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É possível pegar Covid de novo 20 dias depois de testar positivo; entenda

Estudo identificou pacientes que contraíram a doença duas vezes em menos de um mês de intervalo; mutações do vírus e grupos de não vacinados contribuem para novo quadro

Tempo de leitura: 3min
Vitória
Publicado em 18/06/2022 às 19h44

A variante Ômicron provocou, no início deste ano, a quarta onda da Covid-19 no Espírito Santo, com a maior média móvel de casos confirmados da doença desde o início da pandemia. Agora, o Estado volta a vivenciar o crescimento de registros de infecções, desta vez decorrentes das subvariantes do Sars-Cov-2.  As mudanças do vírus que o tornam ainda mais contagioso, associadas ao grupo de não vacinados, podem estar por trás de um novo fenômeno desta pandemia: casos de reinfecção com menos de um mês de intervalo. 

Estudo feito na Dinamarca, conforme aponta reportagem de O Globo, indica que, com a Ômicron e a suas subvariantes, a reinfecção pode acontecer em apenas 20 dias. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão após analisar mais de 1,8 milhão de infectados num período de alta circulação da cepa na Europa, entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022. As reinfecções nesse curto espaço de tempo foram observadas principalmente entre jovens com menos de 30 anos, não vacinados.

O infectologista Lauro Ferreira Pinto afirma que a reinfecção num intervalo inferior a 30 dias não é comum, porém há um indicativo de escape vacinal, considerando que os imunizantes hoje aprovados para uso foram desenvolvidos quando ainda estavam em circulação as primeiras cepas do Sars-Cov-2. Sem contar as pessoas que não completaram o esquema vacinal ou nem mesmo tomaram a primeira dose. 

"A Ômicron tem muitas subvariantes. As que estão circulando mais agora são a B4 e a B5. Uma das características é poder se reinfectar com a Ômicron.  Menos de um mês é raro, mas quem teve em janeiro, fevereiro, pode ter de novo. E é escape vacinal, sim. As vacinas protegem de casos graves, mas de uma nova infecção, não. Vai ter uma infecção mais leve. Vacina vai continuar sendo a melhor forma de prevenir qualquer caso grave", ressalta.

Professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a epidemiologista Ethel Maciel lembra que, no início da pandemia, alguns se infectaram com o Sars-Cov-2 ainda sem mutações e, depois, pegaram uma variante. Esse quadro foi se repetindo, sempre com uma pessoa contaminada primeiro por uma cepa para, em seguida, ser reinfectada por outra variante, e num ritmo cada vez mais rápido, passando pela Alfa, Beta, Gama, Delta. Agora, o que acontece é da Ômicron para os seus subtipos. 

"Antes, o intervalo era de três, quatro meses. Está bem menor agora, cerca de dias, semanas. E isso ocorre pelas mutações, ele (o vírus) está conseguindo escapar muito mais. E isso também traz uma preocupação nesse cenário de aumento de transmissão que estamos vivendo agora, em que o Brasil está de novo numa situação de emergência, e com a Covid longa", pontua.  

Luiz Carlos Reblin, subsecretário estadual de Vigilância em Saúde, frisa que esses episódios de reinfecção servem, ao menos, para derrubar de vez a tese daqueles que defendem que contrair o Sars-Cov-2 confere a proteção necessária,  com a popularmente chamada imunidade de rebanho.  "Mas o vírus não respeita a imunidade prévia da própria doença", constata. 

Os três especialistas sustentam que é a vacina que vai evitar os casos mais graves, que podem evoluir para a morte. "Com ampla cobertura vacinal, temos um grau maior de proteção", finaliza Reblin. 

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