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União da produção lavoura, gado e floresta tem sido uma forma de fomentar as propriedades rurais do ES
União da produção lavoura, gado e floresta tem sido uma forma de fomentar as propriedades rurais do ES. Crédito: Fernando Madeira

Agro une lavoura, criação de gado e floresta para fortalecer negócios no ES

Técnica que integra lavoura, pecuária e atividade florestal diversifica a produção, eleva a produtividade da área e contribui para redução de gases de efeito estufa

Tempo de leitura: 3min
Publicado em 20/06/2022 às 15h06

Simone Azevedo

A utilização de diferentes sistemas produtivos agrícolas, pecuários e florestais dentro de uma mesma área é uma estratégia de produção que vem crescendo no Brasil nos últimos anos. Chamado de integração lavoura-pecuária-floresta, com a sigla ILPF, esse sistema pode ser feito em cultivo consorciado, em sucessão ou em rotação, de forma que haja benefício mútuo para todas as atividades envolvidas.

Presente em 17 milhões de hectares no Brasil na safra 2020/2021 e com potencial de expansão podendo chegar a 48 milhões de hectares, de acordo com informações da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), esse modelo de sistema integrado, além de otimizar a fertilidade do solo e o uso dos insumos, diversificar a produção e elevar a produtividade em uma mesma área, acaba sendo ambientalmente mais sustentável, pois contribui para a redução da emissão de gases causadores de efeito estufa e promove a recuperação de áreas de pastagens degradadas.

Incentivada pelas vantagens econômicas e ambientais desse sistema, Leticia Lindenberg, proprietária da Fazenda Três Marias, em Linhares, decidiu implantar a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) em sua propriedade em parceria com a Suzano, maior produtora mundial de celulose de eucalipto, que irá fazer o plantio, o manejo e a colheita da floresta de eucalipto. Na mesma área da fazenda, em um sistema de cultivo consorciado, a propriedade terá floresta, plantio de soja e milho e criação de gado.

Agronegócio 5.0: Fazenda Três Marias, em Linhares, aposta em tecnologia, como uso de sensores, além de integração floresta, lavoura de café, milho coco, frutas e milho e criação de gado. Negócio é administrado por Leticia Lindenberg
Agronegócio 5.0: Fazenda Três Marias, em Linhares, aposta em tecnologia, como uso de sensores, além de integração floresta, lavoura de café, milho coco, frutas e milho e criação de gado. Negócio é administrado por Leticia Lindenberg. Crédito: Fernando Madeira

Letícia Lindenberg

Administradora da Fazenda Três Marias

"Além de receber o pagamento do arrendamento da terra, com esse sistema, a rentabilidade por hectare aumenta, pois eu consigo otimizar a área da criação extensiva de gado, que passa a comportar mais animais. Com a rotação do cultivo de grãos, eu consigo ampliar a produtividade da terra e rentabilizar a área durante o período de crescimento da floresta. E com a sombra proporcionada pelo eucalipto, o gado tem um maior conforto térmico e consegue ganhar peso em menos tempo, então a produção de carne aumenta em relação ao gado que é criado no sol. Com a profissionalização do manejo, o ganho na pecuária aumenta de 30% a 40% na arroba do boi"

Em relação à vantagem ambiental, Leticia destacou que o sistema ILPF ajuda com o sequestro de carbono. “A pecuária envolve a polêmica ambiental da emissão de gases de efeito estufa pelos animais, que é poluente e destrói a camada de ozônio. E com o plantio de florestas, é feita uma compensação dessa emissão”, ressalta a produtora, que tem se dedicado a conhecer em profundidade a técnica ILPF e as experiências já consolidadas em outras propriedades rurais do país para trazer as inovações ao Espírito Santo.

Entre as vantagens do sistema, de acordo com o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), ao agregar em uma mesma propriedade diferentes sistemas produtivos como grãos, gado e agroenergia, preservando a floresta, os produtores podem minimizar perdas financeiras e déficits de emprego e renda no campo em função das oscilações do mercado e de eventos climáticos adversos. Agindo como uma barreira natural contra doenças dispersas pelo vento, a floresta protege as plantações de intempéries climáticas, regula o microclima da área e auxilia no bem-estar do gado.

Agronegócio 5.0: Fazenda Três Marias, em Linhares, aposta em tecnologia, como uso de sensores, além de integração floresta, lavoura de café, milho coco, frutas e milho e criação de gado. Negócio é administrado por Leticia Lindenberg
Agronegócio 5.0: Fazenda Três Marias, em Linhares, aposta em tecnologia, como uso de sensores, além de integração floresta, lavoura de café, milho coco, frutas e milho e criação de gado. Negócio é administrado por Leticia Lindenberg. Crédito: Fernando Madeira

CAPACITAÇÃO

Em função da importância da pecuária para o desenvolvimento econômico e social do Espírito Santo, o Incaper criou o projeto “Fomento da Bovinocultura Sustentável” para capacitar produtores rurais e suas famílias sobre sustentabilidade dos sistemas de produção. Entre as ações, o projeto integra a implantação de unidades demonstrativas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) em Cachoeiro de Itapemirim e Linhares.

Com a vertente da pecuária leiteira exercida predominante por produtores familiares no Estado, o Incaper identificou que em algumas propriedades há pouca tecnificação e diversificação em áreas com baixa produtividade e pastagens degradadas, o que limita o desenvolvimento da atividade.

Renan da Silva Fonseca, extensionista do Incaper e coordenador das unidades ILPF, ressalta que a proposta com a implantação das unidades é demonstrar para os produtores o potencial dessa tecnologia, já consolidada em outras regiões do país e que pode ser uma alternativa economicamente viável e ambientalmente sustentável, e sua aplicabilidade no Espírito Santo, através de ações de capacitação e visitas técnicas.

“Trouxemos o sistema para as regiões representativas da realidade das propriedades rurais do Norte e do Sul do Estado, para que os produtores conheçam a tecnologia ILPF. Na unidade do Norte, aplicamos a modalidade lavoura-pecuária (ILP), sem o componente florestal, e na unidade do Sul, aplicamos a integração pecuária-floresta (IPF). No primeiro caso, os benefícios incluem a melhoria na qualidade do solo e a recuperação de áreas degradadas. No segundo modelo, o principal benefício, além do incremento na produtividade da área, é o conforto térmico que a sombra das árvores proporciona aos animais. Ambas são modalidades do sistema ILPF”, explicou o especialista.

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