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Em 4 meses, mulher perde filho e marido em acidentes na Rodovia do Sol

Em maio deste ano, o filho de Erina Pereira da Silva morreu em um acidente de trânsito na Rodovia do Sol. No último domingo (26), o marido dela morreu após ser atropelado na mesma via. Desoladas, ela e a filha buscam por justiça

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 27/09/2021 às 11h08
Erina, Gilson e Gabriel. Pai e filho morreram em acidente na Rodosol
Erina, Gilson e Gabriel. Pai e filho morreram em acidentes na Rodosol. Crédito: Acervo pessoal

Profundamente triste, anestesiada pela dor e revoltada com a impunidade. É assim que preferiu se descrever a cuidadora de idosos Erina Pereira da Silva, 43 anos. Em quatro meses, ela teve duas perdas que transformaram a configuração de sua família.

Na madrugada deste domingo (26), o marido dela, o auxiliar de produção Gilson Rodrigues da Silva, de 49 anos, morreu após ter sido atropelado por um carro quando seguia de bicicleta no quilômetro 22 da Rodovia do Sol, perto do bairro Interlagos, em Vila Velha.

Há pouco mais de quatro meses, no dia 23 de maio, o filho dela, o motoboy Gabriel da Silva Rodrigues, de 23 anos, também foi vítima da violência no trânsito. Ele seguia de moto no quilômetro 18 da mesma via quando foi atingido por um carro, na altura do bairro Ulisses Guimarães.

Erina Pereira da Silva quer justiça sobre acidente do filho e do marido

A família relatou que, nos dois casos, os responsáveis pelos acidentes não prestaram socorro. Em relação a Gabriel, à época, a Polícia Civil informou que identificou e intimou para depor o motorista que conduzia o veículo.

Erina Pereira da Silva

Cuidadora de idosos

"Já chorei, esperneei, estou anestesiada. Sinto revolta, enjoo, raiva, não sei explicar. Tinha a ferida do meu filho. Agora bateram no mesmo lugar. Já não ia parar de doer com a partida do Gabriel. Com a do Gilson, não vai parar de sangrar nunca "
Gilson Rodrigues da Silva morreu atropelado na Rodovia do Sol. Crédito: Arquivo pessoal
Gilson Rodrigues da Silva morreu atropelado na Rodovia do Sol. Crédito: Arquivo pessoal

Erina estava trabalhando quando recebeu a ligação do marido no sábado (25), por volta das 17h30. Ele havia acabado de sair do serviço e estava em casa, no bairro Barramares, em Vila Velha, e avisou à esposa que iria no sítio da família, no bairro Village do Sol,  no mesmo município, para alimentar os animais.

"Minha filha disse que falou para ele: 'pai, por que você não vai de carro?' Ele respondeu: 'filha, eu gosto de pedalar, vou de bicicleta'. Ela replicou: 'mas tá ventando, pai. E então ele disse: 'qualquer coisa, eu vou quando o vento acalmar. E não voltou", disse Erina.

Ela e o marido estavam reformando a casa onde moram. Por trabalhar como cuidadora de idosos, ela chegaria na residência somente no domingo pela manhã. Antes de chegar, foi alertada pelo pedreiro, por volta das 7h, que o marido não estava no imóvel.

"O pedreiro veio e falou com minha filha que o pai dela não estava lá. O pedreiro me ligou e falou que o meu marido não estava lá. Falei com minha filha. Eu ligava para o meu marido e o telefone chamava até cair e nada. Me deu o mesmo sentimento de quando eu tentei falar com o Gabriel e não consegui", relembrou.

A filha de Erina, Drizaele Rodrigues, mora perto dos pais. Foi então que ela decidiu ir ao sítio. No terreno, percebeu que os animais estavam alimentandos, sinal de que o pai havia passado por lá. Na volta para casa, parou em um posto da Rodovia do Sol.

Drizaele Rodrigues

Filha da vítima

"No posto me falaram que um carro atropelou o meu pai. Pegou ele por trás e saiu, sem prestar socorro. Eu vi a bicicleta e a lanterna que ele usava na bicicleta. Tudo quebrado"
Bicicleta de Gilson Rodrigues da Silva
Bicicleta de Gilson Rodrigues da Silva. Crédito: Bernardo Bracony

A filha teme que o acidente que matou o pai não tenha desdobramentos. "É muita impunidade. Tenho medo que aconteça de novo com meu pai. A pessoa atropelou, saiu, aparece depois de algumas horas na delegacia, e fica por isso mesmo" desabafa Drizaele, em entrevista ao Bom Dia ES, da TV Gazeta.

Em maio, moradores e os familiares de Gabriel fizeram um protesto na Rodovia do Sol, em Vila Velha, para reclamar do acidente e cobrar investigação. A ação foi encerrada após a Polícia Militar usar gás lacrimogênio e balas de borracha contra os manifestantes. 

APAIXONADO POR ANIMAIS

Gilson era um apaixonado por animais. Segundo a família, o sonho dele era construir um imóvel no sítio para ficar mais perto da natureza e dos pássaros, gansos e cachorros que gostava de cuidar. Recentemente, ele comprou 12 calopsitas.

"Aconteceu quase no mesmo lugar, no mesmo trajeto de como foi com meu filho. A ficha não caiu. Não sei expressar o meu sentimento. Não existe uma pessoa tão pacífica quanto o Gilson. O nome dele era trabalho, o sobrenome era serviço", disse Erina.

INVESTIGAÇÃO DA POLÍCIA CIVIL

Sobre o atropelamento do Gilson, a Polícia Civil informou que o caso segue sob investigação da Delegacia Especializada em Delitos de Trânsito (DDT), que instaurou um Inquérito Policial (IP), para identificar e localizar o motorista.

Já em relação ao acidente do Gabriel, a corporação respondeu que o motorista foi identificado, interrogado e "atualmente o inquérito encontra-se aguardando a finalização de outros procedimentos para a sua conclusão", destaca a nota.

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