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Coronavírus provoca queda de cabelo até em pacientes com sintomas leves

Covid-19 também pode causar outros sintomas persistentes, como perda temporária de paladar e olfato, tosse seca, fadiga e dificuldade de concentração

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 07/02/2021 às 04h00
Atualizado em 07/02/2021 às 04h01
Mulher segura escova cheia de fios de cabelos; queda de cabelos tem sido comum na quarentena
Queda de cabelo em pessoas que tiveram Covid é provocada pela redução da imunidade. Crédito: siam.pukkato/Shutterstock

As sequelas ou efeitos posteriores do novo coronavírus podem ir muito além da perda de olfato ou paladar por algumas semanas ou meses. A doença pode deixar diversos outros traços e provocar, inclusive, queda de cabelo, mesmo que o paciente só tenha apresentado sintomas leves da Covid-19.

Conforme observou o dermatologista Walderia Ribeiro, uma das causas para a queda de cabelo é justamente a diminuição de imunidade, que é comum nos pacientes que foram contaminados com o novo coronavírus.

“São várias as causas para a perda de cabelo, desde problemas de tireoide, anemia, estresse. Mas também há queda provocada pela perda de imunidade, a falta de vitaminas. Tive uma série de pacientes que foram infectados com a Covid relatando o problema. Também tive um amiga que apresentou a forma grave da doença e perdeu bastante cabelo.”

Ela destaca que, ainda que em menor proporção, a queda de cabelo também pode ser desenvolvida por pessoas que tiveram somente a forma leve da doença, uma vez que a imunidade também é comprometida.

A dermatologista Patrícia Friço explica que, em seu consultório, quase um terço dos pacientes que foram contaminados pela Covid-19 relatam o problema. Ocorre que a infecção desencadeia um processo chamado o eflúvio telógeno, que faz com que os fios em crescimento tenham uma queda precoce.

“O cabelo tem três fases: a fase em que cresce, a fase em que fica em repouso e a fase em que ele cai. E, geralmente, demora meses para que essa mudança de fase aconteça. Mas a doença, o estresse psicológico e até mesmo a medicação utilizada para tratar os pacientes têm feito com que os fios em crescimento pulem da fase de crescimento direto para a queda, sem passar pelo período de repouso”, detalha Patrícia. 

Ela destaca, porém, que o problema é temporário e tende a desaparecer dentro de três ou seis meses. Mas, caso persista, a orientação é para que se busque um médico.

De acordo com o infectologista Lauro Ferreira Pinto, os sintomas mais persistentes tendem a ser de outra natureza e se fazem mais presentes em quem teve a forma moderada ou grave da doença.

“Há queixas que persistem até por alguns meses. A perda de olfato ou paladar pode ser duradoura, por exemplo. Pessoas que são internadas com um agravante de pneumonia também podem ter recuperação mais lenta. E tem todo um estresse pós-Covid, assim como existe estresse pós-traumático.”

Conforme explicou o infectologista Carlos Urbano, outros sintomas posteriores são fraqueza, sensação de cansaço – que pode ser causada por resquício de fibrose, dependendo de quanto o pulmão foi comprometido – dificuldade de concentração e alterações no sono.

“Estamos começando a lidar com isso agora. Tudo é muito novo. Mas as sequelas são mais frequentes em quem teve a forma grave da doença. Os sintomas podem permanecer por semanas ou mesmo alguns meses.”

O infectologista Alexandre Rodrigues observa ainda que alguns pacientes podem se queixar de tosse seca persistente. Mas destaca que nos casos muito leves, em que o paciente quase não manifestou sintomas da Covid-19, pode também não enfrentar nenhum problema posterior.

“Já quem teve um quadro moderado ou grave pode ter complicações em alguns casos. Durante as semanas ou meses após a contaminação, o paciente tem maior risco de desenvolver trombose profunda ou mesmo um acidente vascular cerebral.”

Além disso, problemas pré-existentes também podem se agravar, conforme observou o cardiologista Henrique Bonaldi. Ele explica que alguns pacientes com hipertensão tem apresentado pressão média ainda maior, mesmo que apenas temporariamente.

“Se a pessoa já tinha alguma comorbidade antes de contrair o vírus, deve ficar atenta, mesmo que tenha tido sintomas leves, e fazer acompanhamento médico”, orienta. 

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