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Alunos e professores protestam contra processo seletivo no Ifes

Manifestação tomou ruas de Vitória nesta sexta-feira (10) contra seleção que analisa histórico escolar, em vez de aplicação de prova; critério é considerado injusto

Publicado em 10/09/2021 às 17h01
Atualizado em 10/09/2021 às 19h04
Protesto de alunos contra processo seletivo do Ifes, em Vitória
Protesto de alunos e professores contra processo seletivo do Ifes, em Vitória. Crédito: Ricardo Medeiros

Alunos e professores foram às ruas de Vitória, na tarde desta sexta-feira (10), contra o processo seletivo do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) que prevê a admissão de novos estudantes em cursos técnicos por análise de histórico escolar e sorteio em vez de aplicação de prova. Os manifestantes consideram o critério injusto e também passível de ser burlado. 

O grupo, que reuniu cerca de 50 pessoas, partiu da reitoria do Ifes, em Santa Lúcia, e seguiu pelas avenidas Rio Branco, Leitão da Silva e Vitória até chegar ao campus da Capital, em Jucutuquara. Com faixas e cartazes em mãos, os manifestantes seguiam um carro de som, de onde eram feitos os discursos contra a medida do Ifes. 

O professor Ciro Pylro aponta que o modelo foi adotado no final de 2020, diante do momento da pandemia da Covid-19, mas considera que, na situação atual, é possível aplicar as provas sem prejuízo ou risco para os alunos. Ele observa que a avaliação é feita no fim do ano, quando, segundo estimativa da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa)toda a população capixaba com mais de 12 anos já deverá ter tomado as duas doses da vacina para prevenção à doença. 

O posicionamento contrário à análise de histórico deve-se justamente à experiência do ano passado, afirma o professor. Ciro Pylro diz que houve um "estranhamento"  diante dos resultados apresentados. 

"As notas são geradas exclusivamente pelas escolas na hora de entregar o histórico. Mas essas notas são auditáveis, há acompanhamento da Secretaria da Educação? Há um estranhamento por tantos alunos com aproveitamento superior a 95%; muitos entraram com a nota 100", pontua. 

Para Ciro Pylro, além de não haver uma segurança absoluta sobre as notas apresentadas, existe ainda uma percepção de que a análise de histórico não é um modelo adequado e justo porque as escolas têm meios diferentes de avaliar seus alunos, ao passo que, se uma prova for aplicada, serão os mesmos conteúdos e tempo de avaliação para todos. 

Outra crítica é em relação aos sorteios previstos para uma das modalidades de curso técnico oferecidas no Ifes. "Isso não é critério de seleção, é sorte", lamenta. 

Aluna do 9º ano do ensino fundamental da rede municipal, Elisa Meirelles, 14 anos, também participou do protesto e teme ser prejudicada por uma análise de histórico, até porque, em 2020, ela e seus colegas não tiveram notas devido a mudanças no sistema de avaliação decorrentes da pandemia. A escola fez apenas o registro de frequência. "Como o Ifes vai resolver isso?", questionou a adolescente que pretende cursar Mecatrônica. 

O QUE DIZ O IFES?

Adriana Pionttkovsky, pró-reitora de Ensino do Ifes, explica que toda decisão tomada tem sido compartilhada com o Ministério Público Federal (MPF) que, segundo ela, até o momento tem acolhido as argumentações da instituição. 

A pró-reitora reconhece que o momento da pandemia é diferente do vivenciado em 2020, porém ressalta que o contexto ainda exige cuidados tanto com os candidatos e suas famílias - como são menores, em geral, estão acompanhados dos pais nas provas - quanto dos servidores. 

A seleção presencial, destaca Adriana, movimentaria um público bastante elevado nos 22 campi do Ifes, inclusive de outros Estados onde o plano de imunização pode não seguir a mesma dinâmica do Espírito Santo, e para o qual há necessidade de garantir os protocolos de distanciamento e não aglomeração, ainda necessários apesar da vacina. 

Também em função da pandemia, a pró-reitora afirma que seria necessária uma estrutura maior para acolher os candidatos, com o dobro de salas e mais funcionários, elevando o custo, que não poderia ser repassado na taxa de inscrição e nem mesmo bancado pelo Ifes. 

Questionada sobre os resultados apresentados pelos candidatos de 2020, que causaram estranhamento ao professor Ciro Pylro, a pró-reitora esclarece que a responsabilidade da informação é de cada rede de ensino e que não cabe ao Ifes fazer juízo de valor.

"Cada rede de ensino é responsável pelos seus documentos e por aquilo que apresenta. Não cabe ao Ifes fazer qualquer avaliação de como as redes se comportaram. Há outra questão que precisa ser considerada: o Ifes é uma escola pública e só faz processo de seleção porque, infelizmente, não tem vaga para todos os estudantes. Independentemente da rede que os alunos vêm, eles têm direito a essa educação. O edital vai dizer as regras que precisam cumprir. Agora, se a nota de fato corresponde ao que aprendeu, não podemos fazer esse julgamento na seleção. Toda rede sabe que tem de atender aos conteúdos mínimos e confiamos que estejam realizando", reforça. 

Sobre a adoção de sorteio, Adriana pondera que  é voltado a modalidades que atendem um público específico, como pessoas que já concluíram o ensino médio há muito tempo e disputam uma vaga em cursos subsequentes ou para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Nesses casos, observa a pró-reitora, a análise de histórico ficaria comprometida. 

Já em relação à preocupação apresentada pela estudante Elisa, sobre a falta de nota para análise de histórico, a pró-reitora informa que o edital vai trazer uma regra em que a avaliação do candidato se dará por uma média do seu desempenho ao longo do ensino fundamental II. 

"Temos tentado responder todas as questões que nos chegam; estamos abertos ao diálogo e à disposição para apresentar nossos argumentos", finaliza Adriana Pionttkovsky. 

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