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Entenda os impactos

Duplicação da BR 101 pode ser suspensa em 6 cidades no Norte do ES

Proposta da Agência Nacional de Transportes Terrestres tem o objetivo de solucionar o impasse do licenciamento ambiental da obra partir da reserva de Sooretama. Solução seria construção de terceira faixa nos pontos críticos da rodovia

Publicado em 01 de Junho de 2021 às 02:00

Vilmara Fernandes

Publicado em 

01 jun 2021 às 02:00
BR 101 corta a Reserva Biológica de Sooretama
BR 101 corta a Reserva Biológica de Sooretama Crédito: Vitor Jubini - 03/05/2019
A duplicação do Trecho Norte da BR 101, que vai da Serra até Pedro Canário, pode ser suspensa a partir do início da Reserva Biológica (Rebio) de Sooretama. Da reserva até a Bahia, a obra seria excluída e substituída pela construção de terceira faixa nos pontos críticos da rodovia.
Por esta alternativa, ficariam excluídos da duplicação seis municípios dos 25 que são percorridos pela rodovia no Espírito SantoSooretama (a reserva, sua área de amortecimento e outros trechos que cortam a cidade), além de JaguaréSão MateusConceição da Barra, Pinheiros e Pedro Canário. Também seria afetado o município de Mucuri, na Bahia, que foi incluído na reta final da duplicação.
Esta é uma das propostas da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) apresentada para a Eco101, concessionária que administra a rodovia, com o objetivo de solucionar o impasse do licenciamento ambiental da obra no Trecho Norte, que já foi negado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio).
A informação está em um ofício encaminhado pela Agência para a Eco101 no último dia 6 de abril que a reportagem de A Gazeta teve acesso.
"Cabe à concessionária avaliar a exclusão da duplicação do trecho que compreende a Rebio, sua zona de amortecimento e o restante do segmento sentido Norte, até o término do trecho concedido, mantendo-se terceiras faixas para os pontos críticos de tráfego"
ANTT - Trecho de ofício enviado à Eco101

CRIAÇÃO DE TERCEIRA FAIXA

Como solução para a ausência de duplicação nos trechos a partir da Rebio de Sooretama, é sugerida a instalação de terceira faixa nos pontos mais críticos da rodovia. Sugestão pautada, informa a ANTT, em estudos de tráfego realizados pela concessionária que apontam não haver necessidade de duplicação no trecho que vai da reserva até Pedro Canário.
“De toda forma, à luz das tratativas até o presente momento, por meio de reuniões realizadas entre o Ibama, a ANTT e a concessionária, os elementos fáticos apresentados indicam pela desnecessidade de duplicação do trecho rodoviário a partir da reserva de Sooretama, visto que o estudo de tráfego apresentado pela própria concessionária indica não haver demanda que jusfique tal investimento”, diz o texto do ofício da agência.

OUTRA PROPOSTA DA ANTT

A outra proposta da ANTT, presente no documento, é para que seja eliminado da duplicação apenas o trecho da Rebio de Sooretama e sua zona de amortecimento, cerca de 25 quilômetros. A obra poderia assim ser realizada no restante da rodovia - antes e após a reserva.
Segundo o documento, esta deverá ser a primeira alternativa a ser considerada pela concessionária. “Do que se tem apresentado em reuniões e troca de documentos, a solução mais indicada, na visão desta Superintendência, é a propositura de exclusão da duplicação no trecho que compreende a Rebio e sua zona de amortecimento, mantendo-se a duplicação nos demais segmentos do Trecho Norte”, diz o texto.
Esta alternativa não será adotada, segundo destacado ainda no documento, se não for aceita pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Neste caso, é sugerido que a proposta a ser avaliada pela Eco101 seria a exclusão da duplicação a partir da reserva.

IMPASSE NO LICENCIAMENTO

O processo de licenciamento do Trecho Norte da BR 101 teve início em 2014 e o impasse surgiu por conta da Reserva Biológica (Rebio) de Sooretama,  cuja autorização para a obra foi negada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), uma negativa que voltou a ser confirmada em abril do ano passado.
No ofício encaminhado pela ANTT à Eco101, é informado que a duplicação do trecho da Rebio será retirada do contrato. “Havendo já manifestação formal do ICMBio contrária à duplicação da rodovia na Rebio de Sooretama e sua zona de amortecimento, não há viabilidade técnica e jurídica para que a duplicação ali ocorra no atual cenário regulatório, de modo que esta Agência adotará as providências no momento oportuno para adequação do contrato a esta limitação ambiental”, diz o texto.
O argumento do ICMBio é de que se trata de uma reserva de proteção integral e a lei não permite a redução de parte da área, até mesmo para a duplicação. 
Os três contornos estudados fazem parte das obras previstas para o trecho norte da BR 101, entre Serra e Pedro Canário
Trecho norte da BR 101, entre Serra e Pedro Canário Crédito: Vitor Jubini

DECISÃO FINAL SOBRE O LICENCIAMENTO

Está sendo aguardada a manifestação do Ibama sobre o licenciamento, com informações sobre o que será autorizado fazer no Trecho Norte da rodovia. Por nota, o instituto informou que a concessionária apresentou, no dia 30 de abril, as complementações e esclarecimentos que haviam sido solicitados após análise técnica do Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) do empreendimento.
“Agora o Ibama procederá a análise dessas complementações e esclarecimentos para avaliar a viabilidade do empreendimento. A conclusão da análise está prevista para meados de julho de 2021”, informa a nota.
No ofício da ANTT,  é destacado a necessidade de se aguardar a manifestação do Ibama. “Nesse contexto, as limitações impostas pelos órgãos ambientais certamente serão acolhidas por esta Agência na gestão do contrato de concessão”, diz o documento.
É destacado ainda que a decisão final sobre o assunto ficará a cargo da diretoria colegiada da ANTT. “A autoridade competente para analisar e promover alterações contratuais, a partir da apresentação pela concessionária de todos os elementos necessários para a tomada de decisão por parte desta Agência, é a Diretoria Colegiada, órgão máximo desta Agência. Seja para exclusão da duplicação do trecho em questão, seja pela previsão de contorno alternativo, a gestão do contrato de concessão será objeto de deliberação do Colegiado, observado o devido processo regulatório”, diz o texto.

CONTRATO E PEDÁGIO

O contrato de duplicação da BR 101 foi assinado com a concessionária Eco101 em 2013. No ano seguinte, o pedágio começou a ser cobrado nas sete praças, localizadas em Pedro Canário, São Mateus, Aracruz, Serra, Guarapari, Itapemirim e Mimoso do Sul.
A obra envolve 475,9 quilômetros da BR-101, que vai do trevo de acesso à cidade de Mucuri, no Sul da Bahia, até a divisa com o Rio de Janeiro. A área concedida corta 25 municípios do Espírito Santo, onde está a maior parte da concessão: 458,4 quilômetros em solo capixaba. Os outros 17,5 quilômetros estão dentro dos limites do estado da Bahia.

ECO101 AGUARDA IBAMA

Por nota, a Eco101 informa que no em setembro de 2020 o Ibama solicitou da concessionária complementação dos estudos ambientais referente aos contornos de Ibiraçu, Fundão e Linhares, além de novas alternativas para a Rebio Sooretama e sua zona de amortecimento. Obras, segundo a empresa, não previstas no contrato original.
“A empresa desenvolveu este trabalho atendendo o indicado pela ANTT quanto à variante da Rebio (não duplicar no trecho da Reserva de Sooretama e da Zona de Amortecimento, retomando-a logo após) e, em conformidade aos prazos junto ao órgão ambiental tendo protocolado as complementações por ele solicitadas”, informa.
Destaca ainda que a evolução do processo e a realização dos estudos foram acompanhados por meio de reuniões recorrentes com a participação da ANTT e o Ibama. “No momento a Concessionária aguarda manifestação conclusiva por parte do órgão ambiental, determinando ou não a viabilidade ambiental de todo o empreendimento”, informa nota da Eco101.

O QUE DIZ A ANTT

Procurada pela reportagem, a ANTT afirmou, por nota, que foi realizado estudo de tráfego pela concessionária e o mesmo indicou a possibilidade de implantação de 3ª faixa em trechos críticos do segmento norte da rodovia. 
"Todavia, essa proposta não foi apresentada ao Ibama, uma vez que encontra-se em avaliação junto ao Ibama as alternativas locacionais de contornos à Rebio e a alternativa de não duplicação do trecho da Rebio e sua ZA, mantendo-se os demais trechos duplicados", diz a nota.  No momento, a ANTT aguarda a manifestação do Ibama.

Atualização

01/06/2021 - 8:25
A reportagem foi atualizada após manifestação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

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