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Publicado em 10 de junho de 2021 às 09:50
A maior parte da bancada federal capixaba - composta por dez deputados federais e três senadores - é contrária a exclusão de cidades da duplicação da BR 101. Na avaliação deles é preciso encontrar outras alternativas para superar o impasse do licenciamento no Trecho Norte que viabilizem a ampliação da rodovia. >
“É inaceitável qualquer exclusão de municípios da duplicação da BR 101. Não há justificativa para esta proposta que representa uma falta de respeito com a população, que paga pedágio há quase sete anos, aguarda e precisa de uma obra que aconteça de fato”, destacou o deputado Da Vitória.>
Na avaliação do deputado Felipe Rigoni, a melhor alternativa seria a retirada do trecho que corta a Reserva Biológica de Sooretama da duplicação do Trecho Norte. “A melhor solução é não duplicação dos 25 km da área da Reserva de Sooretama”, assinala.>
O deputado Helder Salomão observa que há um contrato assinado entre a concessionária e a União, que está em vigência. “É um absurdo excluir trechos que cortam seis municípios. O contrato prevê a duplicação de toda a extensão da rodovia no Estado. O povo já paga pela obra, em pedágios, e cabe aos órgãos do governo encontrar as soluções adequados do ponto vista tecnológico, ambiental, e econômico”, assinala.>
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Na avaliação do deputado Evair de Melo, a alternativa que pode viabilizar a duplicação do Trecho Norte da BR 101 é o Projeto de Lei do Marco Legal do Licenciamento Ambiental (PL 3729/2004), que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e está agora no Senado.>
“Ele viabiliza as obras públicas travadas pela burocracia. Fizemos uma emenda ao projeto, que o relator acatou, para viabilizar as obras na faixa de domínio da rodovia. Esta é a solução legal para avançarmos na obra, uma vez que dispensa o licenciamento nas faixas que não têm impacto ambiental. Sem o marco legal teríamos que conseguir o fracionamento do licenciamento para garantir as obras fora da reserva”, destaca Evair de Melo.>
Para Rigoni, o Projeto de Lei do Marco Legal do Licenciamento Ambiental não resolve o licenciamento do Trecho Norte da rodovia, dado que ele só pode ser aplicado a processos em curso. “Teria que ser feito um novo pedido de licenciamento, e mesmo que não demore os atuais sete anos, vai partir do zero. Não adianta”, assinala. >
O projeto também enfrenta dificuldades para passar pelo Senado. O senador Fabiano Contarato explica que o marco legal ambiental é um projeto que altera substancialmente a lei de licenciamento ambiental. “Faz isso de forma sorrateira ao minimizar a avaliação de impactos e multiplicar soluções simplistas de eficiência, modernização e celeridade processual, com um apelo sobre sérias questões essenciais à população, como saneamento básico, manutenção em estradas e portos, distribuição de energia elétrica, entre outros”, destaca.>
Ele defende um amplo debate, proporcionado, por meio de audiências públicas, para esclarecer o real objeto do projeto de lei. “Para avaliarmos como ele pode, de fato, proporcionar as melhorias que promete de compatibilizar crescimento econômico, investimentos e a necessidade de preservação sustentável do meio ambiente", pondera Contarato. >
O deputado federal Ted Conti, presidente da Comissão Externa de Fiscalização da BR 101/ES da Câmara dos Deputados, informou que pretende antecipar uma reunião com o ministro de Infraestrutura, Tarcisio Freitas, para discutir a liberação do licenciamento para a duplicação. “Queremos a participação da Findes, do governo estadual, da ANTT, da nossa bancada, para tentarmos uma ação mais firme para conseguir esta liberação junto ao Ibama”, explicou.>
Uma das soluções, na avaliação do parlamentar, seria a de não duplicação de 25 km do trecho que envolve a área de preservação ambiental em Sooretama, com a redução de velocidade no local. A outra solução seria a construção de um contorno, que ampliaria em 40 km extensão da rodovia. >
“Estamos empenhados em buscar soluções junto ao governo federal para resolver esse impasse e poder dar continuidade às obras”, acrescentou o deputado Amaro Neto.>
Outra que aposta em uma busca de soluções junto ao governo federal é a deputada Soraya Manato. “O governo federal está analisando uma estratégia para resolver essa questão, alinhando com órgãos federais”, destacou.>
A proposta da deputada Lauriete é a realização de audiência pública, com a participação do Ministério Público e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). “Isso precisa ser feito com urgência, em busca de uma solução para atender a todos. A obra é importante, e é necessário avaliar o impacto ambiental, equilibrando desenvolvimento com preservação ambiental, sem prejuízos para as partes. A engenharia pode oferecer todo tipo de solução, por isso defendo o debate com todas partes envolvidas.”>
A deputada Norma Ayub também acredita numa solução para o impasse. "A duplicação é uma obra mais que esperada por todos os usuários. Em respeito a todos que transitam pelo nosso Estado, participando inclusive do nosso desenvolvimento, tenho certeza de que vamos conseguir alinhar a conclusão dessa obra com a preservação do meio ambiente.". >
A construção de um contorno à Reserva de Sooretama teria um custo elevado, o que inviabiliza a obra, observa Rigoni. “São mais de 60 quilômetros, o que torna muito caro. O melhor seria excluir o trecho da reserva. E se não for possível, vamos fazer a obra da Serra até a reserva e batalhar por outra forma de realizar a duplicação no trecho da reserva até a Bahia. É melhor que não fazer nada”, pondera.>
Outro problema em relação à duplicação, segundo Helder Salomão, é o não cumprimento do cronograma de obras. “O povo paga pedágio para que esta obra tenha celeridade, mas os cronogramas estão furados. É uma rodovia importante para a logística, para a economia, para o turismo do Estado, e precisa ter sua duplicação realizada”.>
Obras, acrescenta ele, que não podem atropelar a legislação ambiental. “Não se pode pensar só na economia e desconsiderar a importância das riquezas ambientas e diversidade, fundamentais para o futuro da humanidade”, diz Salomão.>
A proposta de suspender a ampliação da rodovia a partir da Reserva Biológica (Rebio) de Sooretama até a Bahia foi apresentada, em um documento a que a reportagem de A Gazeta teve acesso, pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Eco101, concessionária que administra a rodovia.>
Tem objetivo de solucionar o impasse do licenciamento ambiental da obra no Trecho Norte, que já foi negado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio). A informação está em um ofício encaminhado pela Agência para a Eco101 no último dia 6 de abril.>
Por esta alternativa, ficariam excluídos da duplicação seis municípios dos 25 que são percorridos pela rodovia no Espírito Santo: Sooretama (a reserva, sua área de amortecimento e outros trechos que cortam a cidade), além de Jaguaré, São Mateus, Conceição da Barra, Pinheiros e Pedro Canário. Também seria afetado o município de Mucuri, na Bahia, incluído na reta final do trecho a ser duplicado.>
O trecho não ampliado, segundo a proposta, seria substituído por terceira faixa em pontos críticos, de acordo com estudos de tráfego realizados pela concessionária. A decisão sobre o que acontecerá na rodovia aguarda a manifestação do Ibama, prevista para o final de julho.>
A reportagem demandou os senadores Marcos Do Val e Rose de Freitas, e o deputado Neucimar Fraga, mas não recebeu suas manifestações sobre assunto. Assim que elas forem enviadas, esta matéria será atualizada.>
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