico e desenvolver anticorpos de proteção. A diferença de resultado pode estar relacionada ao intervalo da dose de reforço", ponderou a reumatologista.

  • A projeção da população-alvo é composta por, aproximadamente,  35 mil pessoas que, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são: 

  • Pessoas entre 18-29 anos: 7.154 
  • Pessoas entre 30-39 anos: 10.863
  • Pessoas entre 40-49 anos: 8.287
  • Total: 34.867

  • Considerando a população selecionada, a meta dos pesquisadores é alcançar 85% de cobertura vacinal - 29.637 pessoas, sendo, aproximadamente, 47% do sexo feminino e 53% do masculino.

  • Serão utilizados dados dos eleitores que votaram na última eleição, fornecidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES).
Vacina de Oxford
A vacina de Oxford/AstraZeneca. Crédito: Carlos Alberto Silva

AGENDAMENTO ON-LINE

Quem tem idade entre 18 a 49 anos e não recebeu nenhuma dose de vacina para Covid-19 poderá fazer um agendamento no link vianavacinada.saude.es.gov.br. O serviço ainda não está disponível no site da prefeitura.

Aqueles que apresentarem sintomas gripais ou condições especiais, como gravidez, não poderão participar do mutirão. De acordo com a coordenadora do estudo, a pesquisadora Valéria Valim, haverá alguns critérios de exclusão para a participação no projeto. 

QUEM NÃO PODERÁ PARTICIPAR DO MUTIRÃO

  • Gestantes
  • História de reação adversa grave a qualquer vacina previamente administrada
  • Ter recebido outra vacina nos últimos 14 dias
  • Pertencer a grupo de risco prioritário para a vacinação, conforme recomendado pelo Plano Nacional de Imunização (PNI)
  • Apresentar sintomas gripais
  • Ter recebido previamente e em qualquer momento, qualquer vacina para a Covid-19
  • Diagnóstico recente de Covid-19 com início dos sintomas 28 dias antes da vacinação do projeto

As pessoas que estiverem nestas condições poderão se inscrever no projeto, no site da prefeitura, relatando a sua condição. E dependendo da situação, os interessados poderão participar, posteriormente, quando os sintomas cessarem.

“Se houver engajamento dos moradores de Viana, os que estiverem nestas condições e quiserem participar, podem se inscrever, descrever seus sintomas, e haverá uma busca ativa por parte do município”, explicou a pesquisadora.

TERMO DE CONSENTIMENTO

O grupo de voluntários receberá duas doses da vacina Astrazeneca, com intervalo de 12 semanas entre elas, de metade da dose padrão, ou seja, 0,25 ml. A participação no estudo é voluntária e o cidadão que quiser participar deverá assinar um Termo de Consentimento antes de receber a primeira dose.

A Prefeitura de Viana explicou que vão ser utilizados 35 locais de vacinação, com 178 salas, 260 vacinadores e mais de 800 profissionais disponíveis para a campanha. O critério adotado para o público participar será o domicílio eleitoral, explicou Jaqueline D'Oliveira Jubini, secretária de Saúde de Viana.

"Todas as pessoas que votam em Viana vão procurar o agendamento e serão direcionadas à seção na qual votam. A vacinação das pessoas residentes que não têm o domicílio eleitoral também será garantida. Vamos explicar, no próximo domingo (6), como vai funcionar. Terão que levar documento com foto e comprovante de residência", informou Jaqueline.

Projeto foi apresentado no Palácio Anchieta, em Vitória, nesta sexta (4). Crédito: Hélio Filho/Secom
Projeto foi apresentado no Palácio Anchieta, em Vitória, nesta sexta (4). Crédito: Hélio Filho/Secom

MONITORAMENTO POR UM ANO

A população será acompanhada por um ano para observar a efetividade da vacina produzida pela Fiocruz. Os pesquisadores querem observar, por exemplo, a redução de casos e de mortes por Covid-19 após a imunização. Com bases em estudos preliminares, a expectativa é a de que a metade da dose padrão seja suficiente para produzir anticorpos e células de defesa e reduzir 60% da incidência de Covid-19, ao longo de seis meses após a vacinação.

Valéria Valim

Coordenadora do projeto científico

"Vamos analisar casos novos de Covid-19. Os participantes serão monitorizados em relação a sintomas respiratórios, sintomas suspeitos de Covid. Nessas pessoas vamos também analisar qual é o tipo de coronavírus, se é alguma cepa variante"

Do total de voluntários, 600 serão escolhidos aleatoriamente e terão o sangue coletado antes e após receberem as doses. Com esse material, os pesquisadores vão analisar os títulos dos anticorpos por diferentes técnicas, estudar as células para identificar se elas desenvolveram capacidade de resposta imunológica. O grupo também avaliará o surgimento de efeitos colaterais. 

"Vamos monitorizar qualquer efeito colateral que o indivíduo tenha. Esses efeitos geralmente são mais frequentes nos primeiros sete dias. Até 40 dias depois também tem alguns outros efeitos, mas muito menos frequentes. Sete e 28 dias após a primeira e segunda dose também haverá um questionário sobre os efeitos colaterais e depois com seis meses e 12 meses", detalhou Valéria.

A médica Valéria Valim é a coordenadora do projeto científico. Crédito: Helio Filho/Secom
A médica Valéria Valim é a coordenadora do projeto científico. Crédito: Helio Filho/Secom

SURGIMENTO DO PROJETO

O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, explicou que o projeto nasceu de uma iniciativa do governo do Estado e profissionais do Hospital Universitário Cassiano Antonio Moraes (Hucam), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), em uma articulação do Instituto Capixaba de Ensino, Pesquisa e Inovação em Saúde (Icepi).  

"É uma solução importante dentro de um contexto de crise de escassez de vacinas, que requer coragem, inovação e segurança científica como o que apresentamos hoje. O Projeto Viana está aprovado pelo Comitê de Ética do Hucam-Ufes e Conep e esperamos resultados equivalentes ao estudo da Fase 3 da Astrazeneca, que apontou eficácia da meia dose da vacina", destacou.

O estudo coordenado por equipes de pesquisadores do Hucam e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) será executado por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a Fiocruz, Hucam-Ufes e a Sesa.

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