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Do café ao cacau, mulheres ganham destaque no agronegócio no ES

Participação feminina na produção capixaba cresce a cada ano, com apoio de cooperativas e outras entidades que buscam fortalecer o agronegócio

Tempo de leitura: 5min
Vitória
Publicado em 08/06/2022 às 10h03

Do plantio à colheita, e, por fim, à comercialização. Presentes nas mais diversas etapas da cadeia de produção do agronegócio, as mulheres capixabas têm ganhado destaque no meio, sendo responsáveis por muitos dos produtos que chegam à mesa de moradores do Espírito Santo e até de outros locais.

Josane de Souza Lima Bissoli, por exemplo, é produtora de café especial na comunidade de Vila Pontões, em Afonso Cláudio, que faz divisa com municípios como Santa Maria e Domingos Martins. São versões mais finas da bebida, em comparação com o café utilizado no dia a dia pelas famílias.

Josane de Souza Lima Bissoli produz cafés especiais em Afonso Cláudio
Josane de Souza Lima Bissoli produz cafés especiais em Afonso Cláudio. Crédito: Gustavo Adolfo

Ela explica que a família do marido já produz café há várias décadas, assim como acontece com muitos outros agricultores da região. Mas, desde o final da década de 1990, começou a dar asas à ideia de investir em uma produção diferenciada, que foge à commodity comum. No sítio, a produção predominante é do café arábica, nas variedades catuaí vermelho e amarelo. Outros tipos, como o arábica 785 e o tupi começaram a ser plantados recentemente.

“A produção começou em 1999 e logo em 2001 fomos premiados, ficamos entre os melhores cafés do Brasil e isso foi despertando nas pessoas a curiosidade de tomar o café especial. Passaram a vir à região para procurar esse café para tomar. Mas é uma produção que requer muito estudo e eu e outras mulheres acabamos nos unindo para buscar capacitação. Criamos até uma associação de mulheres produtoras na região.”

Essas mulheres se capacitaram e foram em busca de conhecimento que permitisse agregar valor ao produto, que é um dos carros-chefes da região.

O Café da Josane, como é chamado, é produzido a partir do grão cereja natural e já é encontrado em diversos locais do país. Além disso, a família também produz o Café Bissoli, produzido a partir do cereja descascado. A venda é feita pelo WhatsApp, entre uma conversa e outra, e o produto é enviado pelos Correios para quem quiser provar, além de também ser possível encontrá-lo em alguns estabelecimentos no Centro de Afonso Cláudio.

Também na cafeicultura, o projeto Póde Mulheres, que surgiu dentro da Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul), busca capacitar e incentivar a participação feminina no segmento, conforme explicou Natércia Bueno Vencioneck Rodrigues, uma das coordenadoras do grupo.

O nome do projeto é uma junção do produto trabalhado e da força que se busca fornecer a essa mulher. É "póde" de pó de café, mas também é "póde" de poder. Esse nome só surgiu em 2016, mas o projeto vinha sendo delineado desde 2012, quando teve início um movimento de organização de produtoras, a fim de trazê-las para dentro da cooperativa.

Daiana Pinto, integrante da cooperativa de cafeicultoras capixabas Póde Mulheres
Integrante da cooperativa de cafeicultoras capixabas Póde Mulheres . Crédito: Yuri Barichivich/Divulgação

“A gente sabia que elas já desenvolviam as atividades na zona rural, mas não comercializavam, não compravam, então o projeto incentivou a geração de renda dessas mulheres na zona rural. Promovemos treinamentos, incentivamos a diversificação de renda, mas, em 2016, houve a grande virada, e o café passou a ser o foco prioritário. Elas começaram a trabalhar cada vez mais a qualidade do produto. Em abril de 2018, foi lançada a linha de café Póde Mulheres, que é comercializado em diversos municípios, como Cachoeiro de Itapemirim, Alegre, em algumas cafeterias de Vitória, e até em alguns locais de Minas Gerais.”

Apesar de o café ser o foco, a produção dessas agricultoras vai além, e elas produzem alimentos, inclusive lanches artesanais, que a própria cooperativa passou a adquirir para coffee breaks em eventos.

As capixabas também estão presentes em outros tipos de produção. Há cerca de dois anos, um projeto de pesquisa deu origem ao projeto Mulheres do Cacau, que busca capacitar e apresentar novas tecnologias às produtoras, conforme explicou a coordenadora Alessandra Maria da Silva, que é agente de extensão e desenvolvimento rural do Incaper.

“Fizemos um diagnóstico com as mulheres de Linhares e da região e elas citaram o cacau como interesse. Era algo com que já trabalhavam, mas queriam conhecer amêndoas de maior qualidade, outras possibilidades, inclusive para produção de chocolate. O principal objetivo do projeto é levar conhecimento tecnológico, dar os meios para que possam tomar decisões, e chegou em um ponto em que já estão tão firmes nisso que já têm autonomia para tocar o projeto no futuro, criar associações. Elas já se intitulam Mulheres do Cacau.”

Projeto Mulheres do Cacau tem mudado a produção de cacau no Estado. Crédito: MULHERES DO CACAU/DIVULGAÇÃO
Projeto Mulheres do Cacau tem mudado a produção de cacau no Estado. Crédito: MULHERES DO CACAU/DIVULGAÇÃO

Alessandra explica que o programa conta com parceiros como Senar, Ceplac, Ifes, e o Sindicato de Trabalhadores rurais e oferece capacitações em Linhares, Rio Bananal, Colatina, e Santa Teresa, que abrange também São Roque do Canaã. Atualmente, há mais de 60 mulheres envolvidas de forma direta ou indireta.

PAINEL DE MULHERES

A presença da mulher nos espaços da agropecuária no Estado será debatida, na sexta-feira (10), no painel da feira de tecnologia e inovação do agronegócio Tecnoagro, em Linhares.

A palestra "Elas no campo e na pesca: empoderamento feminino e fortalecimento da agricultura capixaba" contará com participação de Alessandra Maria da Silva, médica veterinária, extensionista do Incaper e coordenadora do projeto “Mulheres no Cacau”; Aline Malta, gerente da Fazenda Três Marias; e Patrícia Ferraz do Nascimento, coordenadora de projetos na Secretaria de Estado da Agricultura, em que coordena o projeto “Elas no campo e na pesca". O painel será mediado pela jornalista Elaine Silva, editora-chefe de A Gazeta.

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